Arquivo para ‘Logradouros históricos’ Category

3
ago

Santa Casa de Misericórdia

   Posted by: Carlos Zamith Tags:

O prédio da Santa Casa de Misericórdia de Manaus, localizado na rua 10 de julho, foi construído em 1880, portanto, há 130 anos para prestar bons serviços de saúde ao nosso povo, mas encontra-se hoje de portas fechadas, abandonada, absolutamente esquecida pelo poder público, uma vergonha, levando-se em conta a ausência de hospitais para atender aos que, nesta terra, tem necessidade de assistência-hospitalar. Até agora não foram encontradas nenhuma documentação anterior ao ano de 1950, ou seja, não conhecemos a sua história na totalidade.

A estrutura da Santa Casa conta com dois ambulatórios com 17 consultórios médicos e oftalmológicos, 202 leitos distribuídos em apartamentos e enfermarias da área clínica, cirúrgica e de maternidade, centro cirúrgico com cinco salas, UTI, e áreas de apoio tradicionais como lavanderia, laboratórios, cozinha banco de sangue e salas administrativas.

Desde 2005, o Governo sinalizou e apresentou propostas concretas para a reabertura do hospital, fechado no final de 2004, devido a grave crise financeira e administrativa.

ALGUMAS MANCHETES DO NOSSO HOSPITAL

Gêmeas deixam a cama após 24 anos inertes
Era o início dos anos 80, o Brasil vivia sob as brumas do regime militar, não havia internet nem telefone celular, quando as gêmeas Ana Maria e Mariana Castro Beviláqua, de Manaus (AM), então com dois anos, submergiram em um estado de letargia após uma forte febre seguida de convulsão. Para a família, não havia esperança –o diagnóstico dos médicos era de paralisia cerebral. Foram 24 anos deitadas numa cama sem falar nem fazer movimentos com as pernas e os braços. As duas não viram passarem seis presidentes, o fim do comunismo nem a revolução on-line. Mas, agora, as gêmeas voltaram a ter uma vida quase normal. Freqüentam a escola e estão sendo alfabetizadas. Em março de 2003, após um exame neurológico realizado na Santa Casa de Misericórdia de Manaus, elas iniciaram o tratamento da síndrome de Segawa ou distonia responsiva à dopa (DRD, na sigla em inglês). O diagnóstico da síndrome de Segawa causou surpresa à família.

Morre Álvaro Maia
“Morreu Álvaro Maia à 01h15min da madrugada de 4 de maio de 1969, num apartamento do Pavilhão Santana, da Santa Casa de Misericórdia de Manaus, acometido de infarto do miocárdio na manhã da véspera. Assistiram ao desenlace o médico assistente, Dr. Osvaldo Said, acompanhado pela enfermeira Ruth Helena, pela Srtª. Maria Helena Paiva Monte (prima) e Dr. Erasmo Alfaia (amigo). Imediatamente a notícia se espalhou e começaram a chegar ao hospital os amigos do morto, que foi velado no hall do Palácio Rio Negros desde o alvorecer. O sepultamento de Álvaro Maia se deu ao fim da tarde de 5 de maio, no Cemitério São João Batista, acompanhado por grande massa humana, sentida e emocionada”.
(Dados biográficos de Álvaro Maia, publicado no livro “Álvaro Maia – Poliantéia – 1984”).

UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL

O presidente da Santa Casa de Misericórdia do Pará, Maurício Bezerra, esteve em Manaus na quarta-feira passada, dia 28, onde participou do II Seminário de Revitalização da Santa Casa de Misericórdia de Manaus, que aconteceu no Plenário da Câmara Municipal da capital amazonense.

Bezerra proferiu uma palestra sobre a experiência bem sucedida da Santa Casa do Pará, que hoje se consolida como uma das instituições de saúde e ensino mais atuantes no Estado.

Ele também falou sobre os projetos que a instituição ampliou e passou a desenvolver, como o de detecção precoce do câncer de mama e o de atendimento integral às vítimas de escalpelamento.

Fechada há sete anos por falta de verbas para manutenção, a reabertura da Santa Casa de Misericórdia volta a ser debatida, desta vez na Câmara Municipal de Manaus (CMM). O vereador Mário Frota lidera movimento para reabertura.

Por Jose Martins Rocha e Portal Amazônia
Blog do Rocha

27
jul

RUA DELCIDIO DO AMARAL

   Posted by: Carlos Zamith

Adolfo Delcídio do Amaral, um mineiro que viveu em Manaus por muito tempo, teve seu nome perpetuado numa das ruas do bairro de Educandos, uma denominação que ainda permanece intocável, muito embora seus moradores desconheçam o a razão do nome.

Encontramos alguns dados nas pesquisas que realizamos em livros de Atas da Câmara Municipal de Manaus, devidamente autorizado pelo presidente desse Poder, Vereador Rui Adriano Jorge, em 1975.

