Arquivo para julho 1st, 2010

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jul

A primeira copa que ouvi

   Posted by: Carlos Zamith    in Velhos tempos

Copa do mundo 1938-225x300Freqüentava campos de futebol, nos campos do Parque ou do Luso, desde meus cinco anos de idade, levado pelo meu pai, um torcedor ranzinza da União Esportiva Portuguesa, cuja sede própria, na Avenida Joaquim Nabuco, foi vendida sem devida consulta aos sócios proprietários.

Em 1938, aos 12 anos de idade e já trabalhando no comércio, acompanhei pela primeira vez a disputa da Terceira Copa do Mundo, na França. Naquele tempo era difícil qualquer pessoa possuir um rádio em sua casa. Portátil nem se cogitava.

Quem quebrava o galho do torcedor era a firma Antonio M. Henrique, instalada na Rua Marechal Deodoro com fundos para a Avenida Eduardo Ribeiro.

Na hora do jogo, normalmente às 13 horas, a firma colocava uma boca de alto-falante nas imediações do Relógio Municipal. O comercio fechava na hora do jogo e a multidão e aglomerava na Eduardo Ribeiro. O problema é que só se escutava uma chiadeira tremenda. Ouvia-se com um pouquinho de nitidez, quando o locutor Gagliano Neto gritava gol. E era preciso indagar: de quem foi, de quem foi.

Na Avenida Eduardo Ribeiro esquina com a Henrique Martins, hoje Loja Marisa, existia o “Café Ponto Chic”. Lá, numa vitrine, o proprietário colocava uma foto do time do Brasil de relativo tamanho e o torcedor ficava bom tempo admirando a imagem dos craques brasileiros.

OS CONVOCADOS

O técnico da Seleção do Brasil era Ademar Pimenta que convocou estes jogadores:

  • Do Flamengo – O goleiro Walter, Domingos e Leônidas;
  • Do Fluminense – o goleiro Batatais, Machado, Romeu, Tim e Hercules;
  • Do Botafogo – Nariz, Zezé Procópio, Martin Silveira, Perácio e Patesko;
  • Do Corinthians – Jaú, Brandão e Lopes;
  • Do São Cristóvão – Afonsinho e Roberto;
  • Do América – Brito;
  • Do Palmeiras – Luizinho;
  • Da Portuguesa Santista – Argemiro;
  • Do Vasco da Gama – Niginho, que não chegou a jogar por ter vínculo com o Lazio, da Itália.

A disputa era no sistema mata-mata. Nas oitavas-de-finais teriam de jogar partidas eliminatórias. Terminando empatado, as seleções sairiam para prorrogação.

O Brasil estreou contra a Polônia e venceu por 6×5 (Leônidas 3, Peracio 2 e Romeu). O jogo seguinte contra a Tchecoslováquia, 1×1 (Leônidas). Na prorrogação novo empate. Nova partida foi disputada e o Brasil venceu por 2×1. (Leônidas e Roberto).

Brasil 1938
Seleção Brasileira de 1938. Em primeiro plano, tecnico Ademar Pimenta com o boné na mão seguido de Leonidas da Silva, artilheiro da Copa.

CONTRA A ITÁLIA

Este foi o jogo do sofrimento, pela semifinal. Brasil perde por 2×1 (Perácio). A Itália disputou o titulo contra Hungria e venceu por 4×2.

O PENAL DE DOMINGOS

A Revista “Seleção Brasileira”, de Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf, registram o penal cometido por Domingos contra a Itália, assim:

Silvio Piola entre Machado e Domingos da Guia“No primeiro tempo o Brasil não jogou mal e o placar de 0×0. No segundo tempo e logo aos 10 minutos, Colassi , em jogada individual, fez o primeiro gol italiano. E veio o golpe fatal. Domingos, que vinha sofrendo provocações do atacante Piola desde o início da partida, perdeu a cabeça e cometeu um penal infantil. A jogada acontecia no meio-campo, quando Domingos deu um pontapé em Piola que caiu na área Pela infelicidade do zagueiro brasileiro, o árbitro suíço viu o lance e marcou pênalti. Meazza bateu e marcou o segundo gol. No final da partida Romeu ainda diminuiu, mas já era tarde”. Na foto ao lado, Silvio Piola entre Machado e Domingos da Guia.

Time base do Brasil: Walter, Domingos e Machado: Zezé Procópio, Martin Silveira e Afonsinho; Lopes (Roberto), Romeu, Leônidas, Peracio e Hércules

O Brasil disputou o terceiro lugar com a Suécia, vencendo por 4×2 (Leonidas 2, Peracio e Romeu).

Nessa Copa, o Brasil disputou cinco jogos, com 3 vitórias, um empate e uma derrota. Marcou 14 gols e sofreu 11. Leônidas da Silva foi o artilheiro, com 7 gols.

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