6
fev

Marcos Gonçalves

   Publicado por Carlos Zamith   em Astros da bola, Nacional Futebol Clube

Grandalhão, rompedor, goleador, veio para Manaus em 1943 e por aqui ficou até a morte. Foi o autor dos dois tentos da Seleção do Amazonas sobre o Pará, pelo Campeonato Brasileiro de Futebol, na primeira vitória dos amazonenses dentro da casa do adversário.

Marcos Gonçalves - 1943Marcos Gonçalves da Silva, 1,78m., chuteiras 44, nascido em Belém do Pará a 24 de março de 1916 teve uma longa história a serviço do futebol, pois só parou de jogar com quase 42 anos de idade, mas continuou como técnico muito bem sucedido no início da nova carreira.
Para o Baú Velho, em março de 1990, Marcos contou a sua história:
“Meu pai era sargento do Exército e nos constantes deslocamentos, a família o acompanhou, fixando-se no Rio de Janeiro onde passou a servir. Tive a oportunidade de jogar nos quadros inferiores do Fluminense e do Vasco da Gama. Depois meu pai foi transferido de volta para Belém. Joguei no Luso e mais tarde no Clube do Remo e nos anos de 1936 e 1937 no Paissandú. No ano seguinte novamente meu pai foi transferido, agora para Fortaleza. Lá joguei no Estrela do Mar e no Maguary entre os anos de 1938 e 1939. Novo deslocamento para Maceió e a seguir para Recife onde passei a defender o Santa Cruz em 1942. O campeonato havia terminado, os jogadores estavam de férias e eu aproveitei a folga viajando para Belém onde aguardaria a delegação do Santa Cruz que vinha para o Norte cumprir uma série de jogos, inclusive em Manaus, num período não muito bom porque estávamos  no fervor da II. Guerra Mundial”.

Em Belém o Santa Cruz enfrentou o Clube do Remo e venceu pela contagem de 5 a 2. Marcos fez quatro dos cinco gol, atuando como centro avante do time pernambucano. Em seguida dois empates contra o Paysandu e contra a Tuna. Marcos chegou a Manaus antes da delegação do Santa Cruz, juntamente com Bendelak e explicou que dois dirigentes de clubes de Manaus estavam em Belém tratando da temporada do Santa Cruz, Arnóbio Valente (Olympico) e Rocha Barros (Rio Negro) que também estavam atrás de reforços. O Santa tinha estréia marcada contra o Olympico, no Parque e dois dias antes, Marcos e Bendelak apareceram no estádio para  ver um jogo do campeonato local. De repente recebeu um convite para apitar o jogo porque o árbitro escalado não havia comparecido. Relutou muito, argumentando que o Bendelak era mais acostumado a apitar. Não adiantou. Terminou apitado e até que se saiu muito bem.

Marcos tinha compromisso com o Santa Cruz, mas os dirigentes do Olympico fizeram força para que ele jogasse com a sua camisa. Após muita conversação, foi liberado e jogou ao lado de Bendelak. O Olympico venceu o time pernambucano por 3 a 2 e ele marcou os três gols, todos no segundo tempo. Não podia ter uma estréia melhor, num time que jogava com Théo, Periquito e Manuel Braga, Chinelo, Almir Marques e Nestor; Cabral, Klin, Marcos, Bendelak (Eliomar) e Sálvio Miranda Corrêa.

Relembrou com tristeza a morte de dois companheiros do Santa Cruz, Papeira e King, falecido em Belém na volta da delegação. Por sua boa atuação, o Santa Cruz o incorporou à delegação, mas diante de tantos problemas, inclusive com a ameaça de bombardeios do navio em que viajavam, a embaixada voltou a Belém e os jogadores receberam passe livre. Na ocasião praticamente acabava o time do Santa Cruz. Arnóbio Valente trouxe para o Olympico, Pinhegas, Pelado, Sidinho e o próprio Marcos, enquanto Rocha Barros segurava Salum Omar e França, para o Rio Negro. Limoeirinho foi para o Botafogo, do Rio; Amaro para o América, também do Rio e outros tomaram rumos diferentes.

Marcos Gonçalves 1992Na seleção de 1943, o Amazonas venceu ao Pará pela primeira vez dentro de Belém, por 2 a 0 e Marcos assinalou os dois tentos. Jogou ainda na seleção de 1944 e perdeu por 1 a 0, em Manaus. Foi campeão pelo Olímpico em 1944 e pelo Nacional em 1946 para onde foi levado pelo dirigente Ney Rayol. Defendeu o Barés e encerrou sua longa carreira no Santos, da Cachoeirinha, como jogador e como técnico, pelo qual foi campeão da segunda divisão, em 1957 e campeão no ano seguinte pelo mesmo Santos, já na primeira divisão.

