15
ago

Avenida Constantino Nery

 Publicado por Carlos Zamith em Ruas de Manaus

A Avenida Constantino Nery já mudou de nome cinco vezes, mas agora já se vão mais de meio século e, felizmente, ninguém mais se preocupou em fazer nova troca. A denominação dessa Avenida foi oficialmente dada em 1905, por força da Lei nº. 426, de 30 de novembro.

Cinco anos depois, exatamente no dia 28 de novembro de 1910, a Intendência Municipal aprovou um projeto do Intendente Alberto Botelho Coelho, subscrito pelos seus pares Carlos Studart, Agostinho César de Oliveira, Francisco Bernardo de Farias e Polidoro Rodrigues, propondo a mudança do nome de Avenida Constantino Nery, para Avenida João Coelho, em homenagem ao então governador do Pará, Dr. João Antonio Luiz Coelho.

NOVA MUDANÇA

Já em 1919, o Intendente Licínio Silva foi o autor de outro projeto de Lei, mudando a denominação de Avenida João Coelho, para Avenida Olavo Bilac, propositura que foi aprovada e transformada na Lei nº. 999, de 20 de março.

Mas em 1927, o Intendente Sérgio Rodrigues Pessoa, foi autor de um projeto restabelecendo o nome da Avenida Constantino Nery, anulando, portanto, a Lei anterior, a que deu o nome de Olavo Bilac. O projeto de Sérgio Pessoa foi aprovado, sem qualquer restrição.

Em 1930, três anos depois, essa artéria sofre nova mudança em sua nomenclatura. O Prefeito Municipal nomeado por alguns meses, após a Revolução de 1930, professor Marciano Armond, baixou Decreto nº 03, com data de 01 de novembro anulou "as mais recentes leis que mudaram os nomes de diversas ruas e avenidas". Dentre elas estava a Avenida Constantino Nery, que por esse Ato voltou a chamar-se Avenida Olavo Bilac.

Embora restabelecida a denominação de Olavo Bilac, a verdade é que ninguém conseguiu gravar esse nome. Para os habitantes de Manaus, aquela via continuava sendo conhecida por João Coelho e por muito tempo, pois até os coletivos e os antigos "expressinhos", permaneciam com a placa de "João Coelho", pelo menos até a década de 70.

A VOLTA

Em 1953, na segunda legislatura da Câmara Municipal de Manaus após a redemocratização do país, o Vereador Walter Rayol, eleito pelo PTB com expressiva votação, levou a discussão do Plenário do Legislativo, um projeto que se transformou na Lei nº. 295, de 12 de outubro, propondo a volta do nome de Constantino Nery, com a justificativa que foi publicada no “O Jornal” desta cidade:

"Reparando uma injustiça que vem sendo mantida sem razão plausível, fazemos voltar a sua antiga denominação a Avenida Constantino Nery, que lhe foi dada em 1905, pela Lei n.426, de 30 de novembro. Esta via pública foi aberta no governo do general Constantino Nery, seu idealizador e construtor. Não desejamos fazer desaparecer o nome de Olavo Bilac, o poeta primoroso e principalmente fundador da Liga de Defesa Nacional. E, o nome de Olavo Bilac fica transferido para a terceira parte da Avenida Ipixuna, no bairro de Cachoeirinha".

Foi assim que a Avenida Constantino Nery voltou a ter seu nome primitivo. O projeto de Walter Rayol recebeu o apoio de seus companheiros Ismael Benigno, Edgard Macedo e Raimundo Coqueiro Mendes, este presidente da Câmara Municipal.

RESUMO

Lei nº 426, de 30-11-1905 – Constantino Nery para João Coelho;

Lei nº 999, de 26-03-1919 – João Coelho para Olavo Bilac;

Lei nº 1407, de 04-05-1927 – Olavo Bilac volta a Constantino Nery;

Decreto 03, de 01-11-1930 – Constantino Nery volta a Olavo Bilac;

Lei nº 295, de 12-10-1953 – Olavo Bilac volta a Constantino Nery.

13
ago

Botafogo pela primeira vez.

 Publicado por Carlos Zamith em Clubes

O Botafogo completou ontem 106 anos de existência. Comecei a ter simpatia ao clube alvinegro pelo fato de em Manaus, ser torcedor desde criança, da União Esportiva Portuguesa, cujo uniforme era idêntico co clube do saudoso Garrincha. Isso nos idos de 1943, no tempo de Aimoré Moreira, Zarcy, Pascoal, Patesko, Heleno de Freitas e por aí afora.

