Arquivo para fevereiro, 2010

27
fev

Amistoso com casa cheia

   Posted by: Carlos Zamith    in Nacional, Rio Negro

No dia 26 de setembro de 1971, foi realizado um jogo amistoso entre Rio Negro e Nacional, no Estádio “Vivaldo Lima”, com acesso ao portador de carnês vendidos antecipadamente pela entidade em conjunto com a Associação dos Cronistas Esportivos do Amazonas (ACLEA), e desconto de 50% no preço para qualquer setor do Estádio.

O jogo despertou a atenção do público em virtude da grande cobertura dada pela imprensa. Foram 30.004 pagantes para ver o clássico Rio-Nal, o segundo realizado no estádio Vivaldo Lima, inaugurado a 5 de abril de 1970.

NACIONAL 2 x 2 RIO NEGRO

Juiz: Manoel Luís Bastos. Auxiliares: Adriano Ofilini e Alexandre José Lourenço.

Empate no tempo normal. Rolinha (Nac.) aos 2, do 1º tempo.  No 2º. Tempo, Anízio (RN) aos 8, Mário Vieira (Nac) aos 22 e Parada (RN) aos 29.

Prorrogação de 20 minutos sem alteração no marcador.
Penalidades máximas, três para cada time: Rio Negro, 2×1.

Parada e Dirlei marcaram e Zé Carlos chutou fora (RN).
Eraldo marcou. Hércules e Rolinha perderam (Naça).

RIO NEGRO – Carlos Henrique, Pedro Hamilton, Zé Carlos, Valter Costa (Dirlei) e Vanderlei; Tamilton (César) e João Pereira (Géo); Garcia (Gilberto), Luís Darque, Wilson Lopes (Parada) e Anízio.

NACIONAL – Procópio, Eraldo, Tarcisio (Aveiros), Valdomiro e Chiquinho; Mário Vieira e Rolinha; Olavo, Márcio Mineiro (Hércules), Wilson Lopes e Valdir dos Anjos (Julião).

Rio Negro e nacional com casa cheia
Clóvis defende assistido por Catita e Edmilson (camisa 2)

 
INGRESSOS VENDIDOS NO ESTÁDIO

 5.069 gerais         a  2,00  10.138,00
13.428 arquibancadas  a  4,00  53.712,00
   231 numeradas      a  8,00   1.848,00
 1.352 crianças       a  1,00   1.352,00

INGRESSOS NO CARNÊ COM DESCONTO

   309 gerais         a  1,00     309,00
 9.090 arquibancadas  a  2,00   1.818,00
   525 numeradas      a  4,00   2.100,00

30.004 pagantes.  Total:  Cr$  71.177,00

25
fev

Em seis jogos, Naça só perdeu uma vez

   Posted by: Carlos Zamith    in Campeonatos, Nacional

Escudo do NacionalEscudo do São PauloNacional x São Paulo, no Campeonato da CBF, já se enfrentaram seis vezes com cincos empates e apenas uma vitória do time paulista. Duas vezes o Nacional jogou no campo do adversário, no Morumbi e de lá saiu com dois honrosos empates. Em todos os jogos os escores foram apertados: três empates de 1×1, um de 2×2, outro de 0×0 e uma vitória do São Paulo, no Vivaldo Lima, por 1×0. Nos seis jogos, o São Paulo marcou sete gols e o Nacional seis.

 

04-10-1972 – NACIONAL 1 x 1 SÃO PAULO
Local: Vivaldo Lima. Público Pagante: 18.018.

Árbitro: Arnaldo César Coelho, da FCF.

NACIONAL – Edson Borracha, Antônio Piola, Jurandir, Café e Nelson Souza; Mário Vieira e Rolinha; Ismael, Lacy (Pedrilho), Campos e Reis.

SÃO PAULO – Vanderlei, Nelson, Lima, Arlindo e Gilberto Sorriso; Edson e Teodoro; Paulo (Wilton), Zé Carlos, Toninho Guerreiro e Paraná.

Gols de Toninho aos 43, do 1º tempo e Campos, aos 40, do 2º tempo.

28-10-1973 – NACIONAL 0 x 0 SÃO PAULO
Local: Morumbi, em São Paulo.