Marcos fixou-se em Manaus. Casou com D. Júlia Sarkis. Pai de dois filhos, Edson, tricampeão juvenil pelo Nacional na década de 60 e Edilson, que jogou no juvenil do Fast. Ambos são médicos. Edson é urologista e Edilson endoscopista. Edson homenageou sua mãe e Edilson o seu pai, com as Clinicas Santa Julia e São Marcos, ambas na avenida Ayrão. Éra um ídolo do Olympico que a torcida passou a admirá-lo. Marcos faleceu no dia 15 de setembro de 1993, aos 77 anos e D. Júlia meses depois.

5
fev

Livro Baú Velho, 2ª edição

   Publicado por Carlos Zamith   em Velhos tempos

Bau Velho - 2ª edição

O Professor Tenório Teles escreveu:

A história é um espelho em que nos miramos para colher conhecimentos e as experiências do passado. É esse saber que nos permite compreender o presente e projetar o futuro. O livro do Carlos Zamith é um tributo à história do desporto amazonense. Fruto de suas vivências, Baú Velho é uma das obras mais significativas das prática esportivas regionais. Pelo seu significado cultural e riqueza de conteúdo, supre uma lacuna e, ao mesmo tempo,  firma-se como uma obra de refêrência sobre o futebol do Amazonas. Mais um testemunho da sua história como cronista esportivo, Zamith presta um serviço à história do futebol no Brasil.

SERVIÇO
Báu Velho
Carlos Zamith
Esporte / Futebol | 426 páginas | 16 x 23 cm
2.ª edição, 2008
Livraria Valer, situada na rua Ramos Ferreira, 1195 – Centro, Manaus/AM.
Telefones (92)3635-1324 ou (92)3633-6565
Site: www.livrariavaler.com.br

4
fev

O craque Berg

   Publicado por Carlos Zamith   em Astros da bola, Atlético Rio Negro Clube

O Rio Negro estava de volta aos gramados em 1982, após uma rápida parada para aliviar os problemas financeiros. Contratou reforços de outros centros e formou uma equipe para conquistar o campeonato oficial. Eram jogadores do subúrbio carioca, do futebol paraense e alguns prata da casa que apresentavam boas qualidades para a equipe titular.

BergDentre os que apareceu com destaque, foi o atacante Berg, desconhecido da torcida e que ainda tinha seu nome de batismo nas escalações e nas transmissões, como Ninimberg. A volta do barriga-preta foi contra o Bangu, do Rio, no dia 6 de junho de 1982, no mesmo dia em que o goleiro Clovis deu o seu “adeus” do futebol, no campo da Colina. Nesse mesmo jogo, o Nininberg, que formou como ponteiro esquerdo, teve atuação destacada e nunca mais largou o time titular. Foi campeão pelo Rio Negro em 1982, formando com Tobias, Jair, Marcão, Darinta e Toninho; Dalmo, Patrulheiro e Berg; Pedrinho, Alcindo e Tiquinho.

Berg começou a jogar futebol nas peladas do bairro de São Jorge e aos 12 anos já atuava pelo Comercial do bairro da Gloria e logo depois juvenil do São Raimundo e América dos irmãos Teixeira, até chegar ao Rio Negro em 1982.

Prata da casa de boas qualidades, Berg não demorou muito no futebol amazonense. Jogou pelo Rio Negro no Copão de 1983 e seu último jogo foi contra o Nautico, em Recife, dia 3 de abril desse mesmo ano. Berg foi campeão profissional pelo Rio Negro, em 1982 e um dos artilheiros do time com sete gols.

Contratado pelo Botafogo, do Rio, firmou-se também como titular durante alguns anos, chegando a ser cogitado para a seleção, até que sofreu uma grave contusão que o deixou fora dos gramados quase um ano. Voltou a jogar, mas sem aquela firmeza, sendo emprestado a clubes de outros centros.

O INICIO

Ninimberg dos Santos Guerra, nasceu a 16 de março de 1963 e desde cedo se destacou no infntil do time suburbano Comercial, passou pelo juivenil do América, defendeu o Rio Negro ainda como juvenil ao lado de Gilmar Popoca chegando a titular. Jogou o Campeonato Brasileiro e, pela atuação que teve contra o Flamengo, cujo resultado foi 1×1, em 1982 chamou a atenção do Botafogo, do Rio que o contratou. Berg jogou ainda pelo Americano, de Campos, Atlético, do Paraná, América, do Rio, Madureira, Cerro Portenho, do Uruguai e por último pelo América, da cidade paulista de Rio Preto.

