29
abr

O Homem na Lua

 Publicado por Carlos Zamith em Astros da bola, Rio Negro

O jogo era pelo campeonato profissional, valendo pelo primeiro turno e aconteceu no dia 20 de julho de 1969, no campo da Colina, no bairro de Santo Antônio, bastante florido com bandeiras e grande número da galera feminina. Público de 19.542 pagantes, numa época em que o nosso futebol estava na crista da onda. Dia do Rio Negro e Nacional. Ambos estavam na luta pela conquista da fase inicial com maior vantagem para o Nacional que tinha um ponto a mais, e Fast Clube como o mais próximo perseguidor.
 
Carlos AlbertoA FAF mandou buscar o árbitro paulista Romualdo Arpi Filho o qual contou com o auxilio de Arlindo Luchards e Manuel Luís Bastos. Jogo cheio de emoções debaixo de um intenso calor. O torcedor não podia afastar-se para tomar um café ou um refrigerante sob pena de perder o seu já incômodo lugar.

O Rio Negro começou melhor e marcou 1 a 0 por ação do atacante “importado” Carlos Alberto (foto ao lado), mas logo depois Rolinha empatou. O jogo transcorria com muito equilíbrio.

No segundo tempo, o técnico do Rio Negro tirou da zaga o paraibano Edmilson e colocou Catita como lateral, enquanto Eugênio, outro carioca, cedia seu posto de meio armador a Joãozinho.

AnizioO crioulo ponteiro esquerdo carioca, Anizio, (foto ao lado) marcou o segundo tento rionegrino. O público comemorava o feito no mesmo momento em que as emissoras de rádio que transmitiam o jogo, faziam uma interrupção para anunciar a chegada do homem à Lua, fato comemorado pelos torcedores dos dois times.

Mas foi justamente na volta ao estádio, que as emissoras também anunciavam a expulsão do jogador Catita, por jogo violento. 

No final, a vitória do Rio Negro por 2 a 1, mas o primeiro turno ficou com o Nacional que tinha vantagem na tabela, 3 pontos perdidos enquanto o Rio Negro acumulava 5 negativos.

RIO NEGROClovis, Edmilson (Catita), Maravilha, Valter, Chicute; Xerém e Rubem; Anízio, Carlos Alberto (Joãozinho), Eugênio e Paulinho.

NACIONAL - Marialvo, Pedro Hamilton, Sula, Faustino e Téo; Mário Vieira (Luís Carlos) e Rolinha; Zezé, Rangel, Pretinho e Pepeta (Márcio). Na foto, Anízio.

HOMEM NA LUA

Edwin Aldrin, Michael Collins e Neil Armstrong, descem na Lua em 20-07-1969. Armstrong e Aldrin passam 21 horas no solo lunar, onde instalam uma bandeira americana, um sismógrafo, um refletor de raios laser, uma antena de comunicação, um painel aluminizado para estudos da radiação solar e uma câmara de TV. Colhem 27 kg de amostras de pedra e poeira. Cinco outras missões tripuladas à Lua são realizadas com sucesso pelos americanos, que nunca foram imitados pelos soviéticos nessa façanha.
 
Em 1975, americanos e soviéticos unem-se numa mesma experiência espacial, realizando acoplamento das naves Apollo (com três cosmonautas americanos e Souiz 19, com dois soviéticos). Há o intercâmbio entre as tripulações e o aperto de mão entre as duas equipes em pleno cosmo.
(Dados colhidos do Almanaque Abril de 1993)

27
abr

O balneário do Parque Dez

 Publicado por Carlos Zamith em Logradouros históricos

O balneário Parque Dez de Novembro foi construído na administração do engenheiro-agrônomo Antônio Botelho Maia, quando Prefeito Municipal de Manaus, de 1937 a 1940, período em que o nosso Estado esteve sob a intervenção de seu irmão, Álvaro Botelho Maia.

Zamith e Cidade

Pelo Ato nº 52, de 30 de setembro de 1938, o Prefeito Antônio Maia oficializou a denominação de Parque Dez de Novembro, construído a Estrada do Miri, à margem do igarapé do Mindú.

A denominação rememorava uma época de reorganização da nacionalidade, com a instituição do Estado Novo criado por Getúlio Vargas e refere-se ao dia 10 de novembro de 1937, através de um pronunciamento transmitido por rádio a todo o País, que outorgou ao Brasil nova era de progresso e engrandecimento.