O Botafogo veio a Manaus pela primeira vez em 1962 e guardo na lembrança o jogo contra o Nacional no dia 09 de maio, no Parque Amazonense, com arbitragem de José Israel Rayol. O jogo terminou com a vitória do Botafogo por 3 a 1, gols de Amoroso, Airton e Aloísio (Botafogo) e Sabá Burro Preto (Nacional).

O time carioca não se apresentava com grande número de jogadores conhecidos. Veio mesclado com alguns reservas que mais tarde chegaram ao quadro titular.

BOTAFOGO – Manga (Brito), Nagel e Zé Maria; Luciano, Airton (Pampolini) e Paulistinha; Neivaldo (Aloisio), Edson, Amoroso (Domingos) e China (Luis Carlos depois Mainha).

NACIONAL – Geraldo, Boanerges e Sampaio; Chincha, Aderbal e Wanderlann; Caica (Pepeta), Jaime Basílio, Sabá, Ribas e Lacinha.

Despedida

Quadro dias depois, o Botafogo enfrentou uma seleção local, no mesmo Parque Amazonense e o mesmo árbitro. Empate de 3 a 3 . Gols de Hugo 2 e Pretinha (Combinado). Amoroso 2 e Mainha (Botafogo)

COMBINADO – Waldir Melo (SR), Boanerges (Naça) depois Sales (SR) e Seba (Santos); Zamundo (SA) depois Chicó(SR), Sula (SA) depois Antônio Carlos (SR) e Orlando Mineiro (SR); Pratinha (Naça) depois Caica (Naça), posteriormente Ofir (Labor), Fredoca (SA), depois Vadinho (SR), Português (Fast), Ribas (Naça) e Hugo (Auto Esporte).

O Botafogo repetiu a formação anterior com as mesmas alterações.

12
ago

Horácio – do Rio Negro

 Publicado por Carlos Zamith em Astros da bola

Nas peladas queria ser zagueiro, mas a sua altura não ajudava. Depois foi jogar no ataque, nas extremas e conseguiu destaque, numa das grandes esquipes do nosso futebol. Foi duas vezes campeão e, por intermédio do futebol, arranjou um bom emprego. Com a mesma fisionomia de garoto e o mesmo físico, gozando de uma razoável aposentadoria, que dá muito bem para viver, até pouco tempo andou as voltas com a bola, participando de peladas nos finais de semana ao lado de antigos companheiros das décadas de 50 e 60.

Horácio Rodrigues do Nascimento Neto, nascido a 27 de junho de 1938, o neguinho Horácio, como carinhosamente era chamado pela torcida do Rio Negro, criou-se no bairro da Cachoeirinha, jogando peladas no campo do Ipiranga, com a camisa do time do Waupés, recebendo alguns ensinamentos do pedreiro Climério, que sempre juntava a garotada para o bate-bola, dentre eles, Miguel Batará, Cleber, Ofir e Roberto Pimenta.

De zagueiro não dava e resolveu ir jogar na frente. Muito rápido, bom no drible, um dia foi levado pelo seu primo Guilherme Lapa, para treinar no Olímpico, reorganizado pelo Zulândio Pinheiro.

Ficou muito tempo no clube dos cinco aros, jogando ao lado de Quinha, Jacob, Purgante, Jander Cabral, Belini, Lourenço, Jofre e do falecido desembargador, aposentado, Kid Mendes, que era o goleiro. Corria o ano de 1957 e tem lembrança da grande goleada que seu time aplicou no Independência, por 14 a 1, com o atacante Quinha fazendo 9 gols.

O Olímpico extinguiu seu departamento de futebol e Zulândio levou Horário para jogar no time do Educandos que estava na primeira divisão, mas só ficou uma temporada, porque o antigo zagueiro rionegrino Tabosa dos Reis convidou-o para jogar pelo Rio Negro, que estava se reorganizando para voltar ao futebol. Não pensou duas vezes, pois em troca teria um bom emprego federal, no antigo INPS.

O primeiro título de Horácio aconteceu em 1962, vestindo a camisa do Rio Negro que tinha na sua direção de futebol o velho Josué Cláudio de Souza. A decisiva foi contra o Nacional e uma vitória de 2×1, isto já no mês de janeiro de 1963. O time base era formado por Pedro Brasil, ou Chicão, Bolôlô e Raimundo Mário; Fernando, Catita e Eudóxio; Horácio, Thomaz, Aírton, Dermilson e Orlando Rebelo, um time dirigido por Cláudio Coelho.

Na Seleção

Em grande fase, Horácio foi convocado duas vezes para a Seleção do Amazonas, participante do Campeonato Brasileiro de 1960 e de 1962, na primeira jogando contra o Pará e na segunda, contra os Territórios e o Maranhão.

Na de 1960, jogavam Simões, Jaime Costa, Gatinho, Zamundo, Jaime Basilio, Orlando Mineiro, Tucupí, Dermilson, Gordinho, Hugo e ele na ponta.