Em  setembro de 1995, prestes a encerrarrar a carreira, veio a Manaus para defender o Rio Negro no Copão Brasil (Terceira Divisão). Fez dois jogos contra o Baré. Perdeu em Roraima por 2 a 0 e empatou no jogo de volta, na Colina, em 3 a 3, sendo desclassificado.

Berg morreu na quinta-feira, 11 de julho de 1996, no Rio de Janeiro, de parada cardíaca, quando jogava uma pelada na praia da Barra da Tijuca. O corpo veio para Manaus, velado no Ginásio do Atlético Rio Negro Clube e foi sepultado em Manaus, no domingo pela manhã, dia 14 de julho de 1996.

Em homenagem ao jogador amazonense, o governador do Estado, Amazonino Mendes, deu o nome de de Ninimberg a um belo ginásio construido no bairro de São Jorge.

2
fev

Praça Heliodoro Balbi

   Publicado por Carlos Zamith   em Logradouros históricos

A Praça Heliodoro Balbi, também conhecida como Praça da Polícia por ocupar uma vasta área em frente ao antigo Quartel da Polícia Militar do Estado, passou por uma série de reformas e foi reinaugurada em setembro de 1986, na administração do Prefeito Manoel Ribeiro.

Antes do início dos trabalhos no logradouro, a Prefeitura assinou um acordo com o Banco Itaú S/A, (agência construída na área onde foi o Cine Guarany, que ficou com a responsabilidade da manutenção da praça).

Pelo convênio, a Prefeitura autorizou a derrubada de oito oitizeiros que se encontravam no terreno. Em troca, o Banco Itaú ficava obrigado a plantar na mesma área, cinco mudas da mesma planta, duas palmeiras do Amazonas e quatro braúnas, conforme planta que foi apresentada à Prefeitura pelo próprio estabelecimento bancário.
Além dos cuidados técnicos para o desenvolvimento das árvores, o Banco era obrigado a manter sob suas expensas, durante três anos a contar da reinauguração, a limpeza diária da Praça, sem incluir domingos e feriados, ficando ainda sob seus cuidados o recolhimento do lixo. A mesma equipe ficou responsável pelo plantio de quaisquer plantas danificadas.

Praça da Policia

A DENOMINAÇÃO

A Praça Heliodoro Balbi chamou-se inicialmente “Praça da Constituição”, denominação dada em 22 de junho de 1891, através de lei de autoria de Antonio Henrique de Almeida Junior, promulgada cinco dias depois. Prestava-se homenagem à primeira Constituição Política do Amazonas, proclamada em virtude de um decreto de 13 de março de 1891, pois no quartel da Polícia Militar, funcionava o Congresso.

O ajardinamento da Praça da Constituição foi determinado em 1906, pelo Superintendente Municipal, coronel Adolpho Lisboa. Na ocasião, foi construído o correto de ferro, uma gruta etc. A inauguração aconteceu no dia 23 de julho de 1907, na gestão de Monteiro Tapajós.

Em 1914, a praça voltou a sofrer reparos, na administração do Prefeito Dorval Porto e, em 1920, o Prefeito Basilio Torreão Franco de Sá, deu novo traçado à praça.

Em 1923, através da Lei nº 1.120, de 27 de outubro, a Praça da Constituição passou a chamar-se “Praça Gonçalves Ledo”, mas essa denominação não durou muito tempo, pois em 1930, pelo Decreto nº. 01, de 3l de outubro recebeu o nome de Praça João Pessoa.

Finalmente, pela Lei nº. 472, de 01 de dezembro de 1953, nova mudança de nome, agora para o atual, “Praça Heliodoro Balbi”, enquanto o nome de João Pessoa, pela mesma Lei, passava para a antiga Bola da Constantino Nery com o ex-Boulevard Amazonas, já desaparecida.

Vale recordar, por outro lado, que o nome de Heliodoro Balbi, antes de transferir-se para a atual, era na pracinha em frente à igreja de D. Bosco.

QUEM ERA

Heliodoro Balbi era amazonense, nascido a 12 de fevereiro de 1876; formado em Direito pela Faculdade de Pernambuco. Em Manaus, foi professor o de Literatura do velho Ginásio Amazonense, admitido através de concurso, obtendo o primeiro lugar. Dividia suas atividades entre o magistério e o jornalismo. Heliodoro Balbi faleceu no Acre, a 26 de novembro de 1918, mas seus restos mortais foram trasladados para o Cemitério de São João Batista, em Manaus.

Observação: na Lei de 1996, consta Rua “Heliodoro Balbi”, ex-Boa Sorte I, no bairro Tancredo Neves.

(Dados biográficos do livro de Agnello Bittencourt “Dicionário Amazonense de Biografias”).