A partir daí, a área ficou sendo conhecido como Bairro do Parque Dez, justamente pela localização do logradouro, um dos mais freqüentados pela população desta cidade até a década de cinqüenta.

No início dos anos setentas, em virtude da poluição de suas águas, consequência da construção de vários conjuntos residenciais, o Parque Dez, que tinha água cristalina e pura, foi desativado.

Não há documento oficial de inauguração do bairro do Parque Dez. As terras eram da Prefeitura, algumas invadidas por colonos e outras aforadas a particulares que construíram seus balneários, principalmente na via conhecida por V-8, atualmente Avenida Ephigênio Sales.

Vários conjuntos fazem parte do Parque Dez, como Castelo Branco, Eldorado, Jardim Yolanda, Mucuripe II, Novo Amazonas, Nova Friburgo, Pindorama, Jardim Orquídea, Jardim Primavera, Parque Tropical e outros.

Antônio Maia que também foi Deputado Federal pelo Amazonas, faleceu no Rio de Janeiro, onde residia, no mês de outubro de 1993, aos 92 anos.

Parquedeznovembro

24
abr

Festa da Luz, na Colina

 Publicado por Carlos Zamith em Logradouros históricos, São Raimundo

O São Raimundo Esporte Clube, na gestão do presidente Ismael Benigno, inaugurou os refletores do seu estádio no dia 18 de fevereiro de 1967. No futebol amazonense há muito não se jogava à noite. No tempo do velho Parque Amazonense, na década de 40, existiam refletores, mas a iluminação era deficiente. Assim mesmo foram realizados jogos noturnos pelo campeonato local e até jogos interestaduais, mas o visitante sempre saia de campo reclamando da iluminação.

Na Festa da Luz um amistoso entre São Raimundo e Nacional foi programado. A Iluminação era boa, embora com alguns detalhes prejudiciais na posição dos refletores, depois ajustados.

Por outro lado, a “Festa”, financeiramente ficou longe do esperado, pois uma forte chuva desabou sobre a cidade a partir das 16 horas e só parou às 19 horas, prejudicando a presença do torcedor em maior número.

Apenas 4.386 pagantes. O Nacional venceu o jogo por 3 a 1. No primeiro tempo já vencia por 2 a 0, gols de Antônio Piola aos 23, cobrando falta e de seu irmão Edson Piola, aos 28. No tempo final, Pepeta marcou aos 27 e Fredoca descontou para o São Raimundo, de penal, aos 35.

NACIONALZé Carlos, Antônio Piola, Russo, Sula (Zequinha Piola) e Téo (Jonas); Rômulo e Holanda (Dermilson); Normando, Pretinho (Luizinho), Edson Piola e Euklinger (Pepeta).

SÃO RAIMUNDOWaldir Melo (Orlandino com 2 a 0 no marcador), Zamundo (Orlando Saraiva), Paulinho, Waldir Santos e Zezinho; Itagiba (Zamundo) e Nonato; Melo, Fredoca, Santarém e Chevrolet.

Estádio da Colina
O nome do estádio é uma homenagem ao antigo presidente Ismael Benigno
que dedicou a vida ao clube, ganhou um nome mais popular “Colina”,
pelo fato de situar-se no alto de uma colina natural
que divide os bairros de São Raimundo, Santo Antônio e Glória.

PRIMEIRO JOGO

O primeiro jogo noturno de campeonato disputado no estádio “Ismael Benigno” aconteceu três dias após a “Festa da Luz”. A FAF, que obedecia a orientação de Flaviano Limongi, marcou para uma terça-feira o jogo entre Rio Negro x Sul América, valendo pelo turno do campeonato de 1966, que estava atrasado.

O público foi de 2.445 pagantes e até que aplaudiu a vitória do Rio Negro por 3 a 1, com a estréia do meio de campo “importado” Moacir, que só participou de três jogos, sem nada mostrar e por isso foi logo embora.

O Rio Negro marcou aos 33 minutos, através do pernambucano Ademir e aos 38, Sabá Burro Preto aumentou. No segundo tempo, novamente Sabá Burro Preto, aos 4, ampliou para três. Aos 28, o paraense Hamilton marcou o ponto de honra do Sul América que teve o seu quarto zagueiro, Rato, expulso de campo aos 20, do 2º tempo. O jogo foi apitado por Carlos Amato, auxiliado por Dorval Medeiros e Pereira Serra.

