1
jul

A primeira copa que ouvi

 Publicado por Carlos Zamith em Velhos tempos

Copa do mundo 1938-225x300Freqüentava campos de futebol, nos campos do Parque ou do Luso, desde meus cinco anos de idade, levado pelo meu pai, um torcedor ranzinza da União Esportiva Portuguesa, cuja sede própria, na Avenida Joaquim Nabuco, foi vendida sem devida consulta aos sócios proprietários.

Em 1938, aos 12 anos de idade e já trabalhando no comércio, acompanhei pela primeira vez a disputa da Terceira Copa do Mundo, na França. Naquele tempo era difícil qualquer pessoa possuir um rádio em sua casa. Portátil nem se cogitava.

Quem quebrava o galho do torcedor era a firma Antonio M. Henrique, instalada na Rua Marechal Deodoro com fundos para a Avenida Eduardo Ribeiro.

Na hora do jogo, normalmente às 13 horas, a firma colocava uma boca de alto-falante nas imediações do Relógio Municipal. O comercio fechava na hora do jogo e a multidão e aglomerava na Eduardo Ribeiro. O problema é que só se escutava uma chiadeira tremenda. Ouvia-se com um pouquinho de nitidez, quando o locutor Gagliano Neto gritava gol. E era preciso indagar: de quem foi, de quem foi.

Na Avenida Eduardo Ribeiro esquina com a Henrique Martins, hoje Loja Marisa, existia o “Café Ponto Chic”. Lá, numa vitrine, o proprietário colocava uma foto do time do Brasil de relativo tamanho e o torcedor ficava bom tempo admirando a imagem dos craques brasileiros.

OS CONVOCADOS

O técnico da Seleção do Brasil era Ademar Pimenta que convocou estes jogadores:

  • Do Flamengo – O goleiro Walter, Domingos e Leônidas;
  • Do Fluminense – o goleiro Batatais, Machado, Romeu, Tim e Hercules;
  • Do Botafogo – Nariz, Zezé Procópio, Martin Silveira, Perácio e Patesko;
  • Do Corinthians – Jaú, Brandão e Lopes;
  • Do São Cristóvão – Afonsinho e Roberto;
  • Do América – Brito;
  • Do Palmeiras – Luizinho;
  • Da Portuguesa Santista – Argemiro;
  • Do Vasco da Gama – Niginho, que não chegou a jogar por ter vínculo com o Lazio, da Itália.

A disputa era no sistema mata-mata. Nas oitavas-de-finais teriam de jogar partidas eliminatórias. Terminando empatado, as seleções sairiam para prorrogação.

O Brasil estreou contra a Polônia e venceu por 6×5 (Leônidas 3, Peracio 2 e Romeu). O jogo seguinte contra a Tchecoslováquia, 1×1 (Leônidas). Na prorrogação novo empate. Nova partida foi disputada e o Brasil venceu por 2×1. (Leônidas e Roberto).

Brasil 1938
Seleção Brasileira de 1938. Em primeiro plano, tecnico Ademar Pimenta com o boné na mão seguido de Leonidas da Silva, artilheiro da Copa.

CONTRA A ITÁLIA

Este foi o jogo do sofrimento, pela semifinal. Brasil perde por 2×1 (Perácio). A Itália disputou o titulo contra Hungria e venceu por 4×2.

O PENAL DE DOMINGOS

A Revista “Seleção Brasileira”, de Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf, registram o penal cometido por Domingos contra a Itália, assim:

Silvio Piola entre Machado e Domingos da Guia“No primeiro tempo o Brasil não jogou mal e o placar de 0×0. No segundo tempo e logo aos 10 minutos, Colassi , em jogada individual, fez o primeiro gol italiano. E veio o golpe fatal. Domingos, que vinha sofrendo provocações do atacante Piola desde o início da partida, perdeu a cabeça e cometeu um penal infantil. A jogada acontecia no meio-campo, quando Domingos deu um pontapé em Piola que caiu na área Pela infelicidade do zagueiro brasileiro, o árbitro suíço viu o lance e marcou pênalti. Meazza bateu e marcou o segundo gol. No final da partida Romeu ainda diminuiu, mas já era tarde”. Na foto ao lado, Silvio Piola entre Machado e Domingos da Guia.

Time base do Brasil: Walter, Domingos e Machado: Zezé Procópio, Martin Silveira e Afonsinho; Lopes (Roberto), Romeu, Leônidas, Peracio e Hércules

O Brasil disputou o terceiro lugar com a Suécia, vencendo por 4×2 (Leonidas 2, Peracio e Romeu).

Nessa Copa, o Brasil disputou cinco jogos, com 3 vitórias, um empate e uma derrota. Marcou 14 gols e sofreu 11. Leônidas da Silva foi o artilheiro, com 7 gols.

