Arquivo para janeiro, 2010

30
jan

Lé, grande ponteiro esquerdo

   Posted by: Carlos Zamith    in Astros da bola, Rio Negro

Era magro, boa estatura, chutava forte com a perna esquerda, bom no drible e foi durante muito tempo titular da equipe do Atlético Rio Negro Clube, com uma rápida passagem sem jogar oficialmente, pelo Olímpico Clube e ainda figura obrigatória nas Seleções do Amazonas. No final de carreira, passando da casa dos 30 anos, defendeu o Nacional e foi responsável por uma brilhante vitória num interestadual.

Lé João Chaves Garcia, nascido a 22 de outubro de 1914, mais conhecido como Lé, foi um dos mais completos ponteiros do nosso futebol na época do amadorismo. Um tipo magricela de pernas finas, mas chutava com boa potência. Driblava bem, sempre se derivando para o meio da zaga adversária. Marcou muitos gols vestindo a camisa barriga-preta que tão bem lhe assentava. Teve uma carreira bonita, muito mais num dia em que fez um gol que ficou na história, quando vestia a camisa do Nacional já no ocaso de sua carreira, depois que o seu Rio Negro abandonou o futebol ao terminar o campeonato de 1945.

Três títulos defendendo o Rio Negro. A primeira vez que botou a faixa de campeão, foi em 1938, junto com Yano, Amancio, Facadinha, Valdemar Palhaço, Hildebrando, Meireles e o famoso ataque denominado de “os granadeiros”, com Babá, Bezerra, Cláudio, Benjamim e Lé. Em 1939 perdeu o título numa dramática decisão contra o Nacional, nos celebres quinze minutos jogados no Parque. Voltou a ser campeão em 1940, praticamente com os mesmos companheiros de 1938, apenas incluindo alguns novatos como Luizinho Mão de Grude, Zenith Pimentel e Guilherme.

Defendendo a seleção do Amazonas nos memoráveis jogos contra o Pará, Lé começou em 1938, titular absoluto de um time em que faziam parte, Gutemberg, Tuta, Amancio, Parintins, Ciro, Marcilio, Cloter Gama, Cláudio Coelho, Vidinho e Barrote.
Em 1939, voltou a fazer parte do time amazonense em outra série contra o Pará. Desta feita com Yano, Amancio, Tuta, Parintins, Almir Marques, Pedro Sena, Cláudio Coelho, Adair Marques, Silvio Miranda Corrêa e Osak Soares.

Em 1943, outro título como rionegrino, com Yano, Darcy, Velhinho, Marcilio o paulista Salum Omar, Valdemir Osório, Zenith, Dog e o arrasador ataque formado por Oliveira, o cearense França, Cláudio Coelho, o paraense Silvio e Lé. O Rio Negro seria o legítimo campeão de 1945, mas uma manobra de bastidores tirou-lhe a conquista e por isso o clube abandonou os gramados extinguindo seu departamento de futebol. Seus jogadores tomaram outros rumos, alistaram-se em outras agremiações. Lé foi parar no Nacional, o mais ferrenho rival de seu Rio Negro. Estava na casa dos 33 anos, idade que para um jogador de futebol significa final de carreira. Mas um final feliz e de consagração total. (Foto Lé e Benjamim)
Em maio de 1947, o Moto Clube, do Maranhão veio a Manaus cumprir temporada de quatros jogos seguidos. Naquele tempo era difícil a visita de um time de outro centro pela dificuldade de transporte e algumas vezes pelo cachê exigido.

O time maranhense, desconhecido do torcedor amazonense, abafou nas primeiras apresentações, aplicando duas goleadas; 5 a 2 no Tijuca e 5 a  1, no Olímpico.
O jogo seguinte contra o Nacional. O Parque Amazonense, numa tarde de domingo, apanhou um publico numeroso. O juiz era o ex-comandante de ataque do Olímpico, Sálvio Miranda Corrêa, um jovem da sociedade, filho do dono da fábrica de Cerveja XPTO.

Para se ter uma idéia do público presente, no jogo contra o Olímpico a renda foi de 30 mil cruzeiros; contra o Tijuca, 27 mil e contra o Nacional, chegou a 45 mil cruzeiros. O público nunca era anunciado.

