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24
abr

Festa da Luz, na Colina

   Posted by: Carlos Zamith

O São Raimundo Esporte Clube, na gestão do presidente Ismael Benigno, inaugurou os refletores do seu estádio no dia 18 de fevereiro de 1967. No futebol amazonense há muito não se jogava à noite. No tempo do velho Parque Amazonense, na década de 40, existiam refletores, mas a iluminação era deficiente. Assim mesmo foram realizados jogos noturnos pelo campeonato local e até jogos interestaduais, mas o visitante sempre saia de campo reclamando da iluminação.

Na Festa da Luz um amistoso entre São Raimundo e Nacional foi programado. A Iluminação era boa, embora com alguns detalhes prejudiciais na posição dos refletores, depois ajustados.

Por outro lado, a “Festa”, financeiramente ficou longe do esperado, pois uma forte chuva desabou sobre a cidade a partir das 16 horas e só parou às 19 horas, prejudicando a presença do torcedor em maior número.

Apenas 4.386 pagantes. O Nacional venceu o jogo por 3 a 1. No primeiro tempo já vencia por 2 a 0, gols de Antônio Piola aos 23, cobrando falta e de seu irmão Edson Piola, aos 28. No tempo final, Pepeta marcou aos 27 e Fredoca descontou para o São Raimundo, de penal, aos 35.

NACIONALZé Carlos, Antônio Piola, Russo, Sula (Zequinha Piola) e Téo (Jonas); Rômulo e Holanda (Dermilson); Normando, Pretinho (Luizinho), Edson Piola e Euklinger (Pepeta).

SÃO RAIMUNDOWaldir Melo (Orlandino com 2 a 0 no marcador), Zamundo (Orlando Saraiva), Paulinho, Waldir Santos e Zezinho; Itagiba (Zamundo) e Nonato; Melo, Fredoca, Santarém e Chevrolet.

Estádio da Colina
O nome do estádio é uma homenagem ao antigo presidente Ismael Benigno
que dedicou a vida ao clube, ganhou um nome mais popular “Colina”,
pelo fato de situar-se no alto de uma colina natural
que divide os bairros de São Raimundo, Santo Antônio e Glória.

PRIMEIRO JOGO

O primeiro jogo noturno de campeonato disputado no estádio “Ismael Benigno” aconteceu três dias após a “Festa da Luz”. A FAF, que obedecia a orientação de Flaviano Limongi, marcou para uma terça-feira o jogo entre Rio Negro x Sul América, valendo pelo turno do campeonato de 1966, que estava atrasado.

O público foi de 2.445 pagantes e até que aplaudiu a vitória do Rio Negro por 3 a 1, com a estréia do meio de campo “importado” Moacir, que só participou de três jogos, sem nada mostrar e por isso foi logo embora.

O Rio Negro marcou aos 33 minutos, através do pernambucano Ademir e aos 38, Sabá Burro Preto aumentou. No segundo tempo, novamente Sabá Burro Preto, aos 4, ampliou para três. Aos 28, o paraense Hamilton marcou o ponto de honra do Sul América que teve o seu quarto zagueiro, Rato, expulso de campo aos 20, do 2º tempo. O jogo foi apitado por Carlos Amato, auxiliado por Dorval Medeiros e Pereira Serra.

RIO NEGROClovis, Valdér, Edson Ângelo, Catita e Antero Marta Rocha; Jaime Basílio e Ademir; Rubens (Moacir), Sabá, Cândido e Edson Marques.

Nesse time, além de Moacir, dois outros “importados” do futebol pernambucano: Ademir e Edson Ângelo. O primeiro foi embora depois de rápida passagem pelo Olímpico enquanto Edson ficou em Manaus, tornando-se treinador.

SUL AMÉRICADias, Armando, Aderson, Rato e Bebé; João Lucena e Augusto; Nonato, Ofir, Nóia e Hamilton.