Na de 1962, jogavam Pedro Brasil, Boanerges, Waldir Lima, Zamundo, Sula, Vanderlann, Aírton, Tomaz, Santarém, Dermilson e ele formando na esquerda.

Um jogador duro, mas leal, Horácio encontrou no futebol local. Era o nacionalino Boanerges, o símbolo da raça, que jogava por amor à camisa, embora de pavio um pouco curto, pois não admitia ser driblado. Tinha um sentido de recuperação fabuloso e logo se recuperava de uma jogada perdida.

Outra vez campeão

Em 1965, sempre como titular, Horácio foi outra vez campeão pelo Rio Negro, ainda sob o comando de Cláudio Coelho. A decisão outra vez contra o Nacional, num super reunindo também o Fast. O Rio Negro venceu os dois jogos: Contra o Fast 1 a 0;. No dia 6 de fevereiro de 1966, no Parque, com arbitragem do paraense Sena Muniz, contratado para dirigir esse jogo, em grande tarde, venceu fácil por 4 a 1 o último gol foi seu. Sabá Burro Preto fez dois e Ademir de penal, outro. O time campeão formou com Clovis, Valdér, Edson Ângelo, Catita e Damasceno; Ademir e Rubens; Nonato, Sabá Burro Preto, Thomaz e Horácio.

Horácio defendeu o Rio Negro até 1967. Seu derradeiro jogo vestindo a camisa barriga-preta ocorreu contra o Nacional, (1 a 1), no dia 11 de junho, no campo da Colina, num jogo com recorde de público até então. Nesse seu “adeus”, o Rio Negro jogou com Clovis, Caboré, Edson Ângelo (Jayme Basilio), Catita e Damasceno; Ademir e Rolinha; Rubens, Sabá, Thomaz e Horácio.

Depois desse jogo, parou por causa de uma exigência do então treinador Osvaldinho, que falou para ele: “ou treina como os outros ou fica no seu emprego. Preferiu ficar no emprego”. Seu posto passou a ser ocupado pelo também baixinho Paulinho que ficou como titular muito tempo e com bom destaque.

“O neguinho Horácio” não se importava quando era assim chamado. Um jogador de certa elegância dentro e fora de campo. Veste-se muito bem, cabelos cuidados e sapatos sempre brilhando. Educado no falar e no modo de agir. Continua o mesmo cavalheiro de sempre. Pai de vários filhos, todos já crescido, feliz com o grande numero de amigos que reuniu durante sua vivência no futebol.

8
ago

Parabéns, campeão!

 Publicado por Carlos Zamith em Clubes, Penharol

O campeão profissional de 2010, numa decisão cheia de empolgação com o Fast Clube está completando idade neste 08 de agosto. São 63 anos de existência. Baú Velho presta homenagem ao clube preferido dos itacoatiarenses.

No dia 8 de agosto de 1947, um grupo de jovens reuniu-se na casa de Luís Calheiros Gama, na Avenida Conselheiro Rui Barbosa, 314, atrás do prédio da Prefeitura Municipal, de Itacoatiara, na época de Araújo Costa, com o finalidade de fundar um clube de futebol. Presentes, Simões Sales de Souza, Antônio Costa Filho. Lourenço Souza e Sebastião Mestrinho.

O nome do clube foi adotado porque um time de futebol de Fortaleza, com o nome de Penarol realizou temporada em Manaus. Idéia aceita por unanimidade. Foi aí que nasceu o Penarol Atlético Clube, do município de Itacoatiara. No campo “Eurico Dutra”, onde foi erguida a Casa da Cultura, o Penarol viveu sua grande fase nas décadas de 50 e 60.

Quem primeiro presidiu o clube foi Sebastião Mestrinho, que era oficial da Mesa de Renda do município.

PROFISSIONALISMO

O Penarol filiou-se à Federação Amazonense de Futebol para disputar o campeonato profissional de 1980.

A estréia aconteceu no dia 1º.de agosto desse ano, no estádio “Floro Mendonça”, em Itacoatiara. O Penarol empatou com o Libermorro, da capital, em 1 a 1.

Penarol:- Ariril, Nunes, Zé Arlindo, Idário e Paulo Afonso; Carioca, Farias e Hamilton; Lôla, Índio (Marcelo) e Eraldo. Técnico: Carlos Moraes.

Libermorro: Edmundo, Lauro (Zé Carlos), Maciel, Valdir e Hilton; Júlio Cezar e Evandro; Celio, Silva, Janilson e Roberto.

O jogo apitado por Geraldino Cruz, auxiliado por Rosquilde Serra e Antônio Vaz Cerquinho.

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