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26
jun

Luizinho – mão de grude

 Publicado por Carlos Zamith em União Esportiva Portuguesa

Luizinho - mão de grudeEle foi considerado um dos grandes goleiros do nosso futebol na década de 40. Veio da cidade de Parintins na época do amadorismo para defender o Atlético Rio Negro Clube com o eventual substituto de Iano Monteiro que já estava em final de carreira.

Luíz de Souza Gonçalves ou Luizinho “Mão de Grude” chegou ao início dos anos quarentas, atendendo a um convite do Dr. Rocha Barros, quando o Rio Negro era presidido pelo Dr. Flávio de Castro. Iano era o grande ídolo da torcida rionegrina, pois ocupava o posto desde 1937.

Em princípio, Luizinho amargou a reserva, mas de quando em quando entrava como titular, sempre com boas atuações e por isso não foi difícil segurar a posição, destacando-se pela colocação e, principalmente, pela segurança, incapaz de largar uma bola mesmo estando ela molhada. E foi por isso que a torcida barriga-preta o apelidou de “Mão de Grude”. Segurava a redonda, com impressionante firmeza, naquele tempo de couro grosseiro e de bico, quando nem se pensava no uso de luvas..

Campeão em 1940 e em 1943 pelo Rio Negro e tinha como companheiros, Amâncio, Marcilio, Parintins, Lé, Benjamim, Cláudio Coelho, Meireles, Valdir Oliveira, Zenith, Raimundo Rebelo Dog, França, Silvio, Valdemir Osório e outros. Seria também campeão em 1945, mas a FADA, numa manobra de bastidores, decidiu transferir o título para o Nacional e por isso o Rio Negro deixou o futebol, afastando-se dos gramados pelo espaço de quinze anos. Na ocasião, seus jogadores tomaram outros rumos: Luisinho foi para o Nacional e logo depois para o Olímpico, conquistando o título invicto de 1947 ao lado de Tuta, Aurélio, Silvio, Gato, Omar, Gatinho, Dog, Zé Luís, Cabral, Juvenil, Silvio e Raimundo Rebelo.

OS VETERANOS

Rio Negro-veteranos
Luizinho, Mário Matos, Lafayette Vieira e Raimundo Rebelo.

Luizinho participou da Seleção do Amazonas em 1943. Era funcionário da Polícia Civil, depois, por iniciativa de seu conterrâneo Gláucio Gonçalves, passou a prestar serviços na Assembléia Legislativa e sempre que tinha tempo rabiscava alguns versos, quase todos dedicados ao seu Rio Negro ou ao São Raimundo, que ele considerava seu segundo time, na época do presidente Ismael Benigno.

Sócio Benemérito do Rio Negro e membro da Diretoria do São Raimundo E. Clube morreu na madrugada de uma terça-feira, dia 16 de março de 1993. Há algum tempo estava com problemas de saúde. Melhorava, mas abusava tomando algumas geladinhas. Um dia antes de morrer, esteve com os velhos amigos de São Raimundo, onde residia desde quando casou com Dona Creusa, uma filha do bairro. Chegou a casa em estado de desespero. Levado para uma clínica, lá faleceu, aos 73 anos de idade, deixando ainda três filhos (Dayse, Darly e Craveiro) e dois netos (Ana Fátima e Luiz Neto).

12
jun

Jogaram em Manaus e depois na Copa do Mundo

 Publicado por Carlos Zamith em Campeonatos

Eles vieram para Manaus ainda jovens, Destacaram-se no futebol local defendendo
Nacional, Rio Negro ou Fast. Daqui saíram, chegaram a Seleção Brasileira e disputaram
Copa do Mundo. Outros vieram já veteranos, depois de disputaram o maior Torneio
do Mundo.

 ·  ANTES DA COPA

Toninho Cerezzo Toninho Cerezzo (25/04/1955) emprestado pelo Atlético Mineiro. Com 18 anos estreou no Nacional, no Torneio Inicio de 1973. Disputou todo o campeonato desse ano, o Copão Brasil e depois foi embora. Participou de duas Copas do Mundo a de 1978 e de 1982.
Paulo Isidoro Paulo Isidoro (03/07/1953) também pertencente ao Atlético Mineiro e veio para o Nacional por empréstimo Estreou contra o Fast em setembro de 1974. Fez sete jogos com a camisa do Nacional. Logo chegou a titular do Atlético e participou da Copa do Mundo de 1982.
Alfredo Mostarda II Alfredo Mostarda (18/10/1946) emprestado pelo Palmeiras ao Nacional em 1970. No ano seguinte voltou ao clube de origem e logo se tornou titular. Participou da Copa do Mundo de 1974. Jogou contra a Polônia.