 

17
fev

Aírton – o indiozinho

   Posted by: Carlos Zamith

Airton e Orlandino, numa disputa aerea pela Taça Amazonas. São Raimundo 1 e Olimpico 1, em 26/01/1969.Um louco do volante, desses que andam por aí impunes tirando a vida do ser humano, matou o Aírton, um antigo jogador, que brilhou no Rio Negro e no São Raimundo. Um atleta que fez a sua história no nosso futebol, pelos gols que marcou com sua incrível impulsão. 
 
Revelado pelo futebol de Parintins, ele veio para Manaus juntamente com um outro conterrâneo e formaram uma dupla de área de boas tabelinhas. Aqui fez o seu cartaz de bom goleador, especialista nas bolas pelo alto. Ganhou até o apelido de O Indiozinho de Parintins, dado pelo saudoso narrador esportivo Carlos Carvalho. Campeão duas vezes na década de 60 e infernizou a vida de muitos goleiros pelos seus inesperados gols cabeça.

José Aírton Nunes, nascido a 3 de setembro de 1939, em Parintins, chegou a Manaus quando o Rio Negro estava voltando aos gramados, no tempo de Josué Pai. Seu companheiro do futebol, Thomaz, também conhecido por Passa-Fome, veio depois. Estrearam na equipe rionegrina em dezembro desse ano, já no segundo turno do campeonato, contra o Sul América. Estréia vitoriosa, pois o seu time venceu por goleada: 6 a 1. O barriga-preta jogava com Chicão, Bolôlô e Mário; Fernando, Catita e Eudóxio; Horácio, Aírton, Thomaz, Dermilson e Orlando Rebelo. Foi campeão da temporada de 1962, numa empolgante decisiva contra o Nacional, num jogo em que Lacinha, do Naça, foi expulso e substituído.

Nesse mesmo ano jogou pela Seleção do Amazonas, pelo Campeonato Brasileiro, contra os Territórios e o Maranhão.

Airton,  São Raimundo (1968)Aírton se entendia muito bem com o Thomaz que atuava quase sempre entre os zagueiros. Os dois faziam tabelas rápidas e, nos cruzamentos do ponteiro Horácio, sempre Aírton estava presente, saltando mais alto que os defenso-res, a despeito de sua mediana estatura. Era um exímio cabeceador. O Rio Negro marcou 46 gols no campeonato de 1963 e a dupla Aírton-Thomaz contribuiu com 20. Em 1964, Aírton recebeu boa proposta do São Raimun-do, na época presidido por Ismael Benigno. Na Colina passou a melhor fase de sua carreira, formando este ataque (de cinco) arrasador: Melo, Aírton, Santarém, Almir e Vadinho. Voltou a ser campeão em 1966 pelo seu novo time. Ficou no São Raimundo até o final do campeonato 
 
Em 1967 foi contratado pelo Olympico, que voltava ao futebol. Fez poucas partidas, mas o seu nome figura entre os campeões da temporada. O São Raimundo, porém, vivia na sua cabeça. Muito ligado ao grande goleador Santarém, não demorou em voltar ao ninho antigo. Jogou ainda as temporadas de 1968, 1969 e 1970, no São Raimundo. Em 1971, atravessou a rua e foi vestir a camisa do Sul América. Fez seis jogos pelo primeiro turno. O Sul América não conseguiu classificar-se para a fase final e ficou de fora do campeonato. Aírton decidiu parar ainda com idade que dava para jogar mais uns três anos. Vice-artilheiro do campeonato de 1964, pelo São Raimundo, com 12 gols. Seu companheiro Santarém ficou em primeiro, com 13. Na temporada de 1966, terceiro colocado na artilharia, com cinco gols. Em 1968, foi artilheiro, ainda pelo São Raimundo, com seis gols. A vida de Aírton foi ceifada de modo brutal. Ao cair da noite de um domingo, 07 de abril de 1996, após uma visita à residência de familiares, caminhava tranqüi-lo pela Estrada dos Franceses, quando foi apanhado violentamente, por trás, por um veículo conduzido por um irresponsável. Ainda chegou a ser levado para o Hospital Getúlio Vargas, mas sem chance alguma. Morreu três horas após o atropelamento.