30
jan

Lé, grande ponteiro esquerdo

   Publicado por Carlos Zamith   em Astros da bola, Atlético Rio Negro Clube

Era magro, boa estatura, chutava forte com a perna esquerda, bom no drible e foi durante muito tempo titular da equipe do Atlético Rio Negro Clube, com uma rápida passagem sem jogar oficialmente, pelo Olímpico Clube e ainda figura obrigatória nas Seleções do Amazonas. No final de carreira, passando da casa dos 30 anos, defendeu o Nacional e foi responsável por uma brilhante vitória num interestadual.

Lé João Chaves Garcia, nascido a 22 de outubro de 1914, mais conhecido como Lé, foi um dos mais completos ponteiros do nosso futebol na época do amadorismo. Um tipo magricela de pernas finas, mas chutava com boa potência. Driblava bem, sempre se derivando para o meio da zaga adversária. Marcou muitos gols vestindo a camisa barriga-preta que tão bem lhe assentava. Teve uma carreira bonita, muito mais num dia em que fez um gol que ficou na história, quando vestia a camisa do Nacional já no ocaso de sua carreira, depois que o seu Rio Negro abandonou o futebol ao terminar o campeonato de 1945.

Três títulos defendendo o Rio Negro. A primeira vez que botou a faixa de campeão, foi em 1938, junto com Yano, Amancio, Facadinha, Valdemar Palhaço, Hildebrando, Meireles e o famoso ataque denominado de “os granadeiros”, com Babá, Bezerra, Cláudio, Benjamim e Lé. Em 1939 perdeu o título numa dramática decisão contra o Nacional, nos celebres quinze minutos jogados no Parque. Voltou a ser campeão em 1940, praticamente com os mesmos companheiros de 1938, apenas incluindo alguns novatos como Luizinho Mão de Grude, Zenith Pimentel e Guilherme.

Defendendo a seleção do Amazonas nos memoráveis jogos contra o Pará, Lé começou em 1938, titular absoluto de um time em que faziam parte, Gutemberg, Tuta, Amancio, Parintins, Ciro, Marcilio, Cloter Gama, Cláudio Coelho, Vidinho e Barrote.
Em 1939, voltou a fazer parte do time amazonense em outra série contra o Pará. Desta feita com Yano, Amancio, Tuta, Parintins, Almir Marques, Pedro Sena, Cláudio Coelho, Adair Marques, Silvio Miranda Corrêa e Osak Soares.

Em 1943, outro título como rionegrino, com Yano, Darcy, Velhinho, Marcilio o paulista Salum Omar, Valdemir Osório, Zenith, Dog e o arrasador ataque formado por Oliveira, o cearense França, Cláudio Coelho, o paraense Silvio e Lé. O Rio Negro seria o legítimo campeão de 1945, mas uma manobra de bastidores tirou-lhe a conquista e por isso o clube abandonou os gramados extinguindo seu departamento de futebol. Seus jogadores tomaram outros rumos, alistaram-se em outras agremiações. Lé foi parar no Nacional, o mais ferrenho rival de seu Rio Negro. Estava na casa dos 33 anos, idade que para um jogador de futebol significa final de carreira. Mas um final feliz e de consagração total. (Foto Lé e Benjamim)
Em maio de 1947, o Moto Clube, do Maranhão veio a Manaus cumprir temporada de quatros jogos seguidos. Naquele tempo era difícil a visita de um time de outro centro pela dificuldade de transporte e algumas vezes pelo cachê exigido.

O time maranhense, desconhecido do torcedor amazonense, abafou nas primeiras apresentações, aplicando duas goleadas; 5 a 2 no Tijuca e 5 a  1, no Olímpico.
O jogo seguinte contra o Nacional. O Parque Amazonense, numa tarde de domingo, apanhou um publico numeroso. O juiz era o ex-comandante de ataque do Olímpico, Sálvio Miranda Corrêa, um jovem da sociedade, filho do dono da fábrica de Cerveja XPTO.

Para se ter uma idéia do público presente, no jogo contra o Olímpico a renda foi de 30 mil cruzeiros; contra o Tijuca, 27 mil e contra o Nacional, chegou a 45 mil cruzeiros. O público nunca era anunciado.

Lé e BenjamimO Moto Clube formou com Ruy, Santiago e Carapuça; Sandovalzinho, Frázio (Dagmar) e Pretinho; Mosquito (Jesus), Valentin, Galego, Zuza e Jaime. Um time de jogadores de boa categoria técnica e já profissional com um futebol que enchia os olhos do torcedor pelo bom toque de bola. Eram destaques do time maranhense, o goleiro Ruy, os zagueiros Santiago e Carapuça, Sandovalzinho, Valentim, Zuza e o paraense Jaime.

O Nacional estava com Mota, Lupercio e Darcy; Hélcio Sena, Caveira e Trinta e Um depois Júlio; Oliveira, Paulo Onety, Marcos Gonçalves (Elizeu), Raspada e Lé.