RIO NEGROClovis, Valdér, Edson Ângelo, Catita e Antero Marta Rocha; Jaime Basílio e Ademir; Rubens (Moacir), Sabá, Cândido e Edson Marques.

Nesse time, além de Moacir, dois outros “importados” do futebol pernambucano: Ademir e Edson Ângelo. O primeiro foi embora depois de rápida passagem pelo Olímpico enquanto Edson ficou em Manaus, tornando-se treinador.

SUL AMÉRICADias, Armando, Aderson, Rato e Bebé; João Lucena e Augusto; Nonato, Ofir, Nóia e Hamilton.

 

22
abr

Educandos

 Publicado por Carlos Zamith em Ruas de Manaus

O bairro de Educandos fica entre o igarapé de Manaus (da Cachoeirinha) e o do bairro do mesmo nome. Passou a chamar-se Constantinópolis pelo Decreto nº 67, de 22 de julho de l907. Foi autor do projeto da nova denominação, o Superintendente interino, Coronel José Monteiro Tapajós, que assim estava homenageando Constantino Nery, governador do Estado no período de 23 de julho de 1900 até julho de 1907.

Educandos
Palafitas no bairro Educandos. O campo verde, em tempos de cheia, é o igarapé do bairro.

EDUCANDOS – de acordo com o professor Mário Ipyranga Monteiro, “o nome de Educandos deu-se em razão de ali se encontrar a primitiva casa de Educandos, depois Instituto de Educandos Artífices, fechado em 1877 e que fora criado na gestão do Presidente João Pedro Dias Vieira.

O projeto de um Instituto de Artífices foi apresentado pelo deputado provincial Francisco Antônio Monteiro Tapajós. Além do ensino de letras, os alunos aprendiam os ofícios de encanador, empalhador, torneiro, ferreiro, sapateiro, alfaiate e marceneiro.

Os alunos vestiam fardamento de pano azul com aplicações em vermelho, gorro azul sem pala. Era o uniforme de gala para uso aos domingos e feriados quando eles desciam para o centro da cidade”.

Nas pesquisas que realizamos, constatamos que o bairro de Educandos foi retalhado para a formação de outros, como Santa Luzia, ex-Imboca e Morro da Liberdade, que chegou a ser, por Lei, Bairro da Liberdade (1994).

A abertura das ruas do bairro foi determinada pelo Superintendente municipal Artur César Moreira de Araújo e algumas de suas denominações foram dadas em 1908, como Boulevard Sá Peixoto, Amâncio de Miranda, Inocêncio de Araújo, Delcídio do Amaral, Manoel Urbano, Boulevard Rio Negro, Dr. Tavares Bastos.

Outras vieram mais tarde, como Inácio Guimarães, Leopoldo Peres, Bento José de Lima, ex-Vista Alegre, Coronel Gonzaga, Labor, Otilio Farias, ex-Primo Sabbá, São Vicente, Amazonas, Nova, Macurani, Rua da Igreja, Ana Nogueira, Antimari, Beira Mar, Leopoldo Neves, Av. Presidente Kennedy, Treze de Maio e uma infinidade de Becos.

A primeira ponte ligando a cidade ao bairro de Educandos foi construída na gestão do Dr. Ephigênio Sales, Prefeito de Manaus, (1926-1929), batizada com o seu nome.

Na década de 50 foi construída a Ponte Juscelino Kubstchek, com verbas federais, na primeira administração do governador Gilberto Mestrinho. A nova ponte passou a ligar a avenida Leopoldo Peres com a atual avenida Castelo Branco, ex-Waupés.

Na década de 70, quando era prefeito municipal Frank Abrahim Lima, foi construída outra ponte, ligando o bairro com a rua Quintino Bocaiúva, a qual recebeu a denominação de “Ponte Antônio Plácido” em homenagem ao vigário da Igreja do próprio bairro, conforme Lei nº 1123, de 10-10-1975.

A VOLTA

Constantinopólis voltou a ser bairro de Educandos, por iniciativa do então Vereador Alfredo Dias, também conhecido como “O Homem do Paletó Preto”, através da lei nº. 1469, de 7 de dezembro de 1979.

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