10
jan

Santarém, um ídolo da Colina

   Posted by: Carlos Zamith

Um dos maiores ídolos do São Raimundo. Artilheiro em várias temporadas, foi campeão, criou raízes no bairro que emprestou o nome ao seu time, jogou na Seleção, tornou-se benemérito do clube e ainda hoje é lembrado como um autêntico sanraimundense, embora no final de carreira tenha passado por outras agremiações.

Santarém no São RaimundoNilo Pereira Maranhão (Santarém), nasceu a 8 de outubro de 1938, na cidade paraense de Santarém. Lá mesmo começou sua carreira de futebolista atuando pelo Estrela do Norte Futebol Clube, transferindo-se mais tarde para o São Francisco pelo qual foi campeão em 1956. Veio para Manaus trazido pelo seu tio, Álvaro Maranhão, ex-jogador de vários clubes locais e, na época, árbitro dos quadros da Federação.

Santarém inscreveu-se no São Raimundo E.C. juntamente com o meia armador Edson, considerado o melhor jogador de futebol daquele município, ainda no amadorismo, em 1957. Edson ficou pouco tempo na Colina. Foi para Belém e lá brilhou defendendo as cores do Clube do Remo: Santarém foi ficando por aqui, ganhou cartaz pelos gols que marcava e pela dedicação ao clube, tornando-se ídolo da torcida em pouco tempo. No início jogou ao lado de Zezé, Jaime Rebelo, Orlando Mineiro, Carlos Genésio, Zé do Banjo, Didi, Beleleu, Nozor, Mazinho e Cristóvão.

PRIMEIRO TÍTULO

Em 1961 conquistou seu primeiro título pelo São Raimundo, numa competição disputada em três turnos. Um supercampeonato de muita luta muito suor ao lado de Valdir Melo, Sales e Antônio Carlos; Coelhinho, Chicó e Tiririca; Cristóvão, Álvaro (Didi), Santarém, Almir e Vadinho, além de Dídimo, Peguei-te, Rui e Nelson Mucura.
Artilheiro nato, Santarém era mestre no aproveitamento das jogadas de lançamentos longos. Ganhava os zagueiros na corrida. Bom chute, pernas longas, determinação e, acima de tudo disciplinado. Em muitos jogos foi o dono do espetáculo com gols incríveis.

Em 1958 figurou entre os primeiros artilheiros do campeonato com 5 gols; em 1959 marcou 11 gols; em 1960, foi o vice-goleador com 10 tentos; em 1961, vice artilheiro com 8 gols; em 1962, novamente vice com 7; em 1963, terceiro lugar com l2 gols; em 1964, principal goleador do campeonato com 13 gols; em 1965 só marcou 5 gols; em 1966 novamente vice-artilheiro, com 6 gols; em 1967, 3 gols; em 1968 voltou a ser vice artilheiro 6, num campeonato muito escasso de gols; em 1969 marcou quatro. Andou amargando o banco em 1969 porque perdeu a posição de titular para o “importado” Mário, mas deu a volta por cima e ainda foi o melhor goleador de seu time na mesma temporada, com 4 gols; em 1970 marcou  3 gols e um na Taça Amazonas.

Finalmente, em 1972, atuando pelo Rio Negro foi um dos principais artilheiros do campeonato, marcando 6 gols, no campeonato juntamente com Valmir Coutinho, do Nacional e Rolinha, do São Raimundo e 2 na Taça Amazonas.

Andou um tanto sumido dos jogos na temporada de 1970, mas no ano seguinte jogou pela Seleção do Amazonas que venceu a do Pará, no Estádio “Vivaldo Lima”, por 7×1 e marcou dois belos tentos e por isso foi chamado pelo Rio Negro para disputar o campeonato de 1972. Fez sua estréia vestindo a camisa barriga-preta, contra o América e logo aos 4 minutos de jogo deixou a sua marca numa vitória de 3 a 0 do Rio Negro que jogava com: Carlos Henrique, Dirlei, Valter, Manuel e Vanderlei; João Pereira e Adamastor (Parada); Garcia, Anizio, Santarém e Ever (Carioca).

