Arquivo para outubro, 2009

30
out

A ESCOLHA DO ÁRBITRO

   Posted by: Carlos Zamith    in Velhos tempos

Pedro Sena 1939Primeiro jogo programado pelo “Nordestão” entre Nacional x Tuna Luso, na década de 60, em Manaus. O segundo seria em Belém. Na sede da FAF, ainda na Rua Lobo D’Almada, quase esquina com a Henrique Martins, os representantes dos dois clubes estavam presentes para a escolha do árbitro. Pelo Nacional, Samuel do Vale e Jandecy Sarmento.

Foram apresentados os nomes de Mário Santos, Dorval Medeiros e Pedro Sampaio de Andrade. O representante da Tuna, olhou os nomes e falou:

Tudo bem, qualquer um serve, eu só não quero é um tal de Pedro Sena.

O sorteado foi Pedro Sampaio de Andrade, também conhecido por Pedro Sena.

TROCA DE PAPELETA

O campeonato de 1964 que varou pelo ano de 1965, foi decidido numa série “melhor de quatro pontos”, entre Nacional x São Raimundo. Empate de 1 a1 no primeiro jogo, na Colina e vitória do Nacional no segundo, por 3 a 2, no Parque.

JandecyO Nacional jogaria pelo empate no terceiro jogo. O problema era o local. O São Raimundo queria na Colina e o Nacional preferia o Parque. A FADA decidiu acabar com a “briga” e promoveu o sorteio do campo, dois dias antes do jogo.

Na sede da entidade, representantes dos clubes: Samuel do Vale e Jandecy Sarmento,(foto ao lado) pelo Nacional e Lindolfo Cardoso, pelo São Raimundo, além de vários repórteres .

Nas papeletas foram escritos os nomes PARQUE e COLINA e colocados num cinzeiro que servia de urna. Na hora do balança e num toque rápido, um dos papeis, o da COLINA, foi trocado pelo Jandecy, por outro do PARQUE. Ninguém notou.

José Ribamar Garganta que cobria a reunião para o “O Jornal”, e não sabia de nada, foi convidado para retirar uma papeleta. Claro que “o ganhador” foi o Nacional.

O jogo foi no Parque, dia 21 de abril de 1965 e terminou empate: 1×1, resultado que deu o titulo do Nacional, o último no regime amador. Fredoca, de falta, aos 8, do segundo tempo, para o Nacional e Aírton, aos 17, do mesmo período, para o São Raimundo.

NACIONAL – Marcos (Vasconcelos), Boanerges, Sula, Jaime Basilio e Vivaldo; Ribas e Dermilson; Fredoca, Lacinha, Pretinho e Hugo.

SÃO RAIMUNDO – Valdir Melo, Soldado, Antônio Carlos, Paulinho e Aderson; Zamundo e Almir; Vitorino, Milton Prudente, Santarém e Vadinho.

20
out

Jogou 115 vezes pelo fast

   Posted by: Carlos Zamith    in Astros da bola

O futebol de Manaus estava em ascensão, após o surgimento da nova entidade, a FAF, comandado por Flaviano Limongi, com o torcedor prestigiando os espetáculos disputados na Colina ou no velho Parque Amazonense.

Os disputantes procuraram reforçar seus elencos, contratando jogadores de outros centros. O Fast não ficou atrás. Em 1967, o Fast trouxe do futebol maranhense dois atletas, um deles era o principal, precedido de maior cartaz. O outro veio numa espécie de contrapeso, mas foi justamente este que fez nome no nosso futebol: foi bicampeão e chegou até a participar do jogo da pré-inauguração do “Vivaldo Lima” como integrante da uma das seleções do Brasil.

Pompeula

Ele é Iomar Estevam Pompeu, ou simplesmente Pompeu, nascido no Maranhão em, 02 de setembro de 1946.

O de maior cartaz era Nivaldo que não chegou ser firmar. Pompeu estreou no Fast no jogo final do 1º. Turno do campeonato de 1967, no dia 29 de novembro numa terça-feira à noite, na Colina, entrando no time que enfrentava o Sul América, no lugar de Melo, como lateral direito, posição que defendeu até a permanência de Nivaldo no time. O Fast venceu por 2 a 0 (Zezinho e Bezerra), com 1.258 pagantes.

