Arquivo para ‘Astros da bola’ Category

12
ago

Horácio – do Rio Negro

   Posted by: Carlos Zamith

Nas peladas queria ser zagueiro, mas a sua altura não ajudava. Depois foi jogar no ataque, nas extremas e conseguiu destaque, numa das grandes esquipes do nosso futebol. Foi duas vezes campeão e, por intermédio do futebol, arranjou um bom emprego. Com a mesma fisionomia de garoto e o mesmo físico, gozando de uma razoável aposentadoria, que dá muito bem para viver, até pouco tempo andou as voltas com a bola, participando de peladas nos finais de semana ao lado de antigos companheiros das décadas de 50 e 60.

Horácio Rodrigues do Nascimento Neto, nascido a 27 de junho de 1938, o neguinho Horácio, como carinhosamente era chamado pela torcida do Rio Negro, criou-se no bairro da Cachoeirinha, jogando peladas no campo do Ipiranga, com a camisa do time do Waupés, recebendo alguns ensinamentos do pedreiro Climério, que sempre juntava a garotada para o bate-bola, dentre eles, Miguel Batará, Cleber, Ofir e Roberto Pimenta.

De zagueiro não dava e resolveu ir jogar na frente. Muito rápido, bom no drible, um dia foi levado pelo seu primo Guilherme Lapa, para treinar no Olímpico, reorganizado pelo Zulândio Pinheiro.

Ficou muito tempo no clube dos cinco aros, jogando ao lado de Quinha, Jacob, Purgante, Jander Cabral, Belini, Lourenço, Jofre e do falecido desembargador, aposentado, Kid Mendes, que era o goleiro. Corria o ano de 1957 e tem lembrança da grande goleada que seu time aplicou no Independência, por 14 a 1, com o atacante Quinha fazendo 9 gols.

O Olímpico extinguiu seu departamento de futebol e Zulândio levou Horário para jogar no time do Educandos que estava na primeira divisão, mas só ficou uma temporada, porque o antigo zagueiro rionegrino Tabosa dos Reis convidou-o para jogar pelo Rio Negro, que estava se reorganizando para voltar ao futebol. Não pensou duas vezes, pois em troca teria um bom emprego federal, no antigo INPS.

O primeiro título de Horácio aconteceu em 1962, vestindo a camisa do Rio Negro que tinha na sua direção de futebol o velho Josué Cláudio de Souza. A decisiva foi contra o Nacional e uma vitória de 2×1, isto já no mês de janeiro de 1963. O time base era formado por Pedro Brasil, ou Chicão, Bolôlô e Raimundo Mário; Fernando, Catita e Eudóxio; Horácio, Thomaz, Aírton, Dermilson e Orlando Rebelo, um time dirigido por Cláudio Coelho.

Na Seleção

Em grande fase, Horácio foi convocado duas vezes para a Seleção do Amazonas, participante do Campeonato Brasileiro de 1960 e de 1962, na primeira jogando contra o Pará e na segunda, contra os Territórios e o Maranhão.

Na de 1960, jogavam Simões, Jaime Costa, Gatinho, Zamundo, Jaime Basilio, Orlando Mineiro, Tucupí, Dermilson, Gordinho, Hugo e ele na ponta.

Na de 1962, jogavam Pedro Brasil, Boanerges, Waldir Lima, Zamundo, Sula, Vanderlann, Aírton, Tomaz, Santarém, Dermilson e ele formando na esquerda.

Um jogador duro, mas leal, Horácio encontrou no futebol local. Era o nacionalino Boanerges, o símbolo da raça, que jogava por amor à camisa, embora de pavio um pouco curto, pois não admitia ser driblado. Tinha um sentido de recuperação fabuloso e logo se recuperava de uma jogada perdida.

