Arquivo para junho, 2010

26
jun

Luizinho – mão de grude

   Posted by: Carlos Zamith    in União Esportiva Portuguesa

Luizinho - mão de grudeEle foi considerado um dos grandes goleiros do nosso futebol na década de 40. Veio da cidade de Parintins na época do amadorismo para defender o Atlético Rio Negro Clube com o eventual substituto de Iano Monteiro que já estava em final de carreira.

Luíz de Souza Gonçalves ou Luizinho “Mão de Grude” chegou ao início dos anos quarentas, atendendo a um convite do Dr. Rocha Barros, quando o Rio Negro era presidido pelo Dr. Flávio de Castro. Iano era o grande ídolo da torcida rionegrina, pois ocupava o posto desde 1937.

Em princípio, Luizinho amargou a reserva, mas de quando em quando entrava como titular, sempre com boas atuações e por isso não foi difícil segurar a posição, destacando-se pela colocação e, principalmente, pela segurança, incapaz de largar uma bola mesmo estando ela molhada. E foi por isso que a torcida barriga-preta o apelidou de “Mão de Grude”. Segurava a redonda, com impressionante firmeza, naquele tempo de couro grosseiro e de bico, quando nem se pensava no uso de luvas..

Campeão em 1940 e em 1943 pelo Rio Negro e tinha como companheiros, Amâncio, Marcilio, Parintins, Lé, Benjamim, Cláudio Coelho, Meireles, Valdir Oliveira, Zenith, Raimundo Rebelo Dog, França, Silvio, Valdemir Osório e outros. Seria também campeão em 1945, mas a FADA, numa manobra de bastidores, decidiu transferir o título para o Nacional e por isso o Rio Negro deixou o futebol, afastando-se dos gramados pelo espaço de quinze anos. Na ocasião, seus jogadores tomaram outros rumos: Luisinho foi para o Nacional e logo depois para o Olímpico, conquistando o título invicto de 1947 ao lado de Tuta, Aurélio, Silvio, Gato, Omar, Gatinho, Dog, Zé Luís, Cabral, Juvenil, Silvio e Raimundo Rebelo.

OS VETERANOS

Rio Negro-veteranos
Luizinho, Mário Matos, Lafayette Vieira e Raimundo Rebelo.

Luizinho participou da Seleção do Amazonas em 1943. Era funcionário da Polícia Civil, depois, por iniciativa de seu conterrâneo Gláucio Gonçalves, passou a prestar serviços na Assembléia Legislativa e sempre que tinha tempo rabiscava alguns versos, quase todos dedicados ao seu Rio Negro ou ao São Raimundo, que ele considerava seu segundo time, na época do presidente Ismael Benigno.

Sócio Benemérito do Rio Negro e membro da Diretoria do São Raimundo E. Clube morreu na madrugada de uma terça-feira, dia 16 de março de 1993. Há algum tempo estava com problemas de saúde. Melhorava, mas abusava tomando algumas geladinhas. Um dia antes de morrer, esteve com os velhos amigos de São Raimundo, onde residia desde quando casou com Dona Creusa, uma filha do bairro. Chegou a casa em estado de desespero. Levado para uma clínica, lá faleceu, aos 73 anos de idade, deixando ainda três filhos (Dayse, Darly e Craveiro) e dois netos (Ana Fátima e Luiz Neto).

12
jun

Jogaram em Manaus e depois na Copa do Mundo

   Posted by: Carlos Zamith    in Campeonatos

Eles vieram para Manaus ainda jovens, Destacaram-se no futebol local defendendo
Nacional, Rio Negro ou Fast. Daqui saíram, chegaram a Seleção Brasileira e disputaram
Copa do Mundo. Outros vieram já veteranos, depois de disputaram o maior Torneio
do Mundo.

 ·  ANTES DA COPA

Toninho Cerezzo Toninho Cerezzo (25/04/1955) emprestado pelo Atlético Mineiro. Com 18 anos estreou no Nacional, no Torneio Inicio de 1973. Disputou todo o campeonato desse ano, o Copão Brasil e depois foi embora. Participou de duas Copas do Mundo a de 1978 e de 1982.
Paulo Isidoro Paulo Isidoro (03/07/1953) também pertencente ao Atlético Mineiro e veio para o Nacional por empréstimo Estreou contra o Fast em setembro de 1974. Fez sete jogos com a camisa do Nacional. Logo chegou a titular do Atlético e participou da Copa do Mundo de 1982.
Alfredo Mostarda II Alfredo Mostarda (18/10/1946) emprestado pelo Palmeiras ao Nacional em 1970. No ano seguinte voltou ao clube de origem e logo se tornou titular. Participou da Copa do Mundo de 1974. Jogou contra a Polônia.