Lé e BenjamimO Moto Clube formou com Ruy, Santiago e Carapuça; Sandovalzinho, Frázio (Dagmar) e Pretinho; Mosquito (Jesus), Valentin, Galego, Zuza e Jaime. Um time de jogadores de boa categoria técnica e já profissional com um futebol que enchia os olhos do torcedor pelo bom toque de bola. Eram destaques do time maranhense, o goleiro Ruy, os zagueiros Santiago e Carapuça, Sandovalzinho, Valentim, Zuza e o paraense Jaime.

O Nacional estava com Mota, Lupercio e Darcy; Hélcio Sena, Caveira e Trinta e Um depois Júlio; Oliveira, Paulo Onety, Marcos Gonçalves (Elizeu), Raspada e Lé.

O jogo estava com o marcador igual em 2 a 2, no segundo tempo. Galego e Zuza marcaram para os visitantes. Marcos Gonçalves e Oliveira, para o Nacional, que atacava para o gol que dava para o Beco do Macedo.

O herói do jogo foi o ponteiro Lé, marcando o gol da vitória do Nacional em jogada característica de suas grandes jornadas. Pegou a bola pela esquerda e tomou o caminho do miolo do ataque para vencer, de forma inapelável, o baixinho goleiro Ruy. Pouco depois o jogo terminou. A torcida, como sempre acontecia em momentos de euforia, entrou em campo e carregou o magricela Lé, o grande herói da inesquecível jornada.
Era o último ano de Lé defendendo times da primeira divisão, mas nunca abandonou o futebol.

Chegou a trabalhar como auxiliar de arbitragem, na época do “juiz de gol”, um auxiliar que ficava encostado às metas para tirar qualquer dúvida e transferi-la para o árbitro central.
Foi até dono de um time suburbano, o Canto do Rio, que jogava quase sempre na Escola Técnica. Funcionário da Policia Civil, emprego que ganhou com o futebol, Lé teve um triste fim: suicidou-se no dia 21 de agosto de 1957, aos 43 anos de idade, em razão de alguns problemas familiares, com a própria arma que usava como policial.

Seu corpo está num bem cuidado mausoléu no Cemitério de São João Batista.

28
jan

Nêgo, do Fast

   Posted by: Carlos Zamith    in Astros da bola, Fast

Nêgo do Fast 1960Na década de 50, muitos torcedores iam futebol quando o Fast jogava, não só para ver o seu time preferido, como para assistir ao espetáculo de um de seus defensores que, além de jogar um bom futebol, era também um grande torcedor dentro de campo.

Os mais antigos devem estar lembrados de um lateral esquerdo, de cor escura, vindo do interior do Estado e que tinha o apelido de Nêgo. A torcida, mesmo a adversária gostava dele, do seu futebol alegre, do seu jeito sempre risonho, incapaz de atingir qualquer colega de profissão.

O torcedor se divertia ainda mais quando ele se danava a torcer com muita vibração dentro de campo. Se o seu time estivesse atacando, lá atrás o Nêgo chutava o vento e pulava quando o atacante dava uma impulsão para alcançar a bola, sempre com o braço esquerdo levantado e a munheca caída à altura da cintura. Chegava a fazer movimentos de goleiro na ocasião em que o adversário agarrava a bola. Muitos torcedores chegavam a abandonar o jogo só para ver as peripécias do Nêgo, tudo feito com a maior naturalidade deste mundo, a ponto de ser, também, observado pelos seus próprios companheiros de equipe.

Assim era o Francisco Ferreira Lima (Nêgo), nascido no município amazonense de Benjamim Constant a 17 de junho de 1925, onde começou a brincar com a bola. Pelo time de seu município, chegou a jogar na cidade de Iquitos e participou, ainda, da Cruzada, de Letícia quando não tinha compromisso em Benjamim Constant. Tudo isso aconteceu quando estava na faixa de 16 a 20 anos de idade.

Em junho de 1948, atendendo a um convite do cidadão Alberi, comprador de madeira da Serraria Rodolpho, de Manaus, Nêgo aqui chegou para jogar no Rio Negro, mas o Alberi não sabia que o futebol dessa agremiação havia sido extinto. Nêgo ficou meio sem rumo, mas o seu “padrinho” deu-lhe casa e comida enquanto não se resolvia o seu problema.  Um dia Nêgo foi apresentado ao técnico João Liberal pelo próprio Alberi. Fez um treino no dia 18 de junho de 1948 e logo assinou compromisso, estreando nove dias depois contra o Nacional que há dez anos não perdia para o Fast. Nêgo foi feliz, pois o Fast venceu por 2×1 e ele marcou o primeiro gol de seu time, enquanto Paulo Onety fez o outro.

