Fast x Paysandu
Até a década de 60, ainda existia grande rivalidade entre o futebol amazonense e o do paraense, principalmente durante as competições envolvendo seleções dos dois Estados. Os paraenses, na verdade, levavam vantagem sobre os barés, porque já praticavam o profissionalismo muito antes, importando jogadores mais experimentados de outros centros. Quase sempre, no início do ano, quando preparavam suas equipes para a competição oficial, os clubes do Pará – Paysandu, Remo ou Tuna – também vinham a Manaus com certa freqüência cumprir temporadas amistosas de três ou quatro jogos seguidos, em busca, é claro, de alguns trocados para aliviar o caixa. A rivalidade era a mesma: vencer time de futebol do Pará era lavar a alma do amazonense.

Paysandu que perdeu para o Fast, em 1064. Em pé: o técnico Caim, Mangaba, Jorge Baleia, Casemiro, Paulo, Zé Ferreira e Oliveira. Agachados: Quarenta, Laércio, Ferreira, Purifica e Ércio.
Em fevereiro de 1964, o Paysandu, veio a Manaus ostentando o título de campeão paraense de 1963, um título que mexeu com a torcida alvi-azul. Era o tricampeonato. Uma conquista com onze vitórias, três empates e uma derrota, 34 gols a favor e 19 contra. Fez o artilheiro o atacante Carlos Alberto Urubu, com 14 gols. O time era dirigido pelo antigo jogador Carlindo Silva (Caim). Era também o tricampeonato conquistado pelo goleiro amazonense Jorge, revelado pelo Labor, de Educandos e que em Belém ficou sendo conhecido por Jorge Baleia pelo seu tipo gorducho.
CONTRA O FAST
O tri do “Papão” servia como boa credencial para os patrocinadores da temporada. A estréia, cercada de muita expectativa, porque o torcedor amazonense também queria rever o goleiro Jorge, aconteceu no dia 23 de fevereiro, contra o Fast Clube, num domingo à tarde no velho Parque Amazonense com grande público.
E foi um dia de alto astral para o time amazonense que contou com a espetacular atuação do jovem Edson Piola, mais adiante transformado num grande artilheiro do futebol local, qualidades que o levaram a atuar pelo próprio Paysandu, pelo qual foi campeão em 1965 e artilheiro com 11 gols.
O jogo estava se desenvolvendo com a superioridade fastiana e não durou muito tempo para o marcador ser inaugurado. O autor do gol foi ele, Edson Piola. Logo depois, o jogador Tapioca, que havia entrado no lugar de Santana, aumentou para dois.
No intervalo o time paraense apresentou-se com algumas alterações, mas a tarde era mesmo do Fast e novamente Edson Piola decretou a queda da cidadela de Jorge Baleia, pela terceira vez. Daí em diante não houve muita preocupação. Com 3×0 a seu favor e jogando um futebol de rara inspiração, o Fast deixou o tempo correr até sair de campo aplaudido pela torcida.
FAST – Chicão, Raimundo Moraes e Purgante (Lage); Antônio Piola, Valdir Lima e Jofre; Dadá (Edmilson), Pretinho, Edson Piola, Ribas (emprestado ao Nacional) e Santana (Tapioca).
PAYSANDU – Jorge, Oliveira e Zé Ferreira; Mangaba, Casemiro (Abel) e Paulo; Laércio, Ferreira (Sirothou), Carlos Alberto (Beto), Purifica e Ercio.
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