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dez

Bolôlô – o lateral

   Posted by: Carlos Zamith

Quando o Princesa Isabel disputava o campeonato da primeira divisão controlado pela FADA, na década de 1950, uma dupla de zagueiros ficou com nome em Manaus e muito temida pelos atacantes dos times adversários. Era uma parelha respeitada, formada por Bolôlô e Valquírio, considerados jogadores violentos, principalmente o central Valquírio, um rapaz forte, brigador, olhar sério e que não perdia as divididas. Entrava sempre decidido a vencer a parada e vencia mesmo. Bolôlô era mais comedido. Jogava com alguma classe, mas também sabia bater no adversário. Sua fama de carniceiro subiu muito mais em razão de atuar ao lado de Valquírio.
 
Foto: Bolôlô, no Rio Negro (1962)João Tavares (Bolôlô), nasceu em Manaus a 24 de dezembro de 1934.  Morava nas imediações da Praça D.Pedro II, na rua Visconde de Mauá, atrás do atual prédio da Câmara Municipal de Manaus e começou suas peladas lá mesmo no campo que revelou bons jogadores para o nosso futebol. E foi ali mesmo que João Tavares, na época muito  garoto e magrinho, recebeu o apelido que carrega até hoje. No seu tempo de peladas no campinho onde se localiza hoje o prédio do antigo Iapetec, jogou com Dadá, Ribas, Lidoca, seu xará João Tavares Aragão, que atuou pelo América e pelo Paissandu, de Belém, além de outros mais velhos, como Tuta, Nêgo Júlio e Catré.

Em 1955, o desportista Almério Cabral dos Anjos, levou-o para jogar no juvenil do Olympico permanecendo por lá durante um ano. Recebeu outro convite para ingressar no Princesa Isabel, de Jorge Bonates. Jogou apenas uma vez no time de aspirantes passando logo a titular, quando encontrou Valquírio, o goleiro Clermones, Pedro Maciel, Catita, Aderaldo, Maneca Marques, Ronaldo Barrote, Mário Costa, Barba Azul, Léo, Boró, Olinto, Selmo , Zé Sales, Franze e mais um monte de gente boa. O Princesa era um time bem ajustado, gente que corria 90 minutos por amor à camisa.

Em 1960 Bolôlô foi levado para o Rio Negro por Josué Cláudio de Souza que fazia voltar aos gramados o seu time de futebol, afastado pelo espaço de quinze anos. Na época Bolôlô trabalhava numa pequena mercearia na rua José Clemente com a Lobo D’Almada, atrás da Santa Casa. Ganhou logo a posição de titular, formando a zaga com Raimundo Mário ou Valdér e, como a mercearia fechou, Josué  levou-o para a Rádio Difusora, dando-lhe um emprego de operador nos transmissores da emissora, onde trabalhou longo tempo.
 
Foto: Bolôlô (1992)Num jogo preliminar caça-níqueis, contra o América, no início de 1964,  Bolôlô sofreu uma grave contusão. O atacante Coelho, num lance puramente casual, caiu em cima de sua perna. Sofreu fratura da tíbia e do perônio. Na ocasião foi socorrido pelos irmãos Piola (Antônio e Edson) que jogariam pelo Fast na partida principal. Nesse mesmo dia estreava  no time do Rio Negro, o armador Antero, também conhecido por Marta Rocha.

Levado para o Pronto Socorro, Bolôlô foi operado pelo Dr. Jorge Aucar. Ficou parado seis meses, recebendo total assistência do seu clube. Recuperado, tentou voltar a jogar. Chegou a treinar duas vezes, mas percebeu  que tinha medo e decidiu parar de vez aos 30 anos de idade. Campeão pelo Rio Negro em 1962, numa memorável decisão com o Nacional. O Rio Negro venceu por 2 a 1, gols de Dermilson e Thomaz, jogo apitado por Dorval Medeiros, o popular Guarda.