Nesse campeonato, num jogo contra a Rodoviária, teve uma atuação de grande destaque, marcando os dois gols da vitória rionegrina no espaço de dois minutos. Aliás, gol relâmpago era com ele.

8
jan

Valdir Santos

   Posted by: Carlos Zamith

Um jogador que esbanjava tranqüilidade, boa técnica, responsável, caladão e que teve uma passagem muito boa pelo futebol do Amazonas. Filho de ex-jogador da década de 30, o Edgar mais conhecido pôr Edgar Elefante, durão nas jogadas divididas e que por isso marcou, também, sua passagem, jogando pelo Cruzeiro do Sul ou pela União Esportiva Portuguesa, no tempo de Aguinaldo, Beleza, Tácito Moura, Dico, Paixão, Sabá e outros.

O filho é Valdir Santos, que teve o Santos acrescentado no tempo em que defendeu o São Raimundo por causa do Valdir, o goleiro que passou a ser Valdir Melo, a fim de facilitar a identificação nas transmissões esportivas pelas emissoras de rádio.

Basílio e Valdir Santos no São RaimundoValdir Santos (na foto Basílio e Valdir Santos no São Raimundo – 1966) nasceu em Manaus a 3 de janeiro de 1943 e muito cedo começou a tocar na bola. O juvenil do Clipper , da Visconde de Porto Alegre foi seu primeiro clube da Federação, que na época disputava o campeonato da segunda categoria, em 1957. Tinha 14 anos. No ano seguinte, por insistência de sua irmã Alice, uma ferrenha torcedora do Auto Esporte, trocou de clube. Um dia, véspera de importante jogo contra o Nacional, o médio Almério, que trabalhava no comércio como vendedor de medicamentos, teve que viajar para o interior e Cláudio Coelho chamou-o para o posto. Agradou “e ficou algum tempo formando a intermediária do Auto ao lado de Nonato e Guilherme Terçado”.

Em 1963, Valdir Santos fez todo o campeonato com a camisa do Fast Clube que tinha na sua linha média o forte da equipe: Antônio Piola, Valdir e Jofre, com uma boa estréia derrotando o São Raimundo por 4×2, na Colina e recorda que o Piola fez 2, Pretinho e Eládio completaram o marcador.

A peregrinação de Valdir continuou. Em 1964 vestiu a camisa do Olímpico que estava voltando após sete anos de inatividade. Era também o primeiro campeonato profissional do Amazonas. O time não foi bem e por isso não voltou no ano seguinte. Livre, sem qualquer vinculo, Valdir ingressou no São Raimundo e no ano de 1966, o seu time era campeão da cidade.

No São Raimundo foi onde passou os melhores momentos de sua carreira. Jogou no time da Colina até 1972. Parou quando ainda tinha muito futebol pela frente, com 29 anos de idade. Achou que estava na hora, mas continuou nas peladas esbanjando categoria e com o mesmo físico de trinta anos passados.

Ao Valdir o futebol só lhe ofereceu uma coisa boa, além dos amigos: uma casa no conjunto Campos Elíseos um grande presente do Dr. Flaviano Limongi, quando presidente da FAF. Até hoje o imóvel lhe pertence. Trabalhou na Universidade do Amazonas, desde quando passou de jogar oficialmente.

MARACANÃ

Valdir jogava pelo São Raimundo em 1969 e o Nacional estava em grande atividade para se exibir no Maracanã, contra o Maringá. Tinha Valdomiro e Sula para a posição. A direção do Naça resolveu solicitar por empréstimo o seu concurso, com negociações feitas através de Alfredo Ferreira Pedras e Ponde de Leão. Valdir foi incorporado à delegação, mas não chegou a jogar.

Outro grande momento de Valdir foi num jogo São Raimundo x Rio Negro, em 1967, valendo pelo campeonato do ano anterior, com mais de cinco mil pagantes no Parque. O Rio Negro vencia por 3×1, mas o São Raimundo, em sensacional virada, empatou o jogo. Sabá 2 e Ademir, de penal, para o Rio Negro: Aírton 2 e Nonato, de penal, para o São Raimundo.

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