Outra vez campeão

Em 1965, sempre como titular, Horácio foi outra vez campeão pelo Rio Negro, ainda sob o comando de Cláudio Coelho. A decisão outra vez contra o Nacional, num super reunindo também o Fast. O Rio Negro venceu os dois jogos: Contra o Fast 1 a 0;. No dia 6 de fevereiro de 1966, no Parque, com arbitragem do paraense Sena Muniz, contratado para dirigir esse jogo, em grande tarde, venceu fácil por 4 a 1 o último gol foi seu. Sabá Burro Preto fez dois e Ademir de penal, outro. O time campeão formou com Clovis, Valdér, Edson Ângelo, Catita e Damasceno; Ademir e Rubens; Nonato, Sabá Burro Preto, Thomaz e Horácio.

Horácio defendeu o Rio Negro até 1967. Seu derradeiro jogo vestindo a camisa barriga-preta ocorreu contra o Nacional, (1 a 1), no dia 11 de junho, no campo da Colina, num jogo com recorde de público até então. Nesse seu “adeus”, o Rio Negro jogou com Clovis, Caboré, Edson Ângelo (Jayme Basilio), Catita e Damasceno; Ademir e Rolinha; Rubens, Sabá, Thomaz e Horácio.

Depois desse jogo, parou por causa de uma exigência do então treinador Osvaldinho, que falou para ele: “ou treina como os outros ou fica no seu emprego. Preferiu ficar no emprego”. Seu posto passou a ser ocupado pelo também baixinho Paulinho que ficou como titular muito tempo e com bom destaque.

“O neguinho Horácio” não se importava quando era assim chamado. Um jogador de certa elegância dentro e fora de campo. Veste-se muito bem, cabelos cuidados e sapatos sempre brilhando. Educado no falar e no modo de agir. Continua o mesmo cavalheiro de sempre. Pai de vários filhos, todos já crescido, feliz com o grande numero de amigos que reuniu durante sua vivência no futebol.

4
ago

Jaime Rebelo

   Posted by: Carlos Zamith

Ainda garoto Jaime Rebelo apareceu na zaga central do time titular do Eldorado que disputava o campeonato da primeira divisão, na década de 40. Um clube que pertencia a seu pai, professor Francisco Rebelo de Souza e tinha irmãos que também jogavam futebol no mesmo time, como Raimundinho Rebelo e Jessé, todos titulares, além de João e Jairo que atuavam no time de aspirantes.

O Eldorado disputou os campeonatos de 1946 a 1952 e em 1950, Jaime Rebelo foi convocado para atuar como titular da Seleção Amazonense que jogou duas vezes contra o Pará, pelo Campeonato Brasileiro. Atuava ao lado de Gatinho, e Vicente na meta. Com a extinção do time do Eldorado, Jaime parou um tempo para se dedicar a um outro ramo de atividade.

Fez concurso para locutor comercial da Rádio Baré e foi aprovado  juntamente com Dantas de Mesquita. Trabalhou na veterana emissora até como ator de novelas, apresentador dos programas na Maloca dos Barés narrador esportivo, jogando seu futebol apenas nas promoções entre jornalistas e radialistas que sempre eram realizados no estádio General Osório.

Mas o São Raimundo, clube que também foi fundado pelo seu pai, entrou para o campeonato da primeira divisão em 1956 e Jaime foi chamado para vestir a sua camisa. Titular do time da Colina, formando zaga com Zezé, uma dupla que garantia, também, a bom desempenho do goleiro Carlos Genésio. No São Raimundo Jaime ficou duas temporadas até que decidiu, com a idade chegando e a multiplicação de afazeres, a cuidar apenas da emissora, mas ainda encontrava alguma vaga para treinar equipes inferiores do Nacional, onde jogavam dois de seus filhos. Formou-se em direito, era também jornalista profissional, passou a diretor artístico da Rádio Baré, cargo que ocupou a até morrer.

Narrava e comentava os jogos de futebol do Parque ou do estádio do São Raimundo. A cabine de rádio do estádio “Ismael Benigno”, construída no início da década de 60 com auxílio financeiro da FAF e da ACLEA, tinha o seu nome, numa homenagem do clube ao seu antigo zagueiro, um pedido das duas entidades, acordo desrespeitado na década de 90.