 O pequenino Rui (já falecido) era o ponteiro esquerdo titular do Fast e seria marcado pelo zagueiro Caçador, um jogador de bom porte físico e acima de tudo um carrasco dentro de campo, temido por quase todos os atacantes da época. Falaram que Rui tinha medo do Caçador e por isso ele não apareceu para jogar. Diante disso, o técnico Liberal deu a camisa onze para Nêgo jogar como ponta, enquanto Dedé era deslocado para a lateral, entrando Canhão na zaga central.

O Fast foi bicampeão da cidade, 1948-1949 e Nêgo era titular absoluto, voltando a conquistar outro título em 1955. No ano seguinte, admitido como funcionário do Basa e com a determinação de servir em Benjamim Constant lá se foi ele deixando o seu Fast, mas em 1960 estava de volta a Manaus, ganhando a posição de titular novamente, pois sempre esteve em atividade em sua terra para manter a forma. Voltou para ser mais uma vez campeão com a camisa do Fast, largando o futebol, já com 35 anos de idade.

Andou pelo interior a serviço do Banco e aproveitou para tornar-se treinador do Nacional, de Parintins, pelo qual foi bicampeão. Treinou ainda o Náutico, de Itacoatiara.  Aposentado desde 1988, Nêgo andou sumido, pois tinha um pequeno comércio na cidade de Manacapurú, mas liquidou tudo e veio morar em Manaus.

26
jan

Fique sabendo…

   Posted by: Carlos Zamith    in Sem categoria

Iarley… que o novo reforço do Corinthians, para o campeonato paulista deste ano, é o jogador Iarley, que na temporada passada defendeu o Goiás, já jogou em Manaus. Com ele vieram Dorgival e Alysson.

Atuou pelo Nacional estreando contra o São Raimundo, em 14-02-1998, resultado de 1 a 1. Jogou até 20-09-1998, contra o Vênus, pelo Campeonato Brasileiro com vitória de 5 x 0. Na temporada em que defendeu o Nacional marcou 8 gols.

Ele foi Campeão Mundial pelo Internacional (RG) em 2006/07. Em 2008-2009 atuou pelo Goiás.

Pedro IARLEY Lima Dantas, nasceu em Quixeramobim-(CE).

A MAIOR GOLEADA

Chicão Sul América… que a maior goleada registrada ano futebol de 16 a 0, no campo da Colina, no dia 7 de junho de 1959 Manaus, aconteceu há mais de 40 anos. O Sul América, ainda no regime amador, derrotou o time do Guarani por.

O Guarani havia subido à primeira divisão nessa temporada e voltou à Segunda  logo a seguir porque não conseguiu classificar-se na primeira fase.

Sul América, time da goleada: Wilson, Almir Macarrão e Amor; Zamundo, Sula e Carrapeta; Assis, Chicão, Milton Prudente, Evilázio e Azedo.

Nesse jogo, o avante Chicão (foto) marcou 7.

ARMANDO MARQUES

ArmandoMarques… que o consagrado árbitro brasileiro, Armando Marques, nos primeiros anos da Federação Amazonense de Futebol (FAF), apitou um jogo pelo Campeonato Amazonense. O jogo era entre Nacional x São Raimundo, na Colina, dia 04-9-1968, resultado de 1 a 1. Zezé para o Nacional e Airton, para o São Raimundo, com 10.538 pagantes.

Nacional: Marialvo, Pedro Hamilton, Jonas, Berto e Téo; Mário Motorzinho e Rolinha; Zezé, Rangel, Pretinho e Almir.

São Raimundo: Valdir Melo, Hamilton, Valdir Santos e Zézinho; Jaime Basílio (Santos) e Itagiba (Melo); Augusto, Aírton, Santarém e Amiraldo.