A passagem de Pompeu no Fast foi longa.Sem interrupção seis anos, firmando-se como um lateral esquerdo de boa marcação, no tempo que o dono dessa posição marcava de perto o ponteiro adversário.

 

Primeira fase  1967 -   6 jogos 
               1968 -  12 jogos 
               1969 -  18 jogos 
               1970 -  21 jogos 
               1971 -  22 jogos
 
              1972 -  20 jogos
Segunda fase   1975 -  16 jogos
               —————-
 
        Totalizando – 115 jogos pelo Fast

 

NO CRUZEIRO

No ano de 1969, Pompeu desfrutando de bom cartaz, foi visto por olheiros do Cruzeiro, de BH e para lá foi. Permaneceu por quase cinco meses e voltou porque os concorrentes pela posição de lateral esquerdo eram grandes, dentre eles Pedro Paulo e Wanderley. Voltou para o Fast.

Em 1973, Pompeu fez dois jogos de campeonato pelo Rio Negro. Nesse mesmo ano vestiu a camisa do Nacional cinco vezes disputando jogos pelo Campeonato Brasileiro.

NO SÃO RAIMUNDO

Depois da passagem pelo Nacional, Pompeu ingressou no São Raimundo, com estréia no dia 25 de agosto de 1974, contra o Nacional, para o qual perdeu por 4 a 1. Disputou apenas seis jogos pelo time da Colina.

A VOLTA

Em 19 de março de 1975 voltou ao Fast disputando 16 jogos oficiais. Em 1976, retornou ao São Raimundo estreando contra seu ex-clube, com resultado de 1×1. Disputou 22 jogos oficiais, despedindo do futebol local no dia 18 de julho de 1976 num jogo em que venceu a Rodoviária por 2×1.

Nos arquivos do Baú Velho consta o jogo de despedida, numa preliminar de Nacional 2 x 0 Fast, com 7.227 pagantes.

Local: Vivaldo Lima. Árbitro: Alexandre José Lourenço.

Gols: Val e Dentinho (S.R.). Zezinho Bastos (Rodó).

FOI EMBORA

Pompeu, em 2009Pompeu tinha cara de poucos amigos dentro de campo. Por isso, embora militando na crônica esportiva desde 1955, nunca tive contato com ele, apesar de ter um bom circulo de amizade com alguns de seus companheiros, como os irmãos Piola, o goleiro Zé Carlos, Casemiro, Afonso e Adinamar.

Terminada sua missão em Manaus, Pompeu foi embora para Rondônia, onde vive há quase 30 anos.

Lá vive inclusive colaborando com o esporte local como repórter e exercendo cargo num um Hospital Federal.

Surpreendeu-me ao ter contato com Pompeu por ocasião da gravação do Programa ALE no Esporte. De papo agradável, sempre sorridente e, acima e tudo, com firmeza nas respostas.

8
out

PRAÇA BENJAMIM CONSTANT

   Posted by: Carlos Zamith    in Logradouros históricos

Pouca gente conhece a denominação oficial desse logradouro que já foi Praça da Princesa Imperial, depois Praça Antônio Bittencourt, popularmente conhecida como Praça da Saúde na década de 40 e mais tarde conhecida Praça do Congresso, desde quando no local foi realizado o Congresso Eucarístico, em 1942.

 

Praça Congresso

 

                             UM POUCO DE SUA HISTÓRIA

Em 1908, na reunião do dia 21 de agosto da Intendência Municipal, o Intendente Carlos Studart teve um projeto de lei de sua autoria aprovado “dando a denominação de Antônio Bittencourt” a todo o quadrado existente entre as Ruas Ramos Ferreira, Monsenhor Coutinho, Tapajós e Avenida Eduardo Ribeiro e ao mesmo tempo sugerindo que a Rua “Antônio Bittencourt” voltasse a chamar-se Rua Costa Azevedo”.

 

Quase vinte anos depois voltaram a alterar a denominação dessa Praça. O Intendente João Severiano de Souza apresentou projeto, aprovado e transformado na Lei nº. 1.477, de 16 de abril de 1928 e, numa prova de desconhecimento da denominação oficial do logradouro, propôs que a “Praça Benjamim Constant passasse a chamar-se Praça Antônio Bittencourt”. Fez aquilo que já estava feito.