O jogo estava com o marcador igual em 2 a 2, no segundo tempo. Galego e Zuza marcaram para os visitantes. Marcos Gonçalves e Oliveira, para o Nacional, que atacava para o gol que dava para o Beco do Macedo.

O herói do jogo foi o ponteiro Lé, marcando o gol da vitória do Nacional em jogada característica de suas grandes jornadas. Pegou a bola pela esquerda e tomou o caminho do miolo do ataque para vencer, de forma inapelável, o baixinho goleiro Ruy. Pouco depois o jogo terminou. A torcida, como sempre acontecia em momentos de euforia, entrou em campo e carregou o magricela Lé, o grande herói da inesquecível jornada.
Era o último ano de Lé defendendo times da primeira divisão, mas nunca abandonou o futebol.

Chegou a trabalhar como auxiliar de arbitragem, na época do “juiz de gol”, um auxiliar que ficava encostado às metas para tirar qualquer dúvida e transferi-la para o árbitro central.
Foi até dono de um time suburbano, o Canto do Rio, que jogava quase sempre na Escola Técnica. Funcionário da Policia Civil, emprego que ganhou com o futebol, Lé teve um triste fim: suicidou-se no dia 21 de agosto de 1957, aos 43 anos de idade, em razão de alguns problemas familiares, com a própria arma que usava como policial.

Seu corpo está num bem cuidado mausoléu no Cemitério de São João Batista.

28
jan

Nêgo, do Fast

   Publicado por Carlos Zamith   em Astros da bola, Fast Clube

Nêgo do Fast 1960Na década de 50, muitos torcedores iam futebol quando o Fast jogava, não só para ver o seu time preferido, como para assistir ao espetáculo de um de seus defensores que, além de jogar um bom futebol, era também um grande torcedor dentro de campo.

Os mais antigos devem estar lembrados de um lateral esquerdo, de cor escura, vindo do interior do Estado e que tinha o apelido de Nêgo. A torcida, mesmo a adversária gostava dele, do seu futebol alegre, do seu jeito sempre risonho, incapaz de atingir qualquer colega de profissão.

O torcedor se divertia ainda mais quando ele se danava a torcer com muita vibração dentro de campo. Se o seu time estivesse atacando, lá atrás o Nêgo chutava o vento e pulava quando o atacante dava uma impulsão para alcançar a bola, sempre com o braço esquerdo levantado e a munheca caída à altura da cintura. Chegava a fazer movimentos de goleiro na ocasião em que o adversário agarrava a bola. Muitos torcedores chegavam a abandonar o jogo só para ver as peripécias do Nêgo, tudo feito com a maior naturalidade deste mundo, a ponto de ser, também, observado pelos seus próprios companheiros de equipe.

Assim era o Francisco Ferreira Lima (Nêgo), nascido no município amazonense de Benjamim Constant a 17 de junho de 1925, onde começou a brincar com a bola. Pelo time de seu município, chegou a jogar na cidade de Iquitos e participou, ainda, da Cruzada, de Letícia quando não tinha compromisso em Benjamim Constant. Tudo isso aconteceu quando estava na faixa de 16 a 20 anos de idade.

Em junho de 1948, atendendo a um convite do cidadão Alberi, comprador de madeira da Serraria Rodolpho, de Manaus, Nêgo aqui chegou para jogar no Rio Negro, mas o Alberi não sabia que o futebol dessa agremiação havia sido extinto. Nêgo ficou meio sem rumo, mas o seu “padrinho” deu-lhe casa e comida enquanto não se resolvia o seu problema.  Um dia Nêgo foi apresentado ao técnico João Liberal pelo próprio Alberi. Fez um treino no dia 18 de junho de 1948 e logo assinou compromisso, estreando nove dias depois contra o Nacional que há dez anos não perdia para o Fast. Nêgo foi feliz, pois o Fast venceu por 2×1 e ele marcou o primeiro gol de seu time, enquanto Paulo Onety fez o outro.

 O pequenino Rui (já falecido) era o ponteiro esquerdo titular do Fast e seria marcado pelo zagueiro Caçador, um jogador de bom porte físico e acima de tudo um carrasco dentro de campo, temido por quase todos os atacantes da época. Falaram que Rui tinha medo do Caçador e por isso ele não apareceu para jogar. Diante disso, o técnico Liberal deu a camisa onze para Nêgo jogar como ponta, enquanto Dedé era deslocado para a lateral, entrando Canhão na zaga central.