Jaime Rebelo morreu repentinamente, em 03 de julho de 1977, vítima de um problema cardíaco, numa época em que apresentava noticiários da TV-Baré. Seus filhos mais velhos foram ídolos da torcida nacionalina. Zé Eduardo e Careca, (este já falecido). Ambos nasceram no bairro da Vila Municipal e moravam em frente ao campo do Nacional. Desde os infantis começaram a mostrar qualidades. Foram titulares do Naça na década de 60 e duas vezes campeão da cidade.

O ex-Beco Independência, no bairro do Japiim, recebeu o nome de Jaime Rebelo, pela Lei nº 346/96.

20
jul

Alfredo Barbosa Filho

   Posted by: Carlos Zamith

Se há um desportista que muito fez pelo futebol amazonense e que merecia o reconhecimento do clube onde trabalhou, sem remuneração, durante longo período, revelando um monte de jovens valores que brilharam nos cubes de Manaus, o nome dele é Alfredo Barbosa Filho ou Barbosão, como era chamado pelos seus pupilos.

clip_image002Desde jovem, no Colégio D. Bosco, onde estudou no tempo Padre Agostinho, Barbosa Filho já dava sinais de sua paixão pelo futebol. Adolescente, trabalhou nos escritórios da firma J.G. Araújo, na Rua Marechal Deodoro e ficou feliz quando o Sindicato dos Comerciários organizou o Campeonato da categoria.

A empresa onde trabalhava montou o seu time para disputar a competição e Barbosa Filho, além de jogar de zagueiro, sem muita habilidade devido ao excesso de peso que sempre lhe acompanhou desde criança, também era o técnico.

Foi oficial e Comandante da Polícia Militar do Estado no início da década de 60 e já estava no comandado das categorias de base do Nacional revelando um grande número de jogadores para o nosso futebol e, principalmente para o Nacional, dentre eles, Wanderlann, Aderbal, Chincha, Téo, Português, Lacinha, Pratinha, Pepeta, Ribas, Jayme Costa. Comum era ouvirmos nos estádios, quando aparecia um jovem se destacando em outro qualquer time que não o Nacional, a frase de Barbosão: “esse já passou pelas minhas mãos”.

Alfredo Barbosa Filho nasceu a 11 de novembro de 1920 e morreu em Manaus no dia 6 de março de 1992, antes de completar 72 anos e só lembrado pelos mais antigos adeptos do clube “mais querido”, a estrela azul que tanto amou.

17
jul

HUGO GUIMARÃES

   Posted by: Carlos Zamith

Hugo Freitas Guimarães foi um dos mais destacados goleiros do futebol amazonense no amaadorismo, na década de 30. Era Dono de uma colocação sem par, como sempre faz questão de lembrar o também antigo goleiro Flaviano Limongi,

Bicampeão da cidade, pelo Atlético Rio Negro Clube, em l93l/32 era um verdadeiro ídolo da torcida, respeitado até pelos adversários.

No bicampeonato, formou ao lado de Chico Oliveira, Vandemar Santana, Maluco, Dodoca, Zé Goiot, Isídoro de Carvalho, o Vidinho, Adair Marques, Ofir Corrêa, Raimundo Bandeira, Armando Barbosa, Arnóbio Valente, Miúdo, Jeremias Cumarú o Cadú e outros bons jogadores da época.

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Rio Negro bicampeão de 1931-1932. – Candú, Hugo Guimarães e Chico Oliveira

Depois de abandonar o futebol como jogador, Hugo chegou a ser árbitro da antida entidade, a FADA, integrando o quadro do Olímpico Clube. Naquele tempo, antes de ser iniciado o campeonato os clubes tinham a obrigação de indicar os que trabalhariam como árbitros e auxiliares durante o campeonato oficial

Hugo morreu jovem, aos 32 anos de idade. Era oficial Administrativo do Ministério da Fazenda e estava servindo no Posto Aduaneiro de Guajará-Mirim, quando retornou a Manaus muito doente.

Casado com a senhora Nadir Nunes Guimarães, filha do antigo político Severiano Nunes,. Hugo Guimarães nos deixou no dia 8 de outubro de 1943, em sua residência, Vila Georgette, na Rua Lauro Cavalcante.

Quando ao Ruy que também era goleiro, em 1938 ele atuava pelo time do Albatroz que depois transformou-se em Olímpico Clube.

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