 


praça da saúde


 


Praça da Saúde – chegou a ser conhecida por este nome porque ali existia um belo prédio onde funcionava a Secretaria de Saúde do Estado (foto) e que foi demolido na década de 60. No local foi construída uma agência pertencente à empresa de Correios.


 


Praça do Congresso - o logradouro também ficou muito conhecido como Praça do Congresso, por ter sido palco do Congresso Eucarístico, fato que ensejou a construção de um monumento dedicado a Nossa Senhora, inaugurado a 31 de março de 1942.


 


A área era bem maior, foi reduzida com a construção da sede do Luso Sporting Clube, da Escola da Divina Providência e de alguns bangalôs, principalmente pelo lado da Rua Ramos Ferreira.


 


A Lei de 1996 denomina de “Antônio Bittencourt”, a Rua 05, conjunto Ajuricaba, no bairro da Alvorada.


 


 

2
out

APITO NA BOCA

   Posted by: Carlos Zamith    in Velhos tempos

Em maio de 1947, o Moto Clube, do Maranhão veio a Manaus para cumprir uma série de quatro jogos amistosos. Naquele tempo era difícil a visita de um time de futebol de outro Estado, não só pela dificuldade de transporte, sempre de navio, ou pelo cachê exigido, algumas vezes fora da realidade do nosso futebol.

 

O time maranhense, desconhecido do torcedor amazonense, abafou logo nas primeiras apresentações, goleando o Tijuca por 5 a 2; o Olímpico por 5 a 1; perdeu para o Nacional 3 a 2 e venceu um combinado local por 2 a 0.

 

No jogo de estréia do Moto Clube, o Tijuca reforçado por jogadores de seus co-irmãos, perdeu com:

 

Luizinho Mão de Grude, Darcy e Aurélio; Lupercio, Major e Mariozinho; Cabral, Silvio,(Mário Mattos), Paulo Onety, Mário Orofino (Cláudio Coelho) e Juvenil.

 

No jogo contra o Nacional, numa tarde de domingo, o Parque Amazonense ficou apinhado de gente. O árbitro era o ex-comandante de ataque do Olímpico, Sálvio de Miranda Corrêa, um jovem da sociedade, pertencente a família do dono da fábrica de cerveja XPTO .

 

O jogo estava 2 a 2 no segundo tempo. Na geral um torcedor, o comerciário Wilson Câmara que trabalhava nas Lojas A Pernambucana, cara falante, brincalhão e bem relacionado na sua classe. Câmara era bom de assobio e de quando em vez saltava um parecido com o apito do árbitro, como também fazia o velho Cachoeirinha, do Fast.

 

Pois bem, o Moto Clube estáva no ataque perto de fazer o gol da vitória, quando os jogadores ouviram um apito paralisando a jogada. O Câmara livrara o Nacional de um ataque perigoso e talvez até de um gol.

 

Descoberto, Câmara foi “gentilmente convidado” a se retirar do local e ficou sob à guarda de uns policiais para não perturbar o espetáculo.

Logo depois o ponteiro Lé fez o gol da vitória de 3 a 2, do Nacional, numa tarde consagradora para o já veterano magricela jogador que foi ídolo do Rio Negro.

 

 

 

18-05-1947 – Nacional  3 x 2 Moto Clube

 

Local: Parque Amazonense. Árbitro: Sálvio Miranda Corrêa.

Gols: Marcos Gonçalves, Oliveira e Lé (Nac.) Galego e Zuza (Moto).

 

NACIONAL – Mota, Lupercio e Darcy; Hélcio Sena, Caveira e 31 (Júlio); Oliveira, Paulo Onety, Marcos Gonçalves (Eliseu), Raspada e Lé.

 

           MOTO CLUBE – Ruy, Santiago e Carapuça; Sandovalzinho, Frazio (Dagmar) e Pretinho; Mosquito (Jesus), Valentin, Galego, Zuza e Jaime.

 

Moto Clube

 

Moto Clube, 1947. Em pé: goleiro reserva, Sandovalzinho, Frázio, Dagmar, Pretinho, Santiago, Ruy e Carapuça. Agachados: Valentin, Mosquito, Vinicius, Galego, Zuza, Jaime (?) e Jesus.