 ·  DEPOIS DA COPA

Denilson Denilson Custódio Machado (28/03/1943), jogou no Fluminense de 1962 a 1974 e uma rápida passagem pelo Vitória da Bahia. Só jogou o campeonato de 1973 pelo Rio Negro, estreando contra o São Raimundo, na Colina com vitória de 1×0 (Rolinha). Disputou a Copa do Mundo de 1966.
Reinaldo Reinaldo (11/01/1957), ídolo do Atlético Mineiro, veio para Manaus com 29 anos e sérios problemas físicos contratado pelo Rio Negro. Fez apenas seis jogos e marcou dois gols, Disputou a Copa do Mundo de 1978.
Jairzinho Jairzinho Ventura Filho (25/12/1944), veio para Manaus em 1979, contratado pelo Fast. Também jogou pelo Nacional no Copão do mesmo ano, participando de apenas três jogos. Disputou as Copas do Mundo de 1966, 1970 e 1974.
Clodoaldo Clodoaldo, sergipano de Aracajú (26/09/1949), titular por longo tempo do Santos (SP). Veio para Manaus em 1981 para defender o Nacional no Copão Brasil. Jogou pelo Fast contra o Cosmos de Nova Iorque. Foi rápida sua passagem pelo osso futebol. Participou da Copa do Mundo de1970.
Silva Silva Walter Machado (02/01/1940), veio para Manaus defender o Rio Negro no Copão Brasil em 1973. Jogou na Copa do Mundo de 1966.
Dario Dario – Dadá Maravilha (04/02/1946), veio para Manaus, já com 32 anos, contratado pelo Nacional em 1984. Foi campeão nessa temporada e artilheiro do campeonato com 14 gols. Participou da Copa do Mundo de 1970.
Edu Edu – Jonas Eduardo Américo (06/08/1949), veio para o Nacional na mesma época de Dario em 1984 e ainda disputou a Copa do Brasil de 1985. Participou das Copas do Mundo de 1966, 1970 e 1974.
Josimar Josimar Higino Ferreira (10/09/1961), Veio para Manaus em 1994 contratado pelo Fast. Ficou pouco tempo em Manaus e depois foi embora para Rondônia. Participou da Copa do Mundo de 1986 e nas Oitavas-de-Final fez um gol contra Irlanda do Norte.
Marco Antonio Marco Antonio (06/02/1961), fez apenas dois jogos pelo Fast em 1982, quando aqui veio o Bangu ao qual ele fazia parte. Jogou por muito tempo no Fluminense, Participou das Copas de 1970 e 1974, como reserva.
8
jun

Avenida Senador Álvaro Maia

 Publicado por Carlos Zamith em Ruas de Manaus

Imagem_3f9b7a8026Álvaro Maia, nascido a 19 de fevereiro de 1893, no município de Humaitá, Rio Madeira, veio criança para Manaus. Estudou direito, em Fortaleza e colou grau na Faculdade do Rio de Janeiro. Seu primeiro emprego no Amazonas foi de redator da Assembléia Legislativa, depois Procurador da República. Era jornalista, poeta e político atuante. Foi Deputado Federal (1933–1935), Governador (1935–1937, Interventor com o golpe político do Estado Novo (1937-1945), Senador (1946–1951), novamente Governador (1951–1954 e tambem Senador da República (1967–1969). Faleceu na madrugada do dia 4 de maio de 1969, na Santa Casa de Misericórdia, acometido de infarto.

Quando foi criado o bairro da Vila Municipal, em maio de 1901, a Lei pertinente deu a denominação de suas Ruas e já falava em Boulevard Amazonas, donde se conclui que surgiu antes de sua criação. A pedra fundamental do Reservatório do Mocó foi lançada em 1893, conforme publicou o jornal “Amazonas”, edição de janeiro de 1894. O mesmo jornal noticiou proposta para abertura do bairro do Mocó, em 1893. Tudo faz crer que Boulevard Amazonas já existia entre 1893 a 1901.

Boulevard Amazonas já foi Aristides Rocha e também ex-Cemitério, mas pela Lei nº 1477, de 16-04-1928, oficializada como Boulevard Amazonas, até que em 1972, por iniciativa do então Vereador Praxiteles Antony, passou a chamar-se Avenida Senador Álvaro Maia em homenagem ao ex-governador do Estado do Amazonas.

Praxiteles, homem de poucas palavras e que na mocidade foi goleiro do Nacional, estava com assento à Câmara Municipal de Manaus como representante da Aliança Renovador Nacional (Arena). Com a devida justificativa, apresentou Projeto de Lei propondo a mudança de Boulevard Amazonas para Avenida Senador Álvaro Maia.

A princípio, alguns de seus pares não concordavam com a alteração, alegando que Boulevard Amazonas era tradicional e que o povo também não concordaria. Sugeriram, ante a sua intransigência, que pelo menos ficasse como Boulevard Álvaro Maia. Não houve acordo algum. O autor da proposta manteve a sua decisão.

A Lei foi aprovada e sancionada pelo Prefeito da época, Paulo Pinto Nery, tomando o número 1028, de 07-04-1972.

IMG_1093 Avenida Senador Álvaro Maia nos dias atuais

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