 ·  DEPOIS DA COPA

Denilson Denilson Custódio Machado (28/03/1943), jogou no Fluminense de 1962 a 1974 e uma rápida passagem pelo Vitória da Bahia. Só jogou o campeonato de 1973 pelo Rio Negro, estreando contra o São Raimundo, na Colina com vitória de 1×0 (Rolinha). Disputou a Copa do Mundo de 1966.
Reinaldo Reinaldo (11/01/1957), ídolo do Atlético Mineiro, veio para Manaus com 29 anos e sérios problemas físicos contratado pelo Rio Negro. Fez apenas seis jogos e marcou dois gols, Disputou a Copa do Mundo de 1978.
Jairzinho Jairzinho Ventura Filho (25/12/1944), veio para Manaus em 1979, contratado pelo Fast. Também jogou pelo Nacional no Copão do mesmo ano, participando de apenas três jogos. Disputou as Copas do Mundo de 1966, 1970 e 1974.
Clodoaldo Clodoaldo, sergipano de Aracajú (26/09/1949), titular por longo tempo do Santos (SP). Veio para Manaus em 1981 para defender o Nacional no Copão Brasil. Jogou pelo Fast contra o Cosmos de Nova Iorque. Foi rápida sua passagem pelo osso futebol. Participou da Copa do Mundo de1970.
Silva Silva Walter Machado (02/01/1940), veio para Manaus defender o Rio Negro no Copão Brasil em 1973. Jogou na Copa do Mundo de 1966.
Dario Dario – Dadá Maravilha (04/02/1946), veio para Manaus, já com 32 anos, contratado pelo Nacional em 1984. Foi campeão nessa temporada e artilheiro do campeonato com 14 gols. Participou da Copa do Mundo de 1970.
Edu Edu – Jonas Eduardo Américo (06/08/1949), veio para o Nacional na mesma época de Dario em 1984 e ainda disputou a Copa do Brasil de 1985. Participou das Copas do Mundo de 1966, 1970 e 1974.
Josimar Josimar Higino Ferreira (10/09/1961), Veio para Manaus em 1994 contratado pelo Fast. Ficou pouco tempo em Manaus e depois foi embora para Rondônia. Participou da Copa do Mundo de 1986 e nas Oitavas-de-Final fez um gol contra Irlanda do Norte.
Marco Antonio Marco Antonio (06/02/1961), fez apenas dois jogos pelo Fast em 1982, quando aqui veio o Bangu ao qual ele fazia parte. Jogou por muito tempo no Fluminense, Participou das Copas de 1970 e 1974, como reserva.
8
jun

Avenida Senador Álvaro Maia

   Posted by: Carlos Zamith    in Ruas de Manaus

Imagem_3f9b7a8026Álvaro Maia, nascido a 19 de fevereiro de 1893, no município de Humaitá, Rio Madeira, veio criança para Manaus. Estudou direito, em Fortaleza e colou grau na Faculdade do Rio de Janeiro. Seu primeiro emprego no Amazonas foi de redator da Assembléia Legislativa, depois Procurador da República. Era jornalista, poeta e político atuante. Foi Deputado Federal (1933–1935), Governador (1935–1937, Interventor com o golpe político do Estado Novo (1937-1945), Senador (1946–1951), novamente Governador (1951–1954 e tambem Senador da República (1967–1969). Faleceu na madrugada do dia 4 de maio de 1969, na Santa Casa de Misericórdia, acometido de infarto.

Quando foi criado o bairro da Vila Municipal, em maio de 1901, a Lei pertinente deu a denominação de suas Ruas e já falava em Boulevard Amazonas, donde se conclui que surgiu antes de sua criação. A pedra fundamental do Reservatório do Mocó foi lançada em 1893, conforme publicou o jornal “Amazonas”, edição de janeiro de 1894. O mesmo jornal noticiou proposta para abertura do bairro do Mocó, em 1893. Tudo faz crer que Boulevard Amazonas já existia entre 1893 a 1901.

Boulevard Amazonas já foi Aristides Rocha e também ex-Cemitério, mas pela Lei nº 1477, de 16-04-1928, oficializada como Boulevard Amazonas, até que em 1972, por iniciativa do então Vereador Praxiteles Antony, passou a chamar-se Avenida Senador Álvaro Maia em homenagem ao ex-governador do Estado do Amazonas.