Árbitro: Agomar Martins (gaúcho)

NACIONAL – Procópio, Luís Alberto, Tião, Eurico Souza e Lúcio; Jorginho e Toninho Cerezo; China, Serginho (Luís Carlos), Bené (Marcos Silveira) e Ângelo.

SÃO PAULO – Sérgio, Nelson (Forlan), Mário, Arlindo e Gilberto Sorriso; Chicão e Pedro Rocha; Terto, Zé Carlos, Mirandinha e Piau (Zé Roberto).

10-03-1974 – SÃO PAULO 1 x 0 NACIONAL
Local: Vivaldo Lima. Público pagante: 21.528. 

Árbitro: José Luís Barreto.

NACIONAL – Délcio, Antenor, Renato, Eurico Souza e Luís Florêncio; Jorginho e Ângelo; Roberto, Bibi, Expedito e Reis.

SÃO PAULO – Valdir Peres, Nelson, Paranhos, Arlindo e Gilberto Sorriso; Chicão e Pedro Rocha; Ratinho (Jesum), Silva (Ademir), Serginho Chulapa e Piau.

Gol de Ademir, aos 40, do 2º tempo.

16-03-1980 – NACIONAL 2 x 2 SÃO PAULO
Local: Vivaldo Lima. Público pagante: 9.047.

Árbitro: Leandro Serpa (CE)

NACIONAL – Beto, Foguinho, Jouber, Ricardo e Sérgio Vieira; Tovar (Armando), Dão (Sarará) e Nilson; Bendelak, Letiere e Reis.

SÃO PAULO – Valdir Peres, Ney, Marião, Getúlio e Jesum; Teodoro, Renato (Pereira) e Ailton Lira; Paulo César (Edu), Serginho Chulapa e Zé Sérgio.

Gols de Letiere (Naça) aos 50 segundos, Ailton Lira aos 18 e Serginho Chulapa aos 30, do 1º tempo. Nilson (Naça) e penal, aso 35, do 2º tempo.


08-02-1982 – NACIONAL 1 x 1 SÃO PAULO
Local: Vivaldo Lima, 4a.feira à noite. Público pagante: 28.488.

Árbitro: Aristóteles Cantalice (PE).

NACIONAL – Reginaldo, China, Marcão, Paulo Galvão e Wilson; Isidoro, Sérgio Duarte e Fernandinho; Bendelak, Almir (Freitas) e Nilson.

SÃO PAULO – Valdir Peres, Paulo Roberto, Oscar, Cassem e Nelsinho; Zé Mário (Pianeli), Humberto e Renato; Márcio Araújo (Jaiminho), Agnaldo e Zé Sérgio.

Obs.: O zagueiro Gassem, do São Paulo, foi expulso no 2º tempo.
Gols de Agnaldo (SP), aos 15 e Bendelak (Naça) aos 29, do 1º tempo.

18-02-1984 – NACIONAL 1 x 1 SÃO PAULO
Local: Morumbi. Público pagante: 4.045.

Árbitro: Alceu Coronado (Paraná).

NACIONAL – Reginaldo, China, Marcão, Paulo Galvão e Wilson; Marquinho, Sérgio Duarte e Fernandinho (Nilson); Bendelak, Peu e Almir (Freitas).

SÃO PAULO – Valdir Peres, Pulo Roberto, Oscar, Dario Pereyra e Nelsinho; Humberto, Renato e Pianeli (Marcão); Márcio Araújo (Jaiminho), Agnaldo e Zé Sérgio.

Obs.: Freitas, do Nacional, foi expulso de campo logo após substituir a Fernandinho.

Os gols: Almir (Naça) aos 33 e Marcão (São Paulo), aos 38, do 2º tempo.

23
fev

Rua Miranda Leão

   Posted by: Carlos Zamith    in Ruas de Manaus

A rua Miranda Leão – que se inicia na Rua Marquês de Santa Cruz e termina no igarapé de Educandos – recebeu essa nomenclatura em 1920. Miranda Leão nasceu no município amazonense de Maués, a 09/01/1869.

