Arquivo para ‘Ruas de Manaus’ Category

22
ago

Igarapé de Manaus

   Posted by: Carlos Zamith

O conhecido Igarapé de Manaus, uma pequena artéria que se inicia na Avenida Sete de Setembro, lado esquerdo da primeira ponte, sentido centro/bairro, passou a ter a denominação oficial, a partir de 1970, de "Walter Rayol", mas para o povo o nome continuou "Igarapé de Manaus", nomenclatura de origem popular. Com o progresso e as invasões, ali foi construída, no passado. uma pequena favela com casas de madeira, depois todas reformadas em alvenaria e algumas de boa qualidade.

MUDANÇA

Até o dia 11 de outubro de 1912, permanecia o nome de "Igarapé de Manaus", pois no dia seguinte a Intendência Municipal aprovou um projeto de lei do Intendente Sérgio Rodrigues Pessoa, dando a denominação de “Rua Guerreiro Antony”.

O objetivo era o de homenagear o coronel Antônio Guerreiro Antony, amazonense, filho do comerciante Henrique Antony que nesta cidade viveu uma fase política muito conturbada por ocasião da candidatura do Dr. Jonathas Pedrosa ao Governo do Estado. Homem de compleição robusta, trabalhador, estudioso, embora sem formação acadêmica, Guerreiro Antony sofreu duramente quando sua residência foi bombardeada no primeiro dia do ano de 1916, por um grupo de oficiais da Polícia. (dados do ”Dicionário Amazonense de Biografias”, de Agnello Bittencourt).

O "Igarapé de Manaus" ficou como “Rua Guerreiro Antony” até a década de 70, mas sem o conhecimento da população, provavelmente nem do então Vereador Praxiteles Antony que tinha algum parentesco com Guerreiro Antony. E tanto é que numa das reuniões da Câmara, em 1970, ele apresentou um projeto de lei dando a denominação de Rua Walter Rayol citando: "ao conhecido Igarapé de Manaus", certamente por desconhecimento do nome oficial.

Era homenagem que prestava a um homem que teve quase toda a sua vida dedicada ao município de Manaus, como funcionário, como Vereador em várias legislaturas e Prefeito nomeado em sete oportunidades, além de cronista esportivo dos mais conceituados, usando o pseudônimo de Zé do Parque.

A mudança ficou apenas no papel. Nos mapas da Prefeitura, no seu cadastro de ruas permaneceram como "Igarapé de Manaus". Enquanto isso, o nome de Guerreiro Antony, por um Decreto de 1966, do então Prefeito Paulo Pinto Nery, já estava em uma das ruas do bairro de São Francisco, a ex-Rua Márcio de Menezes.

Como se observa em toda essa confusão, quando o Prefeito Paulo Nery trocou o nome da Rua Márcio de Menezes para Guerreiro Antony, também desconhecia a nomenclatura oficial do Igarapé de Manaus.

Com o advento da Lei nº 343/96, elaborada sem muito cuidado, voltou a denominação antiga de Igarapé de Manaus e Guerreiro Antony desde 2002 é no bairro Mauazinho.

15
ago

Avenida Constantino Nery

   Posted by: Carlos Zamith

A Avenida Constantino Nery já mudou de nome cinco vezes, mas agora já se vão mais de meio século e, felizmente, ninguém mais se preocupou em fazer nova troca. A denominação dessa Avenida foi oficialmente dada em 1905, por força da Lei nº. 426, de 30 de novembro.

Cinco anos depois, exatamente no dia 28 de novembro de 1910, a Intendência Municipal aprovou um projeto do Intendente Alberto Botelho Coelho, subscrito pelos seus pares Carlos Studart, Agostinho César de Oliveira, Francisco Bernardo de Farias e Polidoro Rodrigues, propondo a mudança do nome de Avenida Constantino Nery, para Avenida João Coelho, em homenagem ao então governador do Pará, Dr. João Antonio Luiz Coelho.

NOVA MUDANÇA

Já em 1919, o Intendente Licínio Silva foi o autor de outro projeto de Lei, mudando a denominação de Avenida João Coelho, para Avenida Olavo Bilac, propositura que foi aprovada e transformada na Lei nº. 999, de 20 de março.

Mas em 1927, o Intendente Sérgio Rodrigues Pessoa, foi autor de um projeto restabelecendo o nome da Avenida Constantino Nery, anulando, portanto, a Lei anterior, a que deu o nome de Olavo Bilac. O projeto de Sérgio Pessoa foi aprovado, sem qualquer restrição.

