Rio Negro 0 x 0 Nacional

Sete dias após o recorde de público no campo do Parque Amazonense, o estádio “Ismael Benigno”, na Colina, também registrava outro recorde de pagantes, no jogo pela Taça Amazonas dia 27 de abril de 1969, entre Rio Negro e Nacional, resultado de 0 a 0 que ensejou ao Nacional disputar o título com o Fast Clube, três dias depois.
Não se sabe como, mas a verdade é que foram vendidos 23.152 ingressos. É claro que muita gente voltou para casa, mesmo com o ingresso na mão, porque não havia condições para entrar no estádio.
Foi, talvez, a primeira vez que a imprensa esportiva se admirou com o montante da arrecadação anunciada, minutos antes do término da partida, pelo tesoureiro da entidade Carlos Zamith.
Recorda-se que entre os cronistas havia sempre os que davam palpites sobre a renda antes de se iniciar o espetáculo e nesse dia o que mais se aproximou foi o falecido Rômulo Gomes, que na época cobria o jogo pela Radio Difusora. Seu palpite foi de 48 mil cruzeiros, o que mais chegou perto dos 51.856 cruzeiros arrecadados.
Obs.: O número de público pagante de cada jogo passou a ser divulgado somente quando a FAF passou a comandar o nosso futebol, em 1966.
BOLETIM FINANCEIRO
18.820 gerais a 2,20 41.404,00
3.652 crianças a 1,00 3.652,00
680 cadeiras a l0,00 6.800,00
23.152 pagantes. Renda 51.856,00
Obs.: Não houve venda de ingressos para o setor de arquibancada, porque dias antes do jogo um forte temporal levou toda a sua cobertura, recen-reconstruída.
Local: Estádio “Ismael Benigno”.
Juiz: Emílio Marques Mesquita (SP).
Auxiliares: Manuel Luís Bastos e Rosquilde Serra, locais.
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RIO NEGRO: Clovis, Edmilson Paraíba, Maravilha, Valter e Chicute; Xerém e Ademir (Jorge Luís); Rubens, Carlos Alberto (Nando), Santos e Anizio.
Obs.: Vieram de fora, Edmilson (Paraíba), Maravilha e Santos (Pará), Xerém, Nando Carlos Alberto e Anízio (cariocas), Ademir (Pernambuco),
NACIONAL: Marialvo, Pedro Hamilton, Sula, Valdomiro e Téo; Mário Vieira e Rolinha (Bell); Zezé, Rangel (Márcio Mineiro que fazia a sua estréia em Manaus), Pretinho e Pepeta.
Obs.: Vieram de fora, Pedro Hamilton (Pará), Mário Vieira (carioca), Zezé (Amapá), Rangel (carioca) e Márcio (Minas).


Cinco títulos seguidos como titular de um time de futebol não é qualquer um que consegue tal façanha que ficou por conta de um dos grandes goleiros do Amazonas nas décadas de 40 e 50. Foi no amadorismo, quando o futebol amazonense nem sonhava em se profissionalizar. Numa época em que os clubes caminhavam sem qualquer estrutura, sem departamento médico e até sem massagista, cujo trabalho quase sempre era entregue a um desses fanáticos torcedores, sem qualificação para a função.
Sandoval transferiu-se para o futebol do Pará, mas sua permanência por lá foi rápida. Voltou e alistou-se no Nacional para ser campeão invicto em 1950, substituindo Vicente que até então vinha sendo o titular. Campeão com Mário Matos e Lupercio; Hélcio Sena, Gato (Caçador) e Antonino (Gioia); Cabral, Hélcio Peixoto, Luciano, Raspada e Linhares. (Na foto ao lado, num jogo do América em 1952, no Parque. Á direita o zagueiro Darcy).
Terminado o campeonato de 1954, já quase na metade do ano de 1955, o time do América foi praticamente desfeito. Cláudio Coelho transferiu-se para o Auto Esporte que ia disputar o campeonato da primeira divisão e com ele foram quase todos os jogadores do América, mas Sandoval preferiu tomar o caminho da Colina, ingressando no Sul América, no tempo de Reinaldo, Sula, Carrapeta, Aurélio, Alemãozinho, Zamundo, Ney, Evilásio e Tota, além de Artur Tribuzi, Teodoro, Moacir e do saudoso Hélcio Sena. (Na foto de 1995, Nonato, Sandoval e Moacir).
Jogar na seleção é a meta de qualquer jogador de futebol. Sandoval foi um dos selecionáveis de 1949 a 1954 como titular. Jogou Pará, Cuiabá e Goiás. Sua última convocação deu-se em 1956, como reserva de Marcos Marinho, sem jogar nenhuma das duas partidas. O Amazonas perdeu para o Pará por 7×0.

Nacional x São Paulo, no Campeonato da CBF, já se enfrentaram seis vezes com cincos empates e apenas uma vitória do time paulista. Duas vezes o Nacional jogou no campo do adversário, no Morumbi e de lá saiu com dois honrosos empates. Em todos os jogos os escores foram apertados: três empates de 1×1, um de 2×2, outro de 0×0 e uma vitória do São Paulo, no Vivaldo Lima, por 1×0. Nos seis jogos, o São Paulo marcou sete gols e o Nacional seis.
DECEPÇÃO
Um louco do volante, desses que andam por aí impunes tirando a vida do ser humano, matou o Aírton, um antigo jogador, que brilhou no Rio Negro e no São Raimundo. Um atleta que fez a sua história no nosso futebol, pelos gols que marcou com sua incrível impulsão.
Aírton se entendia muito bem com o Thomaz que atuava quase sempre entre os zagueiros. Os dois faziam tabelas rápidas e, nos cruzamentos do ponteiro Horácio, sempre Aírton estava presente, saltando mais alto que os defenso-res, a despeito de sua mediana estatura. Era um exímio cabeceador. O Rio Negro marcou 46 gols no campeonato de 1963 e a dupla Aírton-Thomaz contribuiu com 20. Em 1964, Aírton recebeu boa proposta do São Raimun-do, na época presidido por Ismael Benigno. Na Colina passou a melhor fase de sua carreira, formando este ataque (de cinco) arrasador: Melo, Aírton, Santarém, Almir e Vadinho. Voltou a ser campeão em 1966 pelo seu novo time. Ficou no São Raimundo até o final do campeonato