O INÍCIO

Na reunião da Intendência Municipal, do dia 18 de maio de 1908, (livro de Ata nº 01, página 92) o Intendente Juvêncio de Oliveira França, após longa e honrosa deferência, manifestou-se sobre a vida pública do falecido Coronel Delcídio do Amaral e propôs que fosse lançado em Ata voto de pesar pelo seu passamento recente, aprovada por unanimidade.

Três dias depois, o Intendente José Maria Corrêa Filho, em reunião da Intendência, apresentou Projeto de Lei em que pedia que "os prolongamentos através do igarapé de Cachoeirinha, no bairro de Constantinópolis, das ruas Quintino Bocaiúva e dos Remédios, passassem a denominara-se, respectivamente, Delcídio do Amaral e Manoel Urbano, pois assim o município de Manaus estaria prestando as homenagens a esses dois homens que souberam impor-se a nossa estima e veneração, pelo muito que fizeram por esta terra".

Delcídio do Amaral, engenheiro, foi Coronel da Guarda Nacional e Superintendente Municipal. Nasceu em Minas Gerais e morreu em Manaus, no mês de maio de 1908.

Foi ainda vice-provedor da Santa Casa de Misericórdia e possuía alguns seringais no Rio Madeira.

A nomenclatura foi dada pela Lei 507, de 29 de maio de 1908, mantida pela Lei 346/96.

30
abr

Praça da Saudade

   Posted by: Carlos Zamith Tags:

Batizada pelo povo de Saudade, assim é conhecida e assim ficará para sempre embora seu nome oficial, em Lei aprovada mudasse para Praça 5 de Setembro.

Praça da Saudade
Praça da Saudade no seu traçado original

A Praça da Saudade foi inaugurada em 1865 e inicialmente era conhecida como Largo da Saudade. Seus limites eram desde o antigo cemitério velho chamado de São José (nome também do primeiro bairro de Manaus) – localizado onde atualmente é a sede do Atlético Rio Negro Clube até o Instituto de Educação do Amazonas (local onde seria construído o palácio do governo). Um dado curioso da praça registra que na época do governo provincial do Presidente Francisco José Furtado em 1858, o cemitério foi cercado e a praça não passava de um largo com pouca arborização. Então em 1865, foi proposta pela Câmara Municipal a construção da praça e a proposta de se oficializar o nome de praça da Saudade.

Num trabalho do setor de Comunicação da Prefeitura Municipal, há um registro de que o nome Praça da Saudade foi dado em julho de 1867, por sugestão do vereador Antônio Davi Vasconcelos Canavarro, apoiado pelos seus colegas João Inácio Rodrigues, Clementino Guimarães, Guilherme Moreira, José Antônio Barroso, Henrique Antony, Francisco José da Silva Ramos e Francisco Antônio Monteiro Tapajós. O trabalho cita que antes a referida praça tinha o nome de 5 de Setembro.

Passou à denominação de praça em 1897, mas só em 1932, de acordo com registros documentais, veio adquirir corpo e forma, na gestão de Emmanuel Morais com a construção de jardins e passeios. O cemitério nesta época já havia sido fechado. Após a demolição, os restos mortais que haviam no local foram transferidos para o São João Batista. Em 1938 teve seu traçado original modificado e seus canteiros foram renovados com a colocação de vegetação exótica, mas as estátuas de bronze que representam os homens primitivo e moderno só foram colocadas em 1963, época em que foram retiradas as pérgolas laterais.

Nas pesquisas que realizei, verifiquei que através da Lei nº 1.477, de abril de 1928, a Praça da Saudade passou a denominar-se de Praça Washington Luis, em ato que foi assinado pelo presidente da Intendência, Sérgio Rodrigues Pessoa.

Depois de alguns anos, exatamente em setembro de 1937, numa das reuniões da Câmara Municipal que funcionava nas dependências da antiga Escola Normal, Quartel da Polícia Militar do Estado, o Intendente Sérgio Rodrigues Pessoa apresentou Projeto de Lei mudando uma vez mais a denominação da Praça da Saudade (embora oficialmente com o nome de Washington Luís) para Praça 5 de Setembro. O projeto aprovado e transformado em Lei com apenas um artigo, portanto, ARTIGO ÚNICO, com esta redação:

A atual Praça da Saudade passa a chamar-se de hoje em diante e para sempre, Praça 5 de Setembro, revogam-se as disposições em contrário“.

A Lei foi assinada pelo presidente da Câmara, Lucano Antony e pelo Secretário Ranulfo Lima Bacuri. Eram vereadores na época, Luiz Almir do Vale Corrêa, Oscar da Costa Rayol, Augusto César Fernandes, Azemar Damasceno Couto, Sérgio Pessoa, os presentes à reunião. Faltou no dia da aprovação do projeto, o Vereador Cursino Dias Gama. A Lei recebeu o número 225, de 6 de setembro de 1937.