Foi o Intendente Dr. Fulgêncio Martins Vidal que, na reunião da Intendência (hoje Câmara Municipal) do dia 16 de junho de 1920, ocupou a tribuna para apresentar um projeto de lei com esta justificativa:

“Para mim seria doloroso se não o fizesse, pois jamais poderia deixar que a esponja do tempo apagasse o nome de um ilustre amazonense tão cedo roubado do convívio daqueles que de perto o conheciam e apreciavam a sua vasta e profunda erudição e o seu caráter sem jaça. Quero, pois, me referir ao meu saudoso amigo e colega Dr. João Coelho de Miranda Leão, para que requero seja lançada na Ata dos nossos trabalhos de hoje, voto de profundo pesar”.


Exibir mapa ampliado

Prosseguindo da tribuna, o orador disse:

O distinto morto exerceu durante alguns anos os cargos de Intendente e Superintendente deste Município em os quais sempre revelou competência em administração operosa e honesta, também como Diretor do Serviço Sanitário deste Estado. Foi ele o primeiro médico desta cidade que iniciou por conta do governo do Coronel Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt, os trabalhos da profilaxia contra a Febre Amarela, cuja glória da extinção desta não lhe coube, porque justamente quando os casos de óbitos vinham sendo resumidos, aportou aqui uma Comissão nomeada pelo Governo Federal para tal fim, mas em parte muito lhe deve”.

Durante a epidemia gripal, como Chefe do Serviço Sanitário, foi incansável e dedicado em combater o mal, salientando-se entre os que muito trabalharam nessa quadra temerosa e aflita que, então atravessamos, conforme se poderá ver nos jornais, chegando até, juntamente com outros, a dirigir os enterramentos nos dias mais angustiosos que passamos em meados de novembro de 1918. Miranda Leão deixou a clínica que lhe dava meios de subsistência para empregar suas atividades no elevado cargo que exercia e para atender somente aos desprotegidos da sorte que necessitavam de seus serviços profissionais. A um amazonense tão distinto, tão honesto e tão humanitário, este Conselho deve render-lhe o devido preito, gravando-lhe o nome em uma das ruas desta cidade e prestando-lhe as últimas homenagens perpetuando-lhe a sepultura e levantando-lhe um mausoléu condigno com a sua posição”.


Depois dessas considerações, o Intendente Fulgêncio Martins Vidal apresentou um projeto de lei com esta redação:


Em homenagem ao distinto médico amazonense Dr. João Coelho de Miranda Leão, pelos relevantes serviços prestados ao povo desta cidade, toma o nome de Rua “Doutor Miranda Leão” a Rua”Marechal Hermes”, antiga Rua dos Remédios, e fica perpetuada a sepultura nº. 19.023, do Cemitério de São João Batista, onde jazem os restos mortais do pranteado patrício, Dr. Miranda Leão“.

Ao concluir a sua oração, o Intendente deu ainda as seguintes explicações ao Plenário:

“Apresentando este projeto, devo uma explicação aos meus pares, bem assim ao povo deste Município. Proponho a mudança do nome da antiga Rua dos Remédios depois Marechal Hermes, para o nome do pranteado Dr. Miranda Leão, porque o nome do nosso estimado patrício e ínclito Marechal do nosso glorioso Exército já se acham assinalado em belo Grupo Escolar, sendo esta a razão porque pensei em substituir o nome da referida rua, sem querer de modo nenhum trazer a menor desconsideração ao nosso ilustrado Marechal”.

O projeto foi aprovado na reunião do dia 17 de julho de 1920 passando a ser Lei nº 1040.

Miranda Leão havia cometido suicídio no dia 26/06/1920, com um tiro de revolver na cabeça, um fato inesperado pelos seus mais chegados amigos, pois era um homem equilibrado. Corriam notícias de que ele havia descoberto estar com lepra, talvez por ter exercido a profissão de médico no Leprosário do Umirisal.

(Dados colhidos em livros de Atas da Câmara Municipal)

20
fev

Os últimos quinze minutos dramáticos

   Posted by: Carlos Zamith    in Nacional, Rio Negro

Quando o jogo programado é um clássico Rio Negro x Nacional, fico matutando e a memória me traz à lembrança de um que não esqueço jamais. Faz muito tempo e poucos são aqueles que ainda recordam. Eu era garoto e um torcedor ranzinza da União Esportiva Portuguesa, mas gostava de ver qualquer bom jogo e esse Rio Negro e Nacional chamou-me a atenção porque tinha um aspecto decisivo muito especial. Nosso futebol era amador, no tempo em que o jogador tinha verdadeira adoração pela camisa que vestia e muito difícil era mudar de clube.