O Fast foi bicampeão da cidade, 1948-1949 e Nêgo era titular absoluto, voltando a conquistar outro título em 1955. No ano seguinte, admitido como funcionário do Basa e com a determinação de servir em Benjamim Constant lá se foi ele deixando o seu Fast, mas em 1960 estava de volta a Manaus, ganhando a posição de titular novamente, pois sempre esteve em atividade em sua terra para manter a forma. Voltou para ser mais uma vez campeão com a camisa do Fast, largando o futebol, já com 35 anos de idade.

Andou pelo interior a serviço do Banco e aproveitou para tornar-se treinador do Nacional, de Parintins, pelo qual foi bicampeão. Treinou ainda o Náutico, de Itacoatiara.  Aposentado desde 1988, Nêgo andou sumido, pois tinha um pequeno comércio na cidade de Manacapurú, mas liquidou tudo e veio morar em Manaus.

26
jan

Fique sabendo…

   Publicado por Carlos Zamith   em Sem categoria

Iarley… que o novo reforço do Corinthians, para o campeonato paulista deste ano, é o jogador Iarley, que na temporada passada defendeu o Goiás, já jogou em Manaus. Com ele vieram Dorgival e Alysson.

Atuou pelo Nacional estreando contra o São Raimundo, em 14-02-1998, resultado de 1 a 1. Jogou até 20-09-1998, contra o Vênus, pelo Campeonato Brasileiro com vitória de 5 x 0. Na temporada em que defendeu o Nacional marcou 8 gols.

Ele foi Campeão Mundial pelo Internacional (RG) em 2006/07. Em 2008-2009 atuou pelo Goiás.

Pedro IARLEY Lima Dantas, nasceu em Quixeramobim-(CE).

A MAIOR GOLEADA

Chicão Sul América… que a maior goleada registrada ano futebol de 16 a 0, no campo da Colina, no dia 7 de junho de 1959 Manaus, aconteceu há mais de 40 anos. O Sul América, ainda no regime amador, derrotou o time do Guarani por.

O Guarani havia subido à primeira divisão nessa temporada e voltou à Segunda  logo a seguir porque não conseguiu classificar-se na primeira fase.

Sul América, time da goleada: Wilson, Almir Macarrão e Amor; Zamundo, Sula e Carrapeta; Assis, Chicão, Milton Prudente, Evilázio e Azedo.

Nesse jogo, o avante Chicão (foto) marcou 7.

ARMANDO MARQUES

ArmandoMarques… que o consagrado árbitro brasileiro, Armando Marques, nos primeiros anos da Federação Amazonense de Futebol (FAF), apitou um jogo pelo Campeonato Amazonense. O jogo era entre Nacional x São Raimundo, na Colina, dia 04-9-1968, resultado de 1 a 1. Zezé para o Nacional e Airton, para o São Raimundo, com 10.538 pagantes.

Nacional: Marialvo, Pedro Hamilton, Jonas, Berto e Téo; Mário Motorzinho e Rolinha; Zezé, Rangel, Pretinho e Almir.

São Raimundo: Valdir Melo, Hamilton, Valdir Santos e Zézinho; Jaime Basílio (Santos) e Itagiba (Melo); Augusto, Aírton, Santarém e Amiraldo.

Arnaldo cesar coelhoARNALDO CÉSAR

Nesse mesmo ano outros árbitros, principalmente do Rio e de São Paulo, apitaram em Manaus, como Arnaldo César Coelho, (foto) que dirigiu Nacional 2 x Fast 0, em 29-09-68, José Aldo Pereira, Amílcar Ferreira, Gualter Portela Filho, José Astolfi, Geraldinho César, Carlos Floriano Vidal, Carlos Costa, Mário Vinhas e Antônio Viug.

23
jan

Zamundo, a mola propulsora

   Publicado por Carlos Zamith   em Astros da bola, Sul-América Esporte Clube

Numa tarde de domingo, no campo do Parque Amazonense, mês de junho de 1956, jogavam Nacional e Sul América pelo campeonato oficial. Era um jogo que despertava a atenção do torcedor pela bela campanha dos dois times e que por isso compareceu em bom número ao Estádio, predominando, é claro, a do Nacional.

Nesse dia a Rádio Rio-Mar, recem-inaugurada, colocava sua equipe esportiva para a transmissão do encontro, com uma dupla de jovens principiantes: João Lins e Luís Verçosa, ambos ex-atletas do esporte de quadra do Rio Negro. Luís Verçosa transmitia o jogo do lado da arquibancada, num reservado conhecido como “pombal da imprensa” e, quando um jogador se apoderava da bola, com ênfase ele dizia: “lá vai a mola propulsora do Sul América”, referindo-se ao jogador Zamundo que estava começando no time titular do “Trem da Colina”, como meia armador de bom controle de bola, muito fôlego, sempre defendendo e atacando com a mesma eficiência.

