Arquivo para março 3rd, 2010

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Sandoval

   Posted by: Carlos Zamith    in Astros da bola

Sandoval (1951)Cinco títulos seguidos como titular de um time de futebol não é qualquer um que consegue tal façanha que ficou por conta de um dos grandes goleiros do Amazonas nas décadas de 40 e 50. Foi no amadorismo, quando o futebol amazonense nem sonhava em se profissionalizar. Numa época em que os clubes caminhavam sem qualquer estrutura, sem departamento médico e até sem massagista, cujo trabalho quase sempre era entregue a um desses fanáticos torcedores, sem qualificação para a função.

No futebol amazonense como dono absoluto da posição, conseguiu ser pentacampeão, uma conquista muito difícil para a época. Era o goleiro Sandoval, na pia batismal Sandoval de Jesus Monteiro, nascido no Maranhão a 3 de março de 1926 e que veio para Manaus muito criança (Foto de 1951, como goleiro da Seleção do Amazonas).

Começou a bater bola também criança, agarrando a tão incômoda bola de couro duro com uma tira também de couro que servia para esconder o bico da câmara de borracha. Não era na verdade a sua posição preferida. Tinha tendência para atacante, para goleador, mas no arco exibia muito mais a sua qualidade de futuro craque.

Das peladas dos campos do bairro da Cachoeirinha, jogando no time do Madureira, foi parar no infantil do Rio Negro, por volta de 1942 jogando ao lado dos irmãos Silas e Clovis do Vale, Juvenil, Edison Souza, Rabicó, Taiguara e Aládio. Tinha apenas 16 anos e já era “cobra” na posição.

Depois foi subindo, sempre requisitado pelos times suburbanos até que chegou ao time de aspirantes do Nacional em 1946, onde ficou até o início de 1949, porque foi defender o Barés, sagrando-se logo campeão do Torneio Inicio da primeira divisão, ao lado de Mário Matos, Gatinho, Hélcio Sena, Gato, Júlio, Artur Tribuzzi, Aderaldo, Nagib Chama, Nery e Linhares. Sandoval era um goleiro que não tinha boa estatura, mas a agilidade e o senso de colocação eram as principais virtudes, despertando a atenção dos paraenses.

Sandoval-defesasem título5Sandoval transferiu-se para o futebol do Pará, mas sua permanência por lá foi rápida. Voltou e alistou-se no Nacional para ser campeão invicto em 1950, substituindo Vicente que até então vinha sendo o titular. Campeão com Mário Matos e Lupercio; Hélcio Sena, Gato (Caçador) e Antonino (Gioia); Cabral, Hélcio Peixoto, Luciano, Raspada e Linhares. (Na foto ao lado, num jogo do América em 1952, no Parque. Á direita o zagueiro Darcy).

No ano seguinte o Nacional ficou fora do campeonato, envolto em grande crise financeira e Sandoval passou a defender o América dirigido pôr Cláudio Coelho. Quatro vezes, de 1951 a 1954, campeão como titular da equipe. Tinha um bom reserva, o Augusto, jogador que poderia brilhar em qualquer outro clube, mas se contentou em ser um eterno reserva. Cláudio Coelho, um rionegrino que foi ídolo na década de 40 como jogador, levou o América aos quatro títulos seguidos.

Quando o jogo estava fácil para o seu time, Sandoval gostava de brincar com a torcida adversária, fazendo golpes de vista, acenando para a bola quando ela ia pelo alto ou agarrando-a com os braços voltados para as costas, ou ainda dependurando-se no poste horizontal da sua meta. Tudo isso o levou a ser um tanto repudiado pelos adversários, que lhe deram o apelido de “Zé Coió”, nome de um humorista que ficou em Manaus durante muito tempo animando os espetáculos da Festa da Mocidade, da Rádio Difusora e que tinha trejeitos do sexo frágil.

Sandoval, Nonato e MoaciroTerminado o campeonato de 1954, já quase na metade do ano de 1955, o time do América foi praticamente desfeito. Cláudio Coelho transferiu-se para o Auto Esporte que ia disputar o campeonato da primeira divisão e com ele foram quase todos os jogadores do América, mas Sandoval preferiu tomar o caminho da Colina, ingressando no Sul América, no tempo de Reinaldo, Sula, Carrapeta, Aurélio, Alemãozinho, Zamundo, Ney, Evilásio e Tota, além de Artur Tribuzi, Teodoro, Moacir e do saudoso Hélcio Sena. (Na foto de 1995, Nonato, Sandoval e Moacir).

No Sul América jogou até 1960 e depois se tornou treinador, chegando a acumular 17 jogos sem perder, no campeonato de 1961. Sempre destacou que no Sul América teve a melhor fase financeira no futebol. Os torcedores eram apaixonados pelo clube e tratavam os jogadores com muito carinho.

Sandoval (1990)Jogar na seleção é a meta de qualquer jogador de futebol. Sandoval foi um dos selecionáveis de 1949 a 1954 como titular. Jogou Pará, Cuiabá e Goiás. Sua última convocação deu-se em 1956, como reserva de Marcos Marinho, sem jogar nenhuma das duas partidas. O Amazonas perdeu para o Pará por 7×0.

Funcionário aposentado da Fazenda Estadual, Sandoval morreu na madrugada do dia 27 de janeiro de 2008, pouco antes de completar 82 anos, tombando no banheiro de seu apartamento, vitima de uma parada cardíaca, um problema que já enfrentava há algum tempo.

Muito amigos e antigos jogadores de futebol, do América, Rio Negro e Sul América, estiveram presente ao seu sepultamento.