Em 1930, três anos depois, essa artéria sofre nova mudança em sua nomenclatura. O Prefeito Municipal nomeado por alguns meses, após a Revolução de 1930, professor Marciano Armond, baixou Decreto nº 03, com data de 01 de novembro anulou "as mais recentes leis que mudaram os nomes de diversas ruas e avenidas". Dentre elas estava a Avenida Constantino Nery, que por esse Ato voltou a chamar-se Avenida Olavo Bilac.

Embora restabelecida a denominação de Olavo Bilac, a verdade é que ninguém conseguiu gravar esse nome. Para os habitantes de Manaus, aquela via continuava sendo conhecida por João Coelho e por muito tempo, pois até os coletivos e os antigos "expressinhos", permaneciam com a placa de "João Coelho", pelo menos até a década de 70.

A VOLTA

Em 1953, na segunda legislatura da Câmara Municipal de Manaus após a redemocratização do país, o Vereador Walter Rayol, eleito pelo PTB com expressiva votação, levou a discussão do Plenário do Legislativo, um projeto que se transformou na Lei nº. 295, de 12 de outubro, propondo a volta do nome de Constantino Nery, com a justificativa que foi publicada no “O Jornal” desta cidade:

"Reparando uma injustiça que vem sendo mantida sem razão plausível, fazemos voltar a sua antiga denominação a Avenida Constantino Nery, que lhe foi dada em 1905, pela Lei n.426, de 30 de novembro. Esta via pública foi aberta no governo do general Constantino Nery, seu idealizador e construtor. Não desejamos fazer desaparecer o nome de Olavo Bilac, o poeta primoroso e principalmente fundador da Liga de Defesa Nacional. E, o nome de Olavo Bilac fica transferido para a terceira parte da Avenida Ipixuna, no bairro de Cachoeirinha".

Foi assim que a Avenida Constantino Nery voltou a ter seu nome primitivo. O projeto de Walter Rayol recebeu o apoio de seus companheiros Ismael Benigno, Edgard Macedo e Raimundo Coqueiro Mendes, este presidente da Câmara Municipal.

RESUMO

Lei nº 426, de 30-11-1905 – Constantino Nery para João Coelho;

Lei nº 999, de 26-03-1919 – João Coelho para Olavo Bilac;

Lei nº 1407, de 04-05-1927 – Olavo Bilac volta a Constantino Nery;

Decreto 03, de 01-11-1930 – Constantino Nery volta a Olavo Bilac;

Lei nº 295, de 12-10-1953 – Olavo Bilac volta a Constantino Nery.

29
jul

Rua Gabriel Salgado

   Posted by: Carlos Zamith

A Rua Gabriel Salgado é quase desconhecida da população de Manaus, mesmo da parte dos mais antigos de seus moradores, embora localizada numa área bem central.

Trata-se de uma artéria que não chega a ter 400 metros de extensão. Passa em frente ao antigo prédio da Prefeitura Municipal, na Praça Pedro II (foto abaixo), iniciando-se ao lado do antigo Trapiche – hoje Manaus Harbour – e termina no igarapé de São Vicente.

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Essa nomenclatura foi dada através de um projeto de lei da autoria do Intendente João Severiano de Souza, um dos mais atuantes, em sua época, nas questões de mudanças de denominações de ruas, avenidas e praças.

No dia 13 de maio de 1930, conforme consta de matéria publicada num dos jornais da cidade, cujo nome não consegui descobrir, pois foi corroído pelas traças, está a justificativa do Intendente João Severiano de Souza:

JUSTIFICATIVA

“O município de Manaus sempre no louvável desígnio, tem sabido premiar os bons serviços de ilustres brasileiros, que pela sua cultura, pelo seu patriotismo, são alvos da nossa admiração, especialmente quando eles têm ou tiveram o seu berço no Amazonas”.

Entre os que mais enaltecem e fazem jus a estas homenagens, destaca-se o saudoso amazonense, Senador Gabriel Salgado dos Santos, um patriota nascido neste Estado a 16 de novembro de 1855 e falecido em junho de 1915, aos 60 anos.

O Senador Gabriel Salgado já representou o Amazonas por quatro vezes no Congresso Nacional, sendo sua passagem pelo parlamento, uma luminosa senda de reais serviços prestados à Pátria, acrescendo que seu nome honrado foi por duas vezes indicado para governar este Estado. Foi um militar que honrou e ilustrou sua nobre profissão, tendo desempenhado as mais importantes missões. Em 1909, foi convidado para representar o Brasil no Congresso Científico Americano, reunido em Buenos Aires, sendo o primeiro amazonense a merecer tal honraria.