Nesse dia Zamundo foi considerado pela emissora, cujo prefixo era ZYB-20, como o melhor jogador em campo, embora a vitória tenha favorecido ao Nacional pôr 2 a 1, gol de Dadá e Português, enquanto Alemãozinho fez o tento do Sul América formado com Sandoval, Aurélio e Reinaldo; Sula, Artur Tribuzzi, e Carrapeta; Alemão, Zamundo, Ney, Evilásio e Tota.

Valter Reategui, um sargento do Exército (já falecido) que residia no bairro de São Raimundo, foi o mediador desse jogo.

Raimundo Pimenta, o Zamundo, até hoje não sabe como surgiu esse apelido. Acha que foi nas peladas do campinho do bairro da Glória, na época de Fredoca, Sula, Carrapeta, Tota e Assis.
 
Nascido no próprio bairro de São Raimundo, numa casa da Rua 5 de Setembro, Zamundo começou nos juvenis do Sul América e logo foi promovido a titular. Jogou quase oito anos no Sul América. Fez parte do time que derrotou o Guarani por 16 a 0, pelo campeonato de 1959, no campo da Colina, um escore até hoje imbatível. Em 1963 teve que parar em conseqüência de uma contusão muito forte, mas voltou aos gramados no ano seguinte com a camisa do São Raimundo e jogou até 1966 ajudando-o a ser campeão da cidade embora com apenas duas participações durante a campanha que só terminou em 1967. Depois disso parou, dedicando-se somente às peladas nos finais de semana.

Por duas vezes Zamundo formou na Seleção do Amazonas. Em 1960 em jogos contra o Pará. Perdeu de 3 a 1 em Belém e de 3 a 2 em Manaus, num time que jogavam:
Simões, Jaime Costa e Gatinho; Zamundo, Basilio e Orlando Mineiro; Tucupí, Dermilson, Gordinho, Hugo e Horácio. Em 1962 novamente convocado, jogou contra o Maranhão. Perdeu as duas partidas. No Parque pôr 3 a 1 e em São Luís, pôr 4 a 1. Nesse ano a Seleção jogava com Pedro Brasil, Boanerges e Valdir Lima; Zamundo, Sula e Vanderlann; Aírton, Tomas, Santarém, Dermilson e Hugo.

Zamundo teve várias participações com a camisa do Auto Esporte na década de 50, sempre requisitado para reforçar o time em jogos interestaduais. Funcionário aposentado da Prefeitura, como magarefe, ainda trabalhou na mesma profissão para melhorar os proventos.

Casado, pai de três filhos, um deles homem, mora ainda no bairro onde nasceu. Vive modestamente, numa árdua luta para sobreviver, mas nunca se queixa de nada, mesmo estando em dificuldades.

Zamundo e Sula
Na foto: Zamundo (Sul América) e Sula (Nacional), em 1967.

21
jan

Amiraldo

   Publicado por Carlos Zamith   em Astros da bola

Jogador de bom toque de bola, sóbrio, consciente, taticamente disciplinado, utilizando com mais freqüência à perna esquerda, veio para Manaus nos primeiros anos da FAF, quando o nosso futebol fervilhava com boas arrecadações, público enchendo os estádios do Parque e da Colina e os clubes contratando jogadores de outros centros. Veio e por aqui ficou. Deu duro para sobreviver depois de arquivar as chuteiras. Batalhou e venceu como operário em construções. Casou, criou o seu lar e não teve tempo nem de participar de algumas peladas nos finais de semana.

Amiraldo, no AméricaAmiraldo Tavares Batista, nascido na cidade paraense de São Sebastião da Boa Vista a 21 de junho de 1938, como todo garoto começou a bater boa em campinhos de barro. Em 1958, com 20 anos, estava em Macapá jogando pelo time do Latitude Zero e chegou a ser convocado para a Seleção local que disputaria o Campeonato Brasileiro, mas como teve que viajar com a família para Belém do Pará, perdeu a chance. Durante sua permanência na capital paraense, aproveitou e fez testes no time da Tuna Luso, cujo técnico era Nagib Matine, mas sentiu que estava sendo colocado de lado pelos outros jogadores e resolveu voltar à sua terra natal, quando apareceu um convite para defender o Nacional, de Parintins, já em 1960.