Praxiteles, homem de poucas palavras e que na mocidade foi goleiro do Nacional, estava com assento à Câmara Municipal de Manaus como representante da Aliança Renovador Nacional (Arena). Com a devida justificativa, apresentou Projeto de Lei propondo a mudança de Boulevard Amazonas para Avenida Senador Álvaro Maia.

A princípio, alguns de seus pares não concordavam com a alteração, alegando que Boulevard Amazonas era tradicional e que o povo também não concordaria. Sugeriram, ante a sua intransigência, que pelo menos ficasse como Boulevard Álvaro Maia. Não houve acordo algum. O autor da proposta manteve a sua decisão.

A Lei foi aprovada e sancionada pelo Prefeito da época, Paulo Pinto Nery, tomando o número 1028, de 07-04-1972.

IMG_1093 Avenida Senador Álvaro Maia nos dias atuais

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4
jun

Fast x Paysandu

   Posted by: Carlos Zamith    in Fast

Até a década de 60, ainda existia grande rivalidade entre o futebol amazonense e o do paraense, principalmente durante as competições envolvendo seleções dos dois Estados. Os paraenses, na verdade, levavam vantagem sobre os barés, porque já praticavam o profissionalismo muito antes, importando jogadores mais experimentados de outros centros. Quase sempre, no início do ano, quando preparavam suas equipes para a competição oficial, os clubes do Pará – Paysandu, Remo ou Tuna – também vinham a Manaus com certa freqüência cumprir temporadas amistosas de três ou quatro jogos seguidos, em busca, é claro, de alguns trocados para aliviar o caixa. A rivalidade era a mesma: vencer time de futebol do Pará era lavar a alma do amazonense.

Paysandu de 1964
Paysandu que perdeu para o Fast, em 1064. Em pé: o técnico Caim, Mangaba, Jorge Baleia, Casemiro, Paulo, Zé Ferreira e Oliveira. Agachados: Quarenta, Laércio, Ferreira, Purifica e Ércio.

Em fevereiro de 1964, o Paysandu, veio a Manaus ostentando o título de campeão paraense de 1963, um título que mexeu com a torcida alvi-azul. Era o tricampeonato. Uma conquista com onze vitórias, três empates e uma derrota, 34 gols a favor e 19 contra. Fez o artilheiro o atacante Carlos Alberto Urubu, com 14 gols. O time era dirigido pelo antigo jogador Carlindo Silva (Caim). Era também o tricampeonato conquistado pelo goleiro amazonense Jorge, revelado pelo Labor, de Educandos e que em Belém ficou sendo conhecido por Jorge Baleia pelo seu tipo gorducho.

CONTRA O FAST

O tri do “Papão” servia como boa credencial para os patrocinadores da temporada. A estréia, cercada de muita expectativa, porque o torcedor amazonense também queria rever o goleiro Jorge, aconteceu no dia 23 de fevereiro, contra o Fast Clube, num domingo à tarde no velho Parque Amazonense com grande público.

E foi um dia de alto astral para o time amazonense que contou com a espetacular atuação do jovem Edson Piola, mais adiante transformado num grande artilheiro do futebol local, qualidades que o levaram a atuar pelo próprio Paysandu, pelo qual foi campeão em 1965 e artilheiro com 11 gols.

O jogo estava se desenvolvendo com a superioridade fastiana e não durou muito tempo para o marcador ser inaugurado. O autor do gol foi ele, Edson Piola. Logo depois, o jogador Tapioca, que havia entrado no lugar de Santana, aumentou para dois.

No intervalo o time paraense apresentou-se com algumas alterações, mas a tarde era mesmo do Fast e novamente Edson Piola decretou a queda da cidadela de Jorge Baleia, pela terceira vez. Daí em diante não houve muita preocupação. Com 3×0 a seu favor e jogando um futebol de rara inspiração, o Fast deixou  o tempo correr até sair de campo aplaudido pela torcida.
 
FASTChicão, Raimundo Moraes e Purgante (Lage); Antônio Piola, Valdir Lima e Jofre; Dadá (Edmilson), Pretinho, Edson Piola, Ribas (emprestado ao Nacional) e Santana (Tapioca).

PAYSANDUJorge, Oliveira e Zé Ferreira; Mangaba, Casemiro (Abel) e Paulo; Laércio, Ferreira (Sirothou), Carlos Alberto (Beto), Purifica e Ercio.

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