Mesmo depois de aprovada, foram feitas algumas críticas a Lei, condenando, principalmente, as constantes mudanças das nomenclaturas de nossas ruas, praças e avenidas. Na reunião do dia 13 de setembro, sete dias após a promulgação da Lei, o Vereador Sérgio Rodrigues Pessoa voltou a se pronunciar sobre a sua proposição dizendo:

Meu único fim apresentando o Projeto mandando restabelecer a denominação da Praça 5 de Setembro, que cerca de 40 anos já tinha essa denominação, é que pela Lei nº. 1.477, de abril de 1928, foi substituída para Washington Luís, e pelo Decreto nº 01 de 1930, foi mudada para Getúlio Vargas e que no ano seguinte, pelo Decreto nº 49, voltou a ser denominada de Praça da Saudade, enquanto o nome de 5 de Setembro foi levado para um beco ao lado da Igreja dos Remédios. Este foi o motivo que me levou a apresentar o projeto, hoje lei nº 225, em desagravo a data de maior júbilo para o Amazonas”.


Ao concluir sua justificativa, disse o Vereador Sérgio Rodrigues Pessoa:


Outro intuito não podia ter, pois desejo seguir as pegadas do benemérito governador do Estado, Dr. Álvaro Botelho Maia, que em carta muito gentil a esta Câmara desistiu da homenagem que a mesma queria prestar-lhe dando o seu nome a uma das ruas do subúrbio desta capital por ser contrário a estas homenagens a pessoas vivas“.


A atitude do Intendente Sérgio Rodrigues Pessoa decorreu em razão da aprovação da Lei nº 1.401, de 26 de abril de 1927, assinada pelo Dr. José Linhares de Albuquerque, presidente da Intendência, dando a denominação de rua Coronel Sérgio Pessoa ao trecho da rua, sem nome, ao lado direito da Igreja dos Remédios.


O nome oficial de praça 5 de Setembro, portanto é em homenagem a data da elevação do Amazonas à categoria de Província e uma homenagem a Tenreiro Aranha que tanto lutou pela emancipação do Grão-Pará. Portanto, o nome oficial nunca se tornou popular. O certo é que mesmo o nome oficial estando inscrito na placa da estátua de Tenreiro Aranha, o manauense a conhece apenas por Praça da Saudade.


Finalmente, a Lei número 343/1996, manteve a denominação de Praça da Saudade.


Hoje o Prefeito Amazonino Mendes reinaugura a Praça da Saudade. A restauração começou na administração do Prefeito Serafim Correa e era um desejo do saudoso Senardor Jefferson Peres de ver a Praça no seu original.

27
abr

O balneário do Parque Dez

   Posted by: Carlos Zamith

O balneário Parque Dez de Novembro foi construído na administração do engenheiro-agrônomo Antônio Botelho Maia, quando Prefeito Municipal de Manaus, de 1937 a 1940, período em que o nosso Estado esteve sob a intervenção de seu irmão, Álvaro Botelho Maia.

Zamith e Cidade

Pelo Ato nº 52, de 30 de setembro de 1938, o Prefeito Antônio Maia oficializou a denominação de Parque Dez de Novembro, construído a Estrada do Miri, à margem do igarapé do Mindú.

A denominação rememorava uma época de reorganização da nacionalidade, com a instituição do Estado Novo criado por Getúlio Vargas e refere-se ao dia 10 de novembro de 1937, através de um pronunciamento transmitido por rádio a todo o País, que outorgou ao Brasil nova era de progresso e engrandecimento.

A partir daí, a área ficou sendo conhecido como Bairro do Parque Dez, justamente pela localização do logradouro, um dos mais freqüentados pela população desta cidade até a década de cinqüenta.

No início dos anos setentas, em virtude da poluição de suas águas, consequência da construção de vários conjuntos residenciais, o Parque Dez, que tinha água cristalina e pura, foi desativado.

Não há documento oficial de inauguração do bairro do Parque Dez. As terras eram da Prefeitura, algumas invadidas por colonos e outras aforadas a particulares que construíram seus balneários, principalmente na via conhecida por V-8, atualmente Avenida Ephigênio Sales.

Vários conjuntos fazem parte do Parque Dez, como Castelo Branco, Eldorado, Jardim Yolanda, Mucuripe II, Novo Amazonas, Nova Friburgo, Pindorama, Jardim Orquídea, Jardim Primavera, Parque Tropical e outros.

Antônio Maia que também foi Deputado Federal pelo Amazonas, faleceu no Rio de Janeiro, onde residia, no mês de outubro de 1993, aos 92 anos.

Parquedeznovembro

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