COMO FOI

Quase no final do ano de 1939 o “drama” aconteceu mais ou menos assim:

Jogo no Parque Amazonense com arbitragem de Tácito Moura um bom jogador da União Esportiva no tempo de Dico, Rabito, Jokeide Barbosa e Tenente. O clássico, que naquele tempo ainda não era chamado de Rio-Nal, não chegou a terminar. O marcador acusava 4 a 4, resultado que daria o título ao Rio Negro.

Aos 30 minutos do segundo tempo, o árbitro marca um penal contra o Rio Negro. O comandante e ídolo rionegrino, Cláudio Coelho, não se conformou e impediu a cobrança da falta. Segurou a bola (naquele tempo ainda de bico), alegando que “não houve falta alguma”.

O tempo foi passando, discussão dos dois lados e não chegaram a um acordo, mesmo porque apenas uma bola era levada aos jogos. Escureceu e como no Parque não havia luz artificial, o jogo foi suspenso.

NO TRIBUNAL

O problema, como era natural, foi parar no Tribunal da entidade e passou algum tempo para ser decidido, até que foi encontrada uma fórmula que agradou aos contendores: “jogar os quinze minutos restantes, com o marcador de 4 a 4 e começando com a cobrança do penal em favor do Nacional”.

O Parque ficou lotado e eu estava por lá, bisbilhotando aqui e ali, ouvindo os comentários e olhando uma ambulância, quando ainda era chamada de “assistência”, bem equipada, dentro do próprio estádio, abaixo da escadaria do portão principal, para qualquer eventualidade.

 

O REINICIO

Cobrança o penal, no início dos 15 minutos finais
Cobrança o penal, no início dos 15 minutos finais

Os quinze minutos começaram com a cobrança do penal para o gol que dava para a Vila Municipal. O técnico do Nacional, o antigo goleiro Praxiteles Antony, às escondidas, passou a semana toda treinando Pedro Sena na cobrança de penalidades.

O arbitro escolhido era outro, o centro-avante Sálvio Miranda Corrêa, boa pinta, jogador do Olímpico com passagem pelo time de aspirantes do Fluminense, do Rio. Aceitou a dura incumbência na condição seguinte: são quinze minutos cheios, como se faz no basquetebol.

Iano no gol do Rio Negro e Pedro Sena preparado para a cobrança. Com categoria marcou 5 a 4 para o Nacional. Rapidamente foi dada nova saída. A torcida ainda festejava o gol de penal, Cláudio (foto ao lado) esticou para Babá na ponta. Este cruzou e Cláudio fulminou a meta de Joel. Era novo empate, 5 a 5, resultado bom para o Rio Negro.

Cláudio o ídoloDECEPÇÃO

O tempo foi passando. Torcedores e dirigentes do Rio Negro, inclusive o presidente Flávio de Castro deixavam a desconfortável arquibancada de madeira para abraçar os seus campeões. Já no último degrau da velha escadaria, ouviu-se uma imensa gritaria. Julgavam que o jogo havia terminado. Puro engano: gol do Nacional quando faltavam 30 segundos. O ponteiro Didi cruzou rasteiro da esquerda e Emanuel entrou de carrinho para marcar o gol do título; Nacional, 6 a 5. Esse jogo foi bom, eu vi e não esqueço.

NACIONAL – Campeão com Joel, Beré Raposo e Otílio Farias; Lupercio, Pedro Sena e Manoel Braga; Casquinha, Barrote, Garibaldi Emanuel e Didi.

Nessa campanha o Nacional ainda utilizou os goleiros Ney Rayol e Manuel Alexandre, o zagueiro Humberto Peixoto e os atacantes Maurício, Jofre Chacon, Dôda.

Titulares e reservas do Campeão de 1939
Titulares e reservas do Campeão de 1939 – Em pé: Humberto Peixoto, Praxiteles Antony, Lupercio, Mauricio, Jofre Chacon, Didi, Doda e Barrote. Agachados: Pedro Sena, Casquinha, Manoel Braga, Ney Rayol, Joel, Manuel Alexandre, Beré e Garibaldi. Na foto faltam os titulares Otílio Farias e Emanuel.

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