Arnaldo cesar coelhoARNALDO CÉSAR

Nesse mesmo ano outros árbitros, principalmente do Rio e de São Paulo, apitaram em Manaus, como Arnaldo César Coelho, (foto) que dirigiu Nacional 2 x Fast 0, em 29-09-68, José Aldo Pereira, Amílcar Ferreira, Gualter Portela Filho, José Astolfi, Geraldinho César, Carlos Floriano Vidal, Carlos Costa, Mário Vinhas e Antônio Viug.

23
jan

Zamundo, a mola propulsora

   Posted by: Carlos Zamith    in Astros da bola, Sul América

Numa tarde de domingo, no campo do Parque Amazonense, mês de junho de 1956, jogavam Nacional e Sul América pelo campeonato oficial. Era um jogo que despertava a atenção do torcedor pela bela campanha dos dois times e que por isso compareceu em bom número ao Estádio, predominando, é claro, a do Nacional.

Nesse dia a Rádio Rio-Mar, recem-inaugurada, colocava sua equipe esportiva para a transmissão do encontro, com uma dupla de jovens principiantes: João Lins e Luís Verçosa, ambos ex-atletas do esporte de quadra do Rio Negro. Luís Verçosa transmitia o jogo do lado da arquibancada, num reservado conhecido como “pombal da imprensa” e, quando um jogador se apoderava da bola, com ênfase ele dizia: “lá vai a mola propulsora do Sul América”, referindo-se ao jogador Zamundo que estava começando no time titular do “Trem da Colina”, como meia armador de bom controle de bola, muito fôlego, sempre defendendo e atacando com a mesma eficiência.

Nesse dia Zamundo foi considerado pela emissora, cujo prefixo era ZYB-20, como o melhor jogador em campo, embora a vitória tenha favorecido ao Nacional pôr 2 a 1, gol de Dadá e Português, enquanto Alemãozinho fez o tento do Sul América formado com Sandoval, Aurélio e Reinaldo; Sula, Artur Tribuzzi, e Carrapeta; Alemão, Zamundo, Ney, Evilásio e Tota.

Valter Reategui, um sargento do Exército (já falecido) que residia no bairro de São Raimundo, foi o mediador desse jogo.

Raimundo Pimenta, o Zamundo, até hoje não sabe como surgiu esse apelido. Acha que foi nas peladas do campinho do bairro da Glória, na época de Fredoca, Sula, Carrapeta, Tota e Assis.
 
Nascido no próprio bairro de São Raimundo, numa casa da Rua 5 de Setembro, Zamundo começou nos juvenis do Sul América e logo foi promovido a titular. Jogou quase oito anos no Sul América. Fez parte do time que derrotou o Guarani por 16 a 0, pelo campeonato de 1959, no campo da Colina, um escore até hoje imbatível. Em 1963 teve que parar em conseqüência de uma contusão muito forte, mas voltou aos gramados no ano seguinte com a camisa do São Raimundo e jogou até 1966 ajudando-o a ser campeão da cidade embora com apenas duas participações durante a campanha que só terminou em 1967. Depois disso parou, dedicando-se somente às peladas nos finais de semana.

Por duas vezes Zamundo formou na Seleção do Amazonas. Em 1960 em jogos contra o Pará. Perdeu de 3 a 1 em Belém e de 3 a 2 em Manaus, num time que jogavam:
Simões, Jaime Costa e Gatinho; Zamundo, Basilio e Orlando Mineiro; Tucupí, Dermilson, Gordinho, Hugo e Horácio. Em 1962 novamente convocado, jogou contra o Maranhão. Perdeu as duas partidas. No Parque pôr 3 a 1 e em São Luís, pôr 4 a 1. Nesse ano a Seleção jogava com Pedro Brasil, Boanerges e Valdir Lima; Zamundo, Sula e Vanderlann; Aírton, Tomas, Santarém, Dermilson e Hugo.

Zamundo teve várias participações com a camisa do Auto Esporte na década de 50, sempre requisitado para reforçar o time em jogos interestaduais. Funcionário aposentado da Prefeitura, como magarefe, ainda trabalhou na mesma profissão para melhorar os proventos.

Casado, pai de três filhos, um deles homem, mora ainda no bairro onde nasceu. Vive modestamente, numa árdua luta para sobreviver, mas nunca se queixa de nada, mesmo estando em dificuldades.

Zamundo e Sula
Na foto: Zamundo (Sul América) e Sula (Nacional), em 1967.

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