Concluindo, o Intendente João Severiano de Souza disse:

"É justo que lhe seja tributada uma homenagem pela qual fica patente a gratidão dos seus coestaduanos e da nossa terra. Assim, tomo a liberdade de apresentar à consideração da Casa o seguinte projeto”:

Fica denominada de "Gabriel Salgado" a Rua que partindo do antigo Trapiche Ventilari, passa em frente ao Paço Municipal e termina no igarapé de São Vicente, nesta cidade.

A proposição foi aprovada por unanimidade, tomando o número de Lei 1.554, de 13 de maio de 1930, portanto, no mesmo dia de sua apresentação e foi assinado pelo presidente da Intendência, Sérgio Rodrigues Pessoa.

No do dia seguinte, o capitão Amilcar Salgado dos Santos compareceu à reunião da Câmara para agradecer as homenagens prestadas à memória de seu pai, coronel Gabriel Salgado dos Santos.

(Dados abaixo, extraídos do livro "Dicionário Amazonense de Biografias" de Agnello Bittencourt).

“Gabriel Salgado estudou em Manaus sob as ordens de seu tio, Francisco Antônio Monteiro Tapajós, pois era órfão de pai, no estabelecimento "Educandos" de onde saiu ainda jovem, como mestre-marceneiro. Como voluntário, foi servir no Rio de Janeiro. Cursou a Escola Militar da Praia Vermelha, saindo com o curso de artilharia militar e o de bacharel em Ciências Físicas. Serviu ainda em Belém, foi deputado estadual pelo Amazonas e chegou ao posto de coronel do Exército. Em 1910, com a renúncia de Jorge de Moraes, que estava concorrendo à Prefeitura Municipal, foi eleito para o Senado Federal e chegou a enfrentar Rui Barbosa em vários debates".

Nomenclatura mantida pela Lei 343/96, de 12-06-1996.

8
jun

Avenida Senador Álvaro Maia

   Posted by: Carlos Zamith Tags: , , ,

Imagem_3f9b7a8026Álvaro Maia, nascido a 19 de fevereiro de 1893, no município de Humaitá, Rio Madeira, veio criança para Manaus. Estudou direito, em Fortaleza e colou grau na Faculdade do Rio de Janeiro. Seu primeiro emprego no Amazonas foi de redator da Assembléia Legislativa, depois Procurador da República. Era jornalista, poeta e político atuante. Foi Deputado Federal (1933–1935), Governador (1935–1937, Interventor com o golpe político do Estado Novo (1937-1945), Senador (1946–1951), novamente Governador (1951–1954 e tambem Senador da República (1967–1969). Faleceu na madrugada do dia 4 de maio de 1969, na Santa Casa de Misericórdia, acometido de infarto.

Quando foi criado o bairro da Vila Municipal, em maio de 1901, a Lei pertinente deu a denominação de suas Ruas e já falava em Boulevard Amazonas, donde se conclui que surgiu antes de sua criação. A pedra fundamental do Reservatório do Mocó foi lançada em 1893, conforme publicou o jornal “Amazonas”, edição de janeiro de 1894. O mesmo jornal noticiou proposta para abertura do bairro do Mocó, em 1893. Tudo faz crer que Boulevard Amazonas já existia entre 1893 a 1901.

Boulevard Amazonas já foi Aristides Rocha e também ex-Cemitério, mas pela Lei nº 1477, de 16-04-1928, oficializada como Boulevard Amazonas, até que em 1972, por iniciativa do então Vereador Praxiteles Antony, passou a chamar-se Avenida Senador Álvaro Maia em homenagem ao ex-governador do Estado do Amazonas.

Praxiteles, homem de poucas palavras e que na mocidade foi goleiro do Nacional, estava com assento à Câmara Municipal de Manaus como representante da Aliança Renovador Nacional (Arena). Com a devida justificativa, apresentou Projeto de Lei propondo a mudança de Boulevard Amazonas para Avenida Senador Álvaro Maia.

A princípio, alguns de seus pares não concordavam com a alteração, alegando que Boulevard Amazonas era tradicional e que o povo também não concordaria. Sugeriram, ante a sua intransigência, que pelo menos ficasse como Boulevard Álvaro Maia. Não houve acordo algum. O autor da proposta manteve a sua decisão.

A Lei foi aprovada e sancionada pelo Prefeito da época, Paulo Pinto Nery, tomando o número 1028, de 07-04-1972.

IMG_1093 Avenida Senador Álvaro Maia nos dias atuais

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