O time parintinense pertencia ao político Carlos Esteves e no ano seguinte ganhava o titulo de campeão. Desfrutando de boa regalia no Nacional, mesmo assim não foi capaz de  rejeitar uma proposta para jogar no Mariano, time da cidade paraense de Óbidos, onde ficou por três anos. Um dia, porém, o Mariano foi jogar na cidade de Santarém, contra o América local. O Presidente do São Raimundo, de Parintins apareceu por lá e fez-lhe uma boa proposta: hotel com refeições e crédito na praça, além de ordenado. Ficou em Parintins três anos. Era a sua melhor fase no futebol, sempre cercado do carinho da torcida e dos dirigentes e o título de bicampeão, 1963 e 1964. Como parte do prêmio pela conquista, uma temporada em Manaus, aliás, não bem sucedida, pois venceu o Nacional, de Manaus, por 3 a 2, no Parque, mas perdeu em seguida para o São Raimundo pelo alto escore de 5 a 1, para depois empatar com o Fast em 0 a 0. No seu time tinham jogadores como Pedro Nazaré, Piraci, Miléo, Truira, Javali, Mazinho, Inacinho, Vavá e Afonso.

Em 1967, Amiraldo estava em férias na cidade paraense de Alenquer, quando por lá apareceu o diretor do Sul América, Nonato dos Santos, que o convidou para jogar em Manaus. Aceitou e veio, ganhando casa, comida e alguns trocados de acordo com a renda do jogo. Era uma época em que jogavam Miramar, Hamilton, Torbes, Botica e outros, mas no ano seguinte, o São Raimundo ofereceu-lhe melhores condições e não teve dúvida em mudar de camisa. Defendeu o clube do saudoso Ismael Benigno em 1968, formando no timaço com Valdir Melo, Paulinho, Valdir Santos, Melo, Aírton, Santarém, Almir, Itajiba e por aí afora. Nessa temporada o São Raimundo foi  vicecampeão, ao lado do Fast e do Rio Negro.

Em 1969, com 31 anos, transferiu-se para o América, onde jogou durante cinco anos, na mesma condição oferecida pelo  Sul América:- casa, comida e um percentual de acordo com a arrecadação dos seus jogos. O dinheiro era pouco. Só melhorava quando o jogo era contra o Nacional. Amiraldo parou depois de um jogo contra a Rodoviária, no dia 9 de maio de 1973, no “Vivaldo Lima”. Seu time perdeu por 2×0.

Ao encerrar a carreira, voltou a profissão construtor que aprendeu em Macapá. Casou com uma antiga moradora do bairro de São Raimundo por aqui ficou e, com a mesma tranqüilidade com que jogava seu belo futebol, vai levando a vida como ela é.

17
jan

Os Onety

   Publicado por Carlos Zamith   em Astros da bola, Fast Clube, Nacional Futebol Clube

Os Onety: Paulo, Luis e Benjamin

PAULO DE OLIVEIRA ONETY, nascido a 6 de fevereiro de 1924, veio jogar futebol em Manaus ainda garoto, em 1940, alistando-se no Rio Negro a chamado de seu irmão Benjamim, mas ficou pouco tempo, voltando a sua terra natal, Itacoatiara. No ano seguinte, atendendo a convite de outro seu irmão, Luís, veio defender o Nacional e tornou-se um dos grandes ídolos, pelo seu futebol refinado e grande goleador. No Naça foi campeão em 1941, 42,45 e 1946. Atuou também muito tempo pelo Fast pelo qual foi campeão em 1948, 1949 e 1955 onde encerrou a longa carreira, Jogou em várias seleções do Amazonas, laureado com recorde de 8 gols numa só partida, contra o antigo Território do Guaporé, pelo Campeonato Brasileiro de Seleções. Ainda teve uma rápida passagem pela Tuna, de Belém. Funcionário aposentado do BASA era contador, faleceu a 2 de agosto de 1991, aos 67 anos.

LUIS DE OLVEIRA ONETY, nascido em Itacoatiara a 3 de março de 1922, chegou a Manaus em 1938, para defender o Fast. Depois se transferiu para o Nacional, sendo bicampeão em 1941/42. Jogava muito bem de zagueiro central. Embora de porte físico frágil, era seguro e ditava classe. Foi campeão do Norte jogando na seleção do Amazonas em 1942. Cedo voltou a Itacoatiara para exercer cargo público, de Coletor de Rendas após ser aprovado em concurso. Foi político em seu município e faleceu a 14 de janeiro de 1965.

BENJAMIM DE OLIVEIRA ONETY, também nascido em Itacoatiara a 25 de junho de 1918 onde começou a jogar futebol, no Botafogo local veio para o Rio Negro em 1936. Era um meia armador de boa categoria. Franzino, mas com muita habilidade. Sabia como ninguém dar passes de calcanhar e formou a célebre linha de ataque denominada de “os granadeiros” em 1938, com Babá, Bezerra, Cláudio, Benjamim Lé. Campeão de 1938 e 1940. Depois defendeu o Nacional juntando-se aos seus irmãos Paulo e Luís sagrando-se bicampeão, 1941/42. Aposentado como funcionário do Deram, faleceu em meados de